Coitado do Bruno!

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Segundo a Wikipédia, “dó” é o sentimento que é exprimido por um misto de pena, pesar e repugnância em relação a algo ou a alguém. É uma das emoções mais confusas de descrever, porque além de ser raramente experimentada, muitas das vezes se confunde com uma série de outros sentimentos que criam um estado de angústia no ser Humano. No entanto o sentimento de Dó, quando verdadeiramente sentido, cria uma opinião muito vincada sobre o algo ou alguém, muitas das vezes mudando radicalmente opiniões anteriores, tendo o poder de mudar relações interpessoais a vários níveis. E, ainda menino, aprendi que a gente não deve ter dó das pessoas por se tratar de um sentimento que inferioriza o outro, o deixa em posição de aniquilado.

Mas, depois de quase dois anos desde a prisão do goleiro Bruno, agora não consigo segurar o sentimento que sinto em relação a ele desde que o escândalo envolvendo a morte de Elisa Samúdio veio a público. Bruno é como milhares de meninos pobres que, graças ao talento, de repente se vêem cercados de bajuladores, espertalhões, infelizes e párias querendo levar alguma vantagem. Tosco, falou bobagens e se meteu em encrencas inacreditáveis. Sem alguém verdadeiramente preparado para lhe orientar, saiu da periferia de Neves para o mundo, mas, ela, a periferia de Neves, com amizades sabidamente perigosas, continuou grudada no corpo de na cabeça dele.

E, de repente, aparece mais uma dessas “marias chuteiras”, o envolve, engravida, e, de novo, sem uma mente sã para lhe explicar que 10 ou 20 mil mensais de pensão não fariam a menor diferença no seu padrão de vida altíssimo, ele faz as ameaças que lhe renderam condenação no Rio de Janeiro. Depois, vem a acusaão mais grave de um crime ainda sem cadáver em Minas. O que realmente aconteceu só Deus sabe, mas, todos os que são trazidos ao caso nestes 20 meses dão um jeito de levar alguma vantagem.

Os policiais que foram buscá-lo fizeram um video ilegal e indecente. A mãe de Elisa, que não a via não se sabe havia quanto tempo, agora chora pedindo justiça. O pai de Elisa apareceu como galã e desapareceu como abusador de outra filha. E os advogados de Bruno? Quanto ao doutor Quaresma, melhor esquecer. O atual, Rui Pimenta, é tão sério que me prometeu uma entrevista exclusiva com o preso famoso e depois pediu a esposa para atender as ligações. Começo a achar que quem gosta do Bruno, de verdade, é só o Macarrão!

Prazer em atender… Mal!

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Eu nasci num lugar muito perto da capital, mas com jeito de roça, ares de roça e comportamento de roça. Não se falava em supermercado e tudo se comprava num estabelecimento chamado de venda. A gente levava o que precisava tendo ou não dinheiro. E, toda vez que cumprimentava o dono do comércio ele se abria em sorrisos, perguntando como estavam os nossos parentes, mostrando tudo com paciência, resolvendo dúvidas. Em resumo: quem atendida fazia valer a placa afixada na parede: “Aqui, o cliente sempre tem razão!”.

Hoje, na cidade grande, no tempo do “call center”, do atendimento automático e da secretária eletrônica, fico me perguntando por que nós – os contribuintes, os destinatários dos serviços – toleramos tanto desaforo.

As companhias telefônicas são campeãs, mas as empresas de TV a cabo não ficam atrás. A gente liga e a voz gravada começa o purgatório: “Se você deseja falar com o papa, digite 1; se quer bater um papo com Lula, 2; se quer é namorar Xuxa, 3…” E segue o rosário de possibilidades. Depois de alguns minutos, você aperta a tecla de falar com a atendente e começa uma série de novas indagações ainda com a tal e bendita secretária eletrônica. É de desesperar. E, se for para cancelar o serviço, invariavelmente a ligação cai antes de a gente conseguir.

O mesmo governo (federal, estadual e municipal) que não pune as empresas privadas, finge que não vê autarquias prestadoras de serviços públicos agindo do mesmo jeito. Com tanta água em Minas, com tanta chuva nos últimos meses, o que temos é gente desesperada em muitos bairros da região metropolitana e um atendimento horroroso da Copasa. Em alguns casos, além da falta de compromisso, há a terceirização dos atendentes, o que nos coloca diante de pessoas absolutamente incapazes de nos dar informações básicas.

Até a nossa Polícia Militar decidiu aderir e, há alguns anos, coloca civis para atender todos os mineiros que ligam para o “190”. Qualquer coronel que entrevistarmos dirá que é uma atividade passível de se realizar com gente não especializada, que são mais de 600 policiais liberados para a atividade fim nas ruas, etc. etc. Mas, o “190” não é a sala de entrada da Corporação? Porque não colocar ali policiais que não têm condições físicas para as ruas? Alguém duvida que se a experiência pode ajudar na hora do telefonema aflito? Será que ninguém na PM conhece os casos de urgência nos quais os bombeiros salvam vidas orientando pelo telefone?

Na falta de autoridade, nós resolvemos!

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Nós vivemos a era do medo. O medo de andar nas ruas, o medo de não ter futuro tranquilo, o medo de não dar conta da criação dos filhos, mas, principalmente, o medo de assumir as coisas. Já repararam como todo mundo faz discurso e ninguém assume nada? Converse com um deputado sobre o quanto é difícil aprovar um requerimento, pedir uma providência ou colocar em votação um projeto; pergunte a um policial quantas vezes ele prendeu a mesma pessoa nos últimos meses e ninguém a tira de circulação; pergunte a determinados advogados o quanto é difícil conversar com um juiz; pergunte aos clientes como é raro encontrar alguns minutos de atenção do seu advogado. Mas, sobretudo, pergunte ao cidadão que paga impostos o tamanho de sua decepção com a ausência de Estado na sua vida.

Antes, o discurso era o de que havia Estado demais – com o que, de certa forma, concordo. Acho que a gente tem mesmo de entregar muitos serviços à iniciativa privada, que é mais ágil e competente. O que incomoda agora é a falta de providências no que é essencial e missão exclusiva do Estado. Quando a gente precisa de água limpa, compra o garrafão; quando quer segurança, contrata o vigia; quando precisa de boa educação para o filho o coloca em escola particular; quando dói a barriga corre para o plano de saúde, enfim, toda vez que a gente necessita da devolução, pelo governo, dos impostos que pagamos em forma de prestação de serviços essenciais, a gente não tem.

Vejamos o caso daquele túnel na curva do ponteio na BR 356: é inacreditável que tenha sido interditado em dezembro e continue do mesmo jeito, com perspectivas de obras para agosto. Ele é um exemplo de como a gente fica refém de serviços públicos desmoralizados. A mesma coisa serve para quando ficamos parados numa rodovia porque não retiram logo da pista um veículo acidentado; a mesma raiva a gente tem quando percebe falta de fiscalização das agências reguladoras em relação a companhias prestadoras de serviço, enfim, toda hora há um exemplo de como estamos abandonados à própria sorte. Nos salva o espírito brasileiro. Agora mesmo, moradores do Bairro de Lourdes e donos de bares e restaurantes ensaiam um acordo que tem tudo para por fim a eternas disputas e permitir a alegria do encontro de amigos com a necessidade fisiológica de dormir. Tomara que dê certo, pois, há 114 anos a Prefeitura mostra-se incapaz de resolver!

O tribunal sinônimo de desprestígio

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O que não falta em Minas é exemplo da falta de prestígio de nosso Estado no plano federal. É só olhar para as rodovias, o anel rodoviário da capital, nosso trem metropolitano… Mas, se quisermos institucionalizar de verdade a queixa, a falta de um Tribunal Regional Federal é, sem dúvida, a maior vergonha. Como podemos continuar esperando, desde 1988, nos submetendo a fila interminável de processos e dividindo a atenção dos julgadores junto com mais 12 estados e o Distrito Federal?

Uma exposição de motivos da Associação de Juízes Federais de Minas não deixa dúvidas quanto à urgência do assunto. Afinal, nos últimos anos, a Justiça Federal assumiu papel de destaque na efetivação e garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos, atendendo nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, previdência social, patrimônio público, enfrentamento ao crime organizado e outras. Desde 1989, a Justiça Federal de 1ª Instância cresceu 470 por cento, já estando presente em 214 municípios.

Mais 230 varas estão sendo implantadas. Porém, o mesmo não aconteceu na 2ª instância, que continuou com cinco tribunais regionais federais, criados em 1989, tendo crescido em número de desembargadores no percentual diminuto de 89 por cento. O resultado é um congestionamento de processos nos TRFs, traduzido em anos de espera até que um recurso distribuído seja julgado.

Eu mesmo fui vítima, pois entrei com processo só resolvido seis anos depois. A lentidão no julgamento dos processos, em especial quando se trata de causas previdenciárias e assistenciárias, que envolvem direitos como aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença e auxílio ao idoso e ao deficiente, mais que o patrimônio, coloca em risco a vida e a dignidade das pessoas. Atualmente, o tribunal que atende a Minas responde também pelos julgamentos de casos do Distrito Federal, do Acre, do Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piaui, Rondônia, Roráima e Tocantins.

Desde 2002 há uma Proposta de Emenda à Constituição em tramitação no Congresso tratando da instalação de novos TRFs, um deles para Minas Gerais. Nosso Estado conta com cerca de 20 milhões de habitantes, distribuídos em 853 municípios, numa área territorial superior a 568 quilômetros quadrados. É preciso falar mais? É preciso mais esforço para convencer senadores, deputados federais e estaduais, todos os políticos de Minas de que precisamos do tribunal? Até quando o terceiro estado do país em riqueza e movimentação processual referente à Justiça Federal vai continuar de joelhos?

Eleições

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Inicialmente, aviso que não sou o jornalista mais qualificado para falar de política e tendências eleitorais porque, além de não fazer a cobertura diária, não tenho tempo nem interesse em frequentar bastidores, discutir tendências ou avaliar pesquisas. Em verdade, só não digo que sou avesso à política por ter a consciência que tudo depende dela e, em função da profissão, tenho de estar minimamente informado.

Mas, creia-me cara leitora, tenho uma preguiça danada para discutir a política partidária, pois, estou certo, ela não leva em conta os interesses das pessoas, mas de grupos! Ainda assim, quero adivinhar hoje o resultado das discussões que o PT fará no próximo domingo para decidir sua postura frente às eleições de outubro: o partido vai sim apoiar Márcio Lacerda, independentemente se o PSDB estará ou não na coligação de sustentação da reeleição. Por que sei disso? Porque embora muitos de seus membros tenham nos iludido, tenham nos patrulhado e até nos ameaçado quando amargavam as agruras da oposição, quando chegou ao poder o PT revelou-se absolutamente igual às demais agremiações partidárias.

No partido tem gente correta e uma maioria que quer se esbaldar, assim como no PMDB, o PSDB, o DEM, o PC do B e todas as outras siglas. No fundo, no fundo, os petistas concordam com o ex-governador Hélio Garcia, para quem “feio, em política, é perder a eleição”. Ou alguém consegue entender aquele “esforço” do bom ministro Patrus como vice na chapa de Hélio Costa? Os comunistas não são diferentes… Ou alguém conseguiu engolir Jô Morais dando um “jóia” para os eleitores na campanha peemedebista de Leonardo Quintão?

Assim, por mais que se irritem, os petistas têm de engolir a frase do tucano João Leite sobre a decisão em torno do apoio a Lacerda: “Não precisam nem votar; é só levantar os crachás de servidores da Prefeitura!”. E vai acontecer isso. O fiel da balança nesta semana é a turma que segue Patrus. Com 17 por cento dos votos, eles topam o acordo, mas sem o PSDB no palanque. Uma boa conversa, quem sabe o deputado André Quintão de vice, e pronto! Num outro cenário, a turma de Patrus conversa com os outros, rechaça Miguel Correa Júnior como vice – como quer Pimentel  – e surge a terceira via, o já aposentado Virgílio Guimarães. Enfim, no fritar dos ovos vai acontecer o que previ (e disse a ele dois anos atrás): Roberto Carvalho, o vice, vai ficar sozinho. É a política. É a vida.

A utopia do voto aberto

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Recém chegado à Câmara Municipal e querendo fazer diferente, Fábio Caldeira (PSB) estimulou o surgimento da “Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto”, como parte de um movimento nacional pela abertura das votações em todas as casas legislativas. E, para mostrar que não joga para a platéia, o vereador visitou noite passada o Vicariato para a ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte e estará logo mais no Sindicato dos Jornalistas de Minas, pedindo sequência do debate junto a entidades da sociedade civil para fortalecer o movimento.

Depois de protocolar uma emenda e ganhar manifestação de apoio de colegas ele espera agora que todos assumam a responsabilidade de lutar pela extinção do voto secreto para opinar sobre analise de veto e cassação de mandato, dois casos em que a decisão do parlamentar é sempre mantida em sigilo. Trata-se de uma nobre iniciativa, tanto que o presidente da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil prestigiou o lançamento da frente. Fábio, que já passou pela Câmara como servidor, sabe que só com mobilização popular, nos moldes da recente que impediu o reajuste salarial dos vereadores, há alguma chance de vitória para sua proposta. O discurso dele é o óbvio: “O parlamentar deve exercer suas funções atentando para sua consciência e o interesse público, caso contrário estará fraudando o princípio da representação”.

É muito bonito. No discurso. Na prática, ele sabe que mal conseguiu 15 das 41 assinaturas de colegas para apresentar a proposta. Mesmo o presidente da Casa, Léo Burguês, que se mostra interessado em discutir o tema, já apresentou emenda sugerindo que o fim do voto secreto seja válido para a cassação de vereadores. Essa mudança pode até acontecer, embora saibamos do corporativismo entre políticos. Mas, o que realmente pega – e não é apenas na Câmara Municipal de Belo Horizonte – é a votação dos vetos do prefeito.

Na opinião de Neusinha Santos, por exemplo, há necessidade do sigilo para proteger o parlamentar da ira do prefeito quando da derrubada de um veto do chefe do Executivo. No mundo da lógica ela está errada, pois, cada um vai responder pelos seus atos, ainda que prefeito. Mas, no mundo da política, no qual quem não cumpre as ordens do chefe não ganha verbas para obras e votos, isso é terrível. Eu o apoio Fábio, mas, lamento informar que sua “caldeira” está esquentando…

O problema é dos bancos!

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O que mais anima o repórter é receber manifestações de apreço e, sobretudo, confiança. José Maria Sobreira confia-me a responsabilidade de comentar alguns assuntos que o incomodam e o primeiro deles é a omissão dos bancos diante de uma ocorrência que tira o cidadão do sério: assaltos a caixa eletrônico. E sempre que uma nova ocorrência é registrada lá vem a rotina que inclui um sargento atônito, prometendo providências, os clientes desesperados (há os que precisam provar depósitos e pagamento de contas e os que tiveram cartões clonados, dinheiro levado, que terão de esperar). Cansado de ver tanta lerdeza nas investigações, Sobreira pensa até em chamar o Carlos Sampaio, aquele que se infiltrou na Secretaria de Segurança Pública do Rio, deu cursos para comandantes militares e até conseguiu diminuir a criminalidade na região da Tijuca, apesar de não saber nada sobre o assunto – ou melhor, não ser “especialista” para repetir a palavra da moda.

Voltando a falar sério, Sobreira, nosso ouvinte e leitor, fala o que o Brasil inteiro pensa: “Por favor! Os bancos são as instituições financeiras que mais lucram neste país e não conseguem montar uma vigilância eletrônica para evitar que os equipamentos de sua responsabilidade sejam depredados. Simples: cada banco que tenha sua central de vigilância 24 horas! Cliente não tem que vistoriar caixa eletrônico para saber se é seguro, se pode depositar ou se ele está com aparelho “clonador”. Quanto à polícia, basta montar um esquema especial para atender às solicitações, de maneira rápida, com chamado a partir das centrais (pagas pelos bancos).

Ah, e quem vai representar a polícia é um oficial graduado e treinado”. O que esse cidadão quer é que as coisas sejam da maneira mais simples: do jeito que está hoje é enlouquecedor porque o cliente, o freguês é que tem a responsabilidade de tudo… Aliás, até quando vamos permitir esse lucro escandaloso dos bancos? Como podem pagar meio por cento de juros ao mês por nosso dinheiro investido e nos cobrar 10 por cento se atrasamos o cartão de crédito? E o cheque especial? É especial para quem se o cliente tem de provar que é bom pagador para tê-lo e, quando tem, paga num mês o dobro da inflação anual? Pode um mundo civilizado permitir que apenas uma empresa lucre 14, 15 bilhões de reis por ano num país que tem milhões de famintos? Cruz credo!

A diferença entre o hoje e o amanhã

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Os grandes estudiosos do comportamento humano têm insistido que vivemos a época do imediatismo, na qual todos nós queremos a fama, ainda que instantânea, precisamos consumir para ficar felizes e não conseguimos pensar muito no amanhã. E há explicações. No plano econômico, por exemplo, a maioria de nós não consegue planejar, fazer poupança, considerando que vivemos décadas de inflação escandalosa, planos mirabolantes e muitas promessas até que, em 1994, encontramos um novo caminho de relativa estabilidade. Estávamos tão acostumados ao aumento de preços em 30, 50 por cento em um só dia que quando aparecia um dinheirinho a gente corria para o supermercado para comprar algum produto indispensável e armazenar.

Hoje, quando nos oferecem algo a 2 por cento ao mês, adoramos, ignorando que a inflação anual é da ordem de 5 por cento. E, quando vamos comprar a geladeira ou o fogão novo não pensamos no acréscimo que a opção a prazo vai implicar, mas se podemos pagar a prestação. Quase ninguém que as grandes redes – especialmente as de eletrodomésticos – ganham muito mais com os juros que na transação comercial. Assim, nos encrencando no cartão de crédito, no cheque especial, enfim, nos afundamos em dívidas. A gente não sabe sequer usar o celular falando apenas o essencial.

Mas, o que eu queria dizer mesmo é sobre a diferença com que tratamos as categorias profissionais. Os policiais militares ameaçaram com um movimento mais forte e ganharam reajustes que colocam hoje o piso de R$ 2.320,00 e garantia de novos aumentos já na lei aprovada pela Assembléia. Agora, essa semana, os rodoviários fizeram dois dias de greve e conseguiram uma nova proposta que, embora não a ideal, pelo menos é quase o dobro da inflação anual.

Eu pergunto: você se lembra da greve dos professores da rede estadual de ensino, que durou quatro meses? Lembra-te da principal reivindicação deles? E percebeu rebuliço na população? Não é esquisito que a gente não suporte uma paralisação de motoristas e trocadores por dois dias, mas, conviva tranquilamente com o fechamento das escolas por 120 dias? É claro que o transporte coletivo mexe com os nervos da cidade, impede as pessoas de irem ao trabalho, à escola, atrapalha o comércio, prejudica a indústria, enfim gera muitos prejuízos. Mas, se olharmos para o amanhã, a educação descontinuada, desmotivada não é muito pior? Por que a gente só olha para o agora? Ou melhor, para o umbigo?

Uma trincheira, o viaduto e a indecência

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O órgão federal encarregado de cuidar das rodovias federais em Minas atende pela sigla de DNIT, mas, foi, por décadas,           DNER. Tem profissionais qualificados que sofrem tanto quanto nós, usuários das rodovias, com a falta de agilidade e seriedade do órgão. O problema é que ele, servidores concursados, são como nós, eleitores… Só parte do cenário.

Quem manda mesmo é algum político, de preferência um perdedor, que seja delegado, padre, pastor ou qualquer outro profissional que pede ao partido para colocá-lo lá e, com as verbas, o uso politiqueiro do órgão, ganhar a próxima eleição.

Nós, mineiros, que temos a maior malha rodoviária do Brasil não podemos reclamar do DNIT. Afinal, há mais de meio século todos os chefões de lá e do Ministério dos Transportes ou são mineiros ou chegaram lá com as bênçãos de mineiros ilustres. O ex-presidente José Alencar, por exemplo, pôs no ministério o Anderson Adauto, de Uberaba, e o Alfredo, do Amazonas. Tristes lembranças.

Você já deve estar incomodado; afinal, que viagem é essa que o Eduardo está fazendo? Na verdade, fiz esse preâmbulo para deixar claro que toda a raiva por nós destinada ao DNIT tem endereço errado. Temos de transferi-la para aqueles que, em nosso nome, com nosso voto, contribuem para a omissão, a inoperância e a incompetência do DNIT.

Por exemplo: neste momento, em que todo o trânsito do já inacreditável Anel Rodoviário (ah, Anel…) sofre com as atrasadas reformas do viaduto São Francisco sobre a Antônio Carlos, devíamos falar mal nós três senadores. E nominá-los, por ordem alfabética: Aécio Neves, Clésio Andrade e Zezé Perrela.

Ah, devemos também nominar um por um dos nossos deputados federais, com destaque para os mais importantes ou falados: Rodrigo de Castro, Mauro Lopes, Jô Morais, Reginaldo Lopes, Paulo Piau… Todos os 53, de todos os partidos. A eles devemos debitar o fato de que aquela trincheira em frente ao Shopping Ponteio, na saída para o Rio, sofreu um pequeno desmoronamento há três meses e está lá, do mesmo jeito… Há uma tímida previsão de se resolver o assunto até agosto… Brincadeira, não?

Que representação horrorosa essa nossa em Brasília! Jornalista não pode ficar sugerindo mobilizações mais ousadas, mas, como perguntar não ofende, será que não vamos aproveitar a força da internet e fazer uma campanha do tipo “Não reeleja ninguém”?

        

Ai, Ai, assim vocês me matam!

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Uma das melhores consequências do envelhecimento é a gente cair na real. Acabar com a inocência da infância, as ilusões da adolescência e, se não for muito cabeça dura, descobrir que nada sabe. Tanto é verdade que há mais de dois mil anos o grande filósofo decretou: “Só sei que nada sei”. Eu, além de bobinho, da roça, ainda pago preço alto por acreditar demais nas pessoas.

Quando ligo o gravador ou entrevisto alguém ao vivo e ouço autoridades, dou fé pública àquela palavra e começo a comemorar. Foi assim há cerca de três anos quando fui a um engenheiro que coordenava as obras de duplicação da Antônio Carlos para saber que viaduto era aquele em construção para ligar a avenida à parte alta do complexo da Lagoinha.

Explicou-me tratar-se de um presente do Estado para Belo Horizonte, pois, através daquele elevado, os ônibus procedentes da região Norte iriam direto para a Avenida Oiapoque e vice-versa… Ainda perguntei feliz: “Mas, então, daqui a alguns meses, a Praça Vaz de Melo não terá mais coletivos? E, diante da resposta afirmativa, toquei aleluia no rádio e festejei junto aos ouvintes aquele enorme avanço…

O tempo passou, a obra demorou mais que o esperado e, quando pronta, veio a notícia inacreditável: “Quando fomos fazer o teste descobrimos que dois ônibus não poderiam cruzar sobre o novo viaduto; os retrovisores dos coletivos iriam para o chão”, disse, com certo ar de comemoração, um dirigente da Bhtrans. Aí, descobri que, embora a empresa de transporte e trânsito da cidade seja dirigida por um tucano havia, pelo menos naquele caso, má vontade para com o Governo do Estado, comandado pelos tucanos.

E veio o aviso de que a empresa iria alargar o município para que os ônibus pudessem circular em mão dupla. Passei o ano de 2011 todinho olhando para a obra de reforço e alargamento em 70 centímetros do viaduto que sai da Oiapoque… A PBH gastou nove milhões de reais! Agora, fui procurar informações sobre o dia em que o sonho seria realizado. E me disseram que, por causa das obras do BRT, nas avenidas Paraná e Santos Dumont, só daqui há um ano ou mais os coletivos poderão deixar a Lagoinha.

Ah, nem… Como me enrolam, como fazem pouco caso da minha modesta inteligência, como me consideram mais bobo que já sou… Em tempo: já pensaram na zona que vamos ter com nova obra na Paraná e na Santos Dumont? Ai, Jesus! Como diria a música do momento, assim essa turma de técnicos me mata…

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