O torcedor e a imprensa do Brasil pulam da euforia para a catástrofe num piscar de olhos. Basta uma vitória para a louvação exagerada, basta uma derrota para pedir a cabeça do técnico e detonar jogadores. O que a Seleção Brasileira precisa neste momento, após a campanha apagada na Copa, é de avaliações isentas e foco na realidade. Vamos explicar melhor: o futebol brasileiro atravessa um período de entressafra. Para usar uma expressão mineira  “o passarinho está mudando as penas. Não canta.”

A Seleção fez o seu melhor jogo na Copa América contra o Paraguai. Não conseguiu fazer um gol em 120 minutos e perdeu nos pênaltis. Vamos cair na real. Não temos hoje os craques de antigamente e as apostas atuais são em cima de bons jogadores, nada excepcionais, nada que possa ser comparado aos antigos ídolos.

Na pressa de mostrar ao mundo o nosso potencial inesgotável para revelar jogadores, colocamos o garoto Neymar, um deslumbrado com a fama, no patamar de Pelé, como fez a revista Veja de semanas atrás em matéria de capa.

A Seleção que Mano Menezes colocou em campo na Argentina é o que temos de melhor atualmente. Nada mais, nada menos. A qualidade do elenco se nivela a outras seleções menos dotadas. O time lutou muito, não mereceu ser chamado de apático ou mercenário da forma como muitos apressados fizeram.

O futebol brasileiro está surtado. Técnicos ganham na faixa de 500 mil reais  mensais sem apresentar nenhuma novidade tática. Jogam apenas pelo resultado. Jogadores são repatriados em fase final de carreira e os poucos que surgiram por aqui, entre eles Neymar, viraram milionários da noite para o dia com excesso de badalação.

Quando o Brasil preparava a viagem para a Argentina cheguei a ler que Neymar iria provar na terra do Messi que é melhor do que ele, que chutava com os dois pés. Até Pelé embarcou nessa canoa.

A imprensa tem sua parcela de culpa valorizando firulas e embaixadinhas como se isso fosse exclusividade nossa e ganhasse jogos. Não adianta mudar técnicos, pedir Felipão, fritar jogadores. A Seleção deixou coisas boas e ruins. Fotografou com  nitidez a nossa atual realidade.