Plante o futuro – Trecho do livro Para Que Minha Vida Se Transforme / Maria Salette e Wilma Ruggeri

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Um senhor já idoso amava muito as plantas. Todos os dias acordava bem cedo para cuidar de seu jardim. Fazia isso com tanto carinho e mantinha o jardim tão lindo que não havia quem não admirasse suas plantas e flores. Certo dia resolveu plantar uma jabuticabeira.

Enquanto fazia o serviço com toda a dedicação, aproximou-se dele um jovem que lhe perguntou:

- Que planta é essa que o senhor está cuidando?

- Acabo de plantar uma jabuticabeira! – respondeu.

- E quanto tempo ela demora para dar fruto? – indagou o jovem.

- Ah! Mais ou menos uns 15 anos – respondeu o velho.

- E o senhor espera viver tanto tempo assim? – questionou o rapaz.

- Não meu filho, provavelmente não comerei de seu fruto.

- Então, qual a vantagem de plantar uma árvore se o senhor não comerá de seu fruto?

- O velho, olhando serenamente nos olhos do rapaz, respondeu:

- Nenhuma, meu filho, exceto a vantagem de saber que ninguém comeria jabuticaba se todos pensassem como você.

- O rapaz, ouvindo aquilo, despediu-se do velho e saiu pensativo.

- Depois de caminhar um pouco, encontrou à sua frente uma árvore e parou para descansar à sua sombra.

- De repente olhou para cima e percebeu que se tratava de uma jabuticabeira carregada de frutos maduros. Pôde então saborear deliciosas jabuticabas. Enquanto comia, lembrou-se da sua conversa com o velho e refletiu:

- “Estou comendo esta jabuticaba porque alguém há 15 anos atrás plantou esta árvore. Talvez essa pessoa não esteja mais viva, mas seus frutos estão.”

Elegância – Martha Medeiros

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Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso…

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.

É elegante a gentileza… Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém… é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar… é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação. Mas tentar imitá-la é improdutiva.

A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.

Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

Casamento – Adélia Prado

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Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Aprendendo a viver – Herman Melville

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Aprendi que se aprende errando
Que crescer não significa fazer aniversário.
Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem.
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro.
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos.
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim.
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face.
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela
Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida.
Que amar significa se dar por inteiro
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos.
Que se pode conversar com estrelas
Que se pode confessar com a Lua
Que se pode viajar além do infinito
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde.
Que dar um carinho também faz…
Que sonhar é preciso
Que se deve ser criança a vida toda
Que nosso ser é livre
Que Deus não proíbe nada em nome do amor.
Que o julgamento alheio não é importante
Que o que realmente importa é a Paz interior.

Venha para o Brasil, De Falco! Texto do jornalista Eduardo Costa

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Destaque da Semana

O naufrágio de um navio sempre será notícia no mundo inteiro, especialmente se mais de 4 mil pessoas estiverem a bordo. No entanto, para fazer jus à máxima de que sempre há algo de positivo a se extrair do pior fato possível, eis que aparece um exemplo de cumprimento do dever, de honradez, que mexe com nossos nervos.

O diálogo entre o comandante da Guarda Costeira italiana, Gregório de Falco, com o capitão do Costa Concórdia, Francesco Schettino, é uma dessas peças históricas que podem mudar os rumos da humanidade.

Daqui por diante, toda vez que um ser humano se apequenar diante de tão gigantesca responsabilidade ou se julgar mais esperto que os demais, seu inconsciente vai captar a bronca de um italiano em seu compatriota. De todas as incontáveis definições de ética que já ouvi a melhor é a mais simples: Ética, É o que a gente faz quando ninguém está vendo”.

Schettino deve ter imaginado: se há um caos generalizado, salve-se quem puder e eu, bonitão, privilegiado pela vida, me mando e depois vejo no noticiário o que aconteceu.

De Falco, desses seres cada vez mais raros, foi irretocável na repreensão: primeiro, avisou que estava gravando, depois falou dois ou três palavrões (para desabafar) e, por fim, mandou o infeliz voltar para cumprir seu dever, ser solidário – ainda que à força diante daquela multidão desesperada.

Como faz falta um De Falco no mundo de hoje. Lá mesmo, na Itália, um grupo de pesquisadores fez trabalho de 25 anos para entender as diferenças do Norte (rico) para o Sul (pobre). E, entre as conclusões, sentenciaram que os habitantes da parte desenvolvida têm mais espírito de comunidade… Por exemplo, se há um incêndio na casa de um deles, os vizinhos correm a ajudar enquanto, no Sul, diante das primeiras chamas, a vizinhança trata de aumentar seus estoques de água para o caso de o fogo se alastrar.

Não é diferente entre nós, neste Brasil tão rico, poupado de grandes desastres naturais, mas que, vez por outra vê milhões e milhões de filhos sofrendo, ora por chuva, ora por seca, quase sempre por pura falta de prevenção, de educação, de cuidado.

Já pensou se houvesse um De Falco entre nós para descobrir o verdadeiro culpado pela queda dos prédios no Buritis e dar uma dura nesse Schettino das montanhas?

E se a gente pegasse o Schettino da BR 381, do anel rodoviário, do trem metropolitano de Belo Horizonte? Aí, vale lembrar Michel Teló… “Ah, se eu te pego… Delícia!”.

Seja você – Steve Jobs

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Seu tempo é limitado, então não percam tempo vivendo a vida de outro. Não sejam aprisionados pelo dogma – que é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas.

Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar.

Tudo o mais é secundário.”

As coisas em ordem…Mestre Confúcio

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Os grandes antigos, quando queriam propagar altas virtudes, punham seus Estados em ordem.

Antes de porem seus Estados em ordem, punham em ordem suas famílias.

Antes de porem em ordem suas famílias, punham em ordem a si próprios.

E antes de porem em ordem a si próprios, aperfeiçoavam suas almas, procurando ser sinceros consigo mesmos e ampliavam ao máximo seus conhecimentos.

A ampliação dos conhecimentos decorre do conhecimento das coisas como elas são (e não como queremos que elas sejam).

Com o aperfeiçoamento da alma e o conhecimento das coisas, o homem se torna completo.

E quando o homem se torna completo, ele fica em ordem.

E quando o homem está em ordem, sua família também está em ordem.

E quando todos os Estados ficam em ordem, o mundo inteiro goza de paz e prosperidade.

Mesmo assim – Madre Tereza de Calcutá

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As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as MESMO ASSIM.

Se você tem sucesso em suas realizações,ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.Tenha sucesso MESMO ASSIM.

O bem que você faz será esquecido amanhã. Faça o bem MESMO ASSIM.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto MESMO ASSIM.

Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro. Construa MESMO ASSIM.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar. Ajude-os MESMO ASSIM.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar. Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.

Eu sei, mas não devia – Marina Colassanti

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Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas se costuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz.(…)

A gente se acostuma esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

(…)

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma a não se ralar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida.

E aos poucos a vida se gasta. Gasta de tanto se acostumar e se perde de si mesma.

Aprendi e decidi – Walt Disney

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E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar…

Decidi não esperar as oportunidades e, sim, eu mesmo buscá-las.

Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.

Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.

Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.

Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.

Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de superá-las.

Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.

Deixei de me importar com quem ganha ou perde. Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.

Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima e, sim, deixar de subir.

Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de “amigo”.

Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, “o amor é uma filosofia de vida”.

Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.

Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.

Naquele dia, decidi trocar tantas coisas…

Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade.

E desde aquele dia já não durmo para descansar… Simplesmente durmo para sonhar.

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