O Brasil sai da Copa sem muito brilho e sem grandes lamentações. Na verdade, nunca tivemos uma seleção que empolgasse e criasse um favoritismo em torno dela.

Entretanto, algumas lições precisam ficar. Não adianta falar: “grupo fechado”, “guerreiros”, “Deus está do nosso lado”, “a camisa brasileira põe respeito”, etc e tal.

O futebol hoje pede outros requisitos e um deles – e talvez o principal – é a qualidade técnica.

Fomos para a Copa depois de passar por eliminatórias sul-americanas, mas vale lembrar que perdemos para Bolívia e Paraguai e empatamos 7 vezes.

A Copa tem um lado ingrato. A partir da primeira fase não existe segunda chance e para o risco ficar menor tem que haver superioridade técnica.

A vitória da Holanda foi justa, limpa, sem influência de arbitragem.

O nosso desequilíbrio emocional já ficou claro no jogo contra a Costa do Marfim, e a expulsão de Kaká, depois os dois cartões desnecessários de Ramires, culminado com a expulsão do Felipe Melo. Isto não é ser guerreiro, é insensatez.

No lado de fora, um técnico rancoroso, de conceitos duvidosos e inseguro quando ao Brasil ficou em situação adversa na partida.

A seleção lutou dentro dos seus limites e o apagão do segundo tempo mudou os ventos para o lado holandês. O nosso adversário tinha em campo jogadores que brilham em grandes times da Europa e basta ver o retrospecto holandês para reconhecer isso. Venceu todas as partidas das eliminatórias e até aqui ganhou as 5 partidas da Copa.

Não é hora de caça às bruxas. Os jornalistas brasileiros, técnicos, dirigentes tem que reconhecer que o futebol brasileiro não anda bem.

Há escassez de talentos e encontramos uma maneira feia de jogar, com excesso de faltas, agarra-agarra, simulação de lances e um endeusamento excessivo de alguns ídolos de barro.

A inflação dos salários, a supervalorização dos técnicos contribuem também para distorcer a nossa visão do futebol brasileiro atual.

A era Dunga chega ao fim sem acrescentar muita coisa ao futebol. Apenas resgatou um lado que andava esquecido, o da importância de vestir a camisa brasileira.

A seleção brasileira subiu aos céus, vestida de azul. Os treinos secretos vão para o purgatório.

2014, tem mais.