“Lei das Palmadas” é uma bobagem, texto de Ricardo Kotscho
31 de Julho de 2010 por José Lino | Categorias: Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo | 2 Comentários »
Destaque da Semana
Quanto mais converso com as pessoas, mais me convenço de que esta história de que os pais precisam de uma “Lei das Palmadas” para saber como devem educar seus filhos não passa de uma grande bobagem.
Sem nem entrar no mérito do projeto de lei enviado pelo governo federal ao Congresso no começo de julho, cabe uma simples pergunta: se por acaso esta proposta for aprovada, como poderá ser cumprida na prática?
É mais um não-assunto que está gerando uma polêmica danada no momento em que a campanha presidencial deveria discutir os rumos e as propostas para o futuro do país. Como pai e avô que se orgulha da educação das filhas e dos netos, acho até graça.
Alguém pode imaginar uma criança indo à delegacia de polícia mais próxima para denunciar os próprios pais por ter levado um tapa na bunda? E o delegado vai lá prender os pais? A Justiça vai processá-los e tirar-lhes o pátrio poder?
O texto da lei defende “o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”. Até aí estamos todos de acordo, mas são duas situações bem diferentes, convenhamos.
“Tratamento cruel e degradante” contra qualquer pessoa é crime já previsto em lei desde sempre. Mas de que tipo de “castigo corporal” estamos falando?
A julgar pelos resultados da pesquisa Datafolha sobre a “Lei das Palmadas”, 72% dos pais brasileiros deveriam estar na cadeia porque foi este o percentual de entrevistados que declararam já ter sofrido algum castigo físico na vida.
A mesma pesquisa mostra que os pais estão batendo menos nos filhos: se 72% já levaram uns cascudos, apenas 58% declararam que também já bateram nos filhos, ou seja, de uma geração para outra, a criançada está apanhando menos para andar na linha.
Nem por isso a violência diminuiu. Ao contrário, todas as estatísticas indicam que, de ano para ano, os brasileiros estão respeitando menos a vida alheia, ficando mais violentos, matando mais por qualquer motivo ou sem motivo nenhum.
É claro que todos nós somos contra qualquer violência praticada contra crianças, sejam nossos filhos ou não, mas para isso já existe o Código Penal, que pune severamente estes crimes. Daí a querer tirar dos pais o direito de saber o que é melhor para educar seus filhos vai uma longa distância.
Em todas as classes sociais, o que tem acontecido é uma crescente leniência dos pais ao estabelecer parâmetros sobre o que seus pimpolhos podem ou não fazer, quais os direitos e os deveres para se viver em sociedade, respeitando as leis já existentes.
A maior prova disso é o desrespeito aos professores, vítimas até de agressões dos alunos, que se sentem protegidos pelos pais para fazer o que bem entendem. É isso que acaba levando a assassinatos como o que vitimou o filho da atriz Cissa Guimarães, atropelado durante um racha num túnel interditado no Rio de Janeiro.
Dar um beliscão ou um tapa na bunda, colocar de castigo ou cortar a mesada? Não existe uma receita pronta que sirva para todos. Antes de mais nada, é preciso ter bom senso, dedicar mais tempo a conversar com os filhos e educá-los pelo exemplo, o que os pais que vivem nas grandes cidades têm feito cada vez menos, deixando tudo por conta das escolas.
Assim, muitas vezes, o último recurso, que é o castigo, acaba sendo o primeiro. E as crianças vão descontar suas frustrações e revoltas em cima dos professores, que nada podem fazer, criando-se um círculo vicioso que nenhuma lei vai cortar. Não sei qual a melhor solução, mas não é, certamente, punindo os pais com a “Lei das Palmadas” que vamos melhorar o nível educacional dos nossos jovens e construir uma sociedade menos violenta, mais fraterna.

Olá meu caro José Lino.Concordo plenamente com você dizer q há coisas mais importantes a fazer.Já q a pauta é essa,vamos lá.Entrei para o 1° ano primário em 1964,exatamente quando houve o golpe militar,golpe este q até então,eu nem sabia oq era.Estudei no Grupo escolar pedro II,na Alfredo Balena,bem em frente à escola de medicina.Citei tal detalhe pq várias vezes tínhamos q esperar a “guerra” entre polícia e estudantes acabar.Bom,vamos ao assunto direto.Entrávamos em fila,ordem de tamanho,cantando e seguindo felizes à sala de aula.Zé,se eu for tentar lembrar os quantos puxões de orelha eu tomei durante os 4 anos q ali estudei,este espaço seria pequeno.Aí de mim se minha mãe soubesse.Hoje,
aos 53 anos,com 3 filhos já criados,graças a Deus,bem criados,é q eu posso afirmar,fui filho e sou pai,q os tapas na bunda ou nas mãos foram os responsáveis pelo meu caráter.Obrigado seu Deusmar de Sousa “em memória,e D.Ivone Gomes de Sousa,pelos castigos aplicadodos.Obrigado
a Você também José Lino de Sousa Barros,por nos dar este espaço.
Muito bom o texto, concordo plenamente, acho um desserviço os deputados gasterem o pouco tempo de quem fazem uso pra legislar e ainda darem conta de tanta besteira. É lógico que sou contra a qualquer típo de violência contra criança, mas tirar o direito patrio como disse o escritor de dar uma palmada em nossos filhos é absurdo, oq diriam nossos pais e avós se não pudessem dar uns beliscões quando necessários. As estatísticas estão ai apresentadas, muitos que são hoje adultos praticando verdadeiras barbaries se fossem devidademente educados, com certeza não estariam fazendo por ex professores pedir demissão com medo de entrarem em sua sala refens do medo de serem assassinados.