O clássico Atlético e Cruzeiro merecia mais. Grandes nomes nos dois lados e um palco pequeno para abrigar tanta emoção. O gramado não ajudou e limitou a qualidade técnica. Sete Lagoas até que se esforçou, mas a Arena do Jacaré é obra inacabada. Poderá vir a ser, mas ainda não é.

O grande erro do futebol mineiro ficou evidente. O fechamento simultâneo do Mineirão e Independência é um desastre que ainda não mostrou a sua verdadeira extensão. A volta do Independência continua imprevisível e BH vai ficar sem futebol mais tempo do que se imagina.

Mas vamos ao clássico e a reprise do filme. A cada jogo contra o Cruzeiro, o Atlético apresenta um time diferente, um esquema secreto para surpreender o adversário. No oitavo mês do ano, o Galo anda a procura de um time-base.

O Cruzeiro, pelo contrário, usa como linha mestra o goleiro Fábio, os dois laterais, repete o meio-campo e voltou a apostar na dupla de ataque que melhor se comportou no ano passado com Wellington Paulista e Thiago Ribeiro.

Quando o Kleber operou o púbis no ano passado, Wellington e Thiago fizeram partidas memoráveis. Nisso, o Cuca leva grandes méritos por ter dado de volta ao Wellington a camisa titular, coisa que o Adilson Batista se recusava a admitir.

Basta ver quantos jogadores importantes do Cruzeiro que ficaram de fora na Arena para se constatar a qualidade do grupo e o que o Cuca tem à disposição. Na 11ª rodada do Campeonato passado, o Atlético era líder. Em 2010, vice-lanterna.

A reação do Galo precisa vir rápida para o clube não cair no desespero de lutar apenas contra o rebaixamento. Há jogadores de qualidade, alguns fora de forma, mas rabeira não é lugar para o projeto do Atlético. A casa está em ordem, pagamentos em dia e investimentos altos no futebol profissional.

Luxemburgo anda tranquilo. Alexandre Kalil faz o que pode para dar suporte a comissão técnica. Cara e competente. Agora é ver com clareza o que vem pela frente. A Copa Sulamericana passa a ser prioridade ou é o Campeonato Brasileiro?

Vale a pena avaliar com calma, já sabendo que sonhar com o título brasileiro passou a ser a ilusão das ilusões.

Uma vez um jornalista mexicano ironizou a seleção do seu país que não ganhava nada e usou a seguinte frase após mais uma derrota: “jogamos como nunca e perdemos como sempre.”

É o que temos ouvido nas coletivas após as derrotas do Galo.

Fotos: Bruno Catini.