Destaque da semana
Nesta semana, depois de longa investigação da Polícia Civil de Minas, foi decretada pela Justiça, a prisão temporária de oito pichadores. Cinco deles foram presos e estão atrás das grades, onde já estava um sexto pichador. Outros dois, alertados, conseguiram driblar a Polícia e fugiram.
O fato traz à baila uma primeira discussão: qual a diferença entre grafite e pichação? A grafitagem é considerada uma arte de rua, enquanto a pichação não seria arte e sim uma atitude de vandalismo. Por isso, a pratica da pichação pode levar uma pessoa à cadeia.
Os vândalos, que têm o costume de pichar, disputam espaço com outros pichadores para saber quem picha o prédio mais vigiado, o mais alto, o muro que acabou de ser pintado, o monumento ou obra que acabou de ser inaugurada. Daí, prédios, praças, edifícios públicos e privados, monumentos e muros viram alvo dessas verdadeiras gangues urbanas.
Uma idéia que poderia acabar de vez com a pichação seria levar os pichadores a conhecer o mundo da arte, investindo pra valer na cultura para que, daí, possa aparecer o grafite. Ato contínuo, evoluiríamos para uma ação criativa, transformando os muros de edifícios em telas, espaço de arte para… os grafiteiros. Seria trocar repressão por educação, o que, até agora, não tem sido prioridade entre nossos legisladores e governantes.
Tais propostas devem, ainda, levar em conta o respeito a espaços públicos e particulares. Mesmo o grafite, quando não é autorizado pelo particular ou entidade pública, é proibido. Os motivos são óbvios: nem mesmo a arte pode ser imposta. E o mais grave é que, geralmente, as pessoas que picham são membros de gangues e isso acaba contribuindo para a violência nas ruas da cidade. Diferentemente do grafite, cuja preocupação é de ordem estética, o “piche” tem como objetivo a demarcação de territórios entre essas gangues. E os rastros da pichação ficam por toda parte, como que avisando ao cidadão: estamos aí, ninguém manda na gente, cuidado com a gente!!!
Foi contra esse ‘emporcalhamento’ que a sociedade reagiu há mais de um ano. O combate à pichação tornou-se alvo de um trabalho conjunto da Polícia Civil, Prefeitura de Belo Horizonte (que criou o Movimento Respeito por BH), Ministério Público, Judiciário e órgãos da Defesa Social. Todos reunidos em torno do projeto BH Mais Limpa.
Os pichadores presos, nesta semana, estavam sendo monitorados pela polícia desde julho do ano passado. A Divisão de Meio Ambiente da Polícia Civil criou uma equipe de policiais para investigar os crimes de pichação, que são considerados de pequeno potencial ofensivo. A pena prevista é de três meses a um ano de reclusão. Mas o Ministério Público pediu a prisão dos envolvidos também por formação de quadrilha, o que pode aumentar a pena para até três anos. Antes, por ser um crime leve, os pichadores não temiam a punição. Para eles, no máximo, o juiz iria mandar que eles limpassem as áreas pichadas.
Por isso, até agora, os pichadores não tinham limites: pichavam paredes, monumentos, placas, casas, muros, locais públicos em geral. Em Belo Horizonte, há alguns anos, quando se reformou o tradicional Viaduto Santa Tereza, no dia seguinte ele já amanheceu pichado. Mais um ato criminoso de vandalismo, onde as gangues ficam à margem do que se espera de um comportamento civilizado.
Já o grafite é um movimento organizado nas artes plásticas. Apareceu no final dos anos 70 em Nova Iorque, como expressão cultural das minorias excluídas da cidade. Com a revolução contracultural de 1968, surgiram nos muros de Paris as primeiras manifestações. Os grafiteiros querem sempre divulgar essa idéia.
Com a grafitagem, a intervenção urbana se transforma em manifestação artística. Quem intervém no ambiente, devidamente autorizado, é legítimo na forma e anárquico na criatividade. Foi essa arte que ganhou as galerias. A eles, os grafiteiros, nosso respeito e nosso abraço: Gêmeos de São Paulo, Dezalí, Guitón, Móchi, Ramon Martins (exposição de pichadores de rua no MASP), João Perdigão e Lóis.
Aos pichadores: os irmãos gêmeos Lic e Lisk, (este último já estava preso também por tráfico), o Goma, o Sadok e o Ranex – os rigores da Lei…