A Espanha foi tudo na Copa, menos “Fúria”. Não seria justo o time violento da Holanda, campeão de faltas, ficar com o título. Os brucutus do futebol, os que só pensam em “matar as jogadas”, em intimidar o adversário iam ficar eufóricos. A Espanha evitou que esse aval fosse dado ao futebol batedor da Holanda.

Mas há lições a tirar da Copa da África do Sul.

A primeira delas é eliminar de vez o ufanismo brasileiro em torno dos seus jogadores como se cada promessa que aqui aparece fosse um Pelé ou Maradona.

Alexandre Pato foi uma vítima da precipitação. Neymar pode ser o próximo. De onde tiramos a idéia de chamar o Luis Fabiano de “fabuloso”?

Somos bons de bola, mas não somos superiores. O futebol mudou, os conceitos são diferentes. Os espetáculos do Brasil estão pobres de técnica e imaginação. Estamos copiando o pior e jogando o futebol no estilo que a Europa mostrava há 20 anos passados.

A Espanha resgatou o toque refinado, a troca de posições durante a partida, a calma de quem sabe o que está fazendo e qual é o objetivo.

Dunga não deve levar a culpa total, muito menos Felipe Melo uma de suas apostas equivocadas.

Num comentário anterior eu disse que se o Hernanes jogasse no exterior e o Josué no Brasil,  o convocado seria o jogador do São Paulo.

Há agora uma proposta de mudanças e nisso precisa ser incluído uma maior valorização do jogador local, arejar a cabeça dos nossos comandantes e aceitar que o futebol brasileiro hoje tem outros e fortes concorrentes.

O novo técnico chegará com uma missão difícil e, de cara, precisa quebrar este rancor que o Dunga carregou durante 4 anos de eleger a imprensa como adversário. E aceitar mais do que ninguém que seleção não é seita nem igrejinha.

É por isso que a vitória da Espanha, a boa participação da Alemanha e as imagens da África do Sul mostraram que há uma nova ordem no futebol mundial.

Para 2014, não basta pensar somente em estádios, aeroportos, hotéis e turismo.

O futebol brasileiro precisa ser reconstruído.