“Queremos nossa vida de volta”

  • Compartilhe
  • | Mais


Recentemente, neste mesmo espaço, falei de minha preocupação com as obras e sua repercussão na vizinhança em Belo Horizonte, uma cidade sabidamente com espaços limitadíssimos, e a perspectiva de que a situação pode ficar ainda pior.

Citei como exemplo o caso de uma moradora da região Noroeste que saiu de casa pouco antes do desabamento de parte da residência. Ela, Renata Ribeiro, enviou-me email dizendo que chorou ao ler o texto porque a situação dela e da irmã Marcela é desesperadora. Diz que a construtora está pagando um quarto, “pequeno e empoeirado”, depois de passar por três lugares nos últimos dois meses e agora vivem a expectativa de nova mudança, pois a construtora quer alugar novo apartamento por 90 dias.

Ano novo e Renata desabafa: “Nossa situação está confusa, Marcela e eu temos dificuldades para dormir e cumprir com nossa rotina de trabalho. Temos conosco apenas algumas roupas e sapatos, que estão em bolsas e malas no chão do pequeno quarto de hotel. Nossos outros pertences estão na sua maioria guardados em um guarda-móveis no bairro João Pinheiro e o restante dividido nas três casas de parentes. O que sinto de verdade é que estou impotente diante de tudo o que aconteceu. Simplesmente o que escuto de todos os lados que tento me apoiar é que temos que aguardar. Já entrei com um processo contra a construtora, o juiz emitiu uma liminar, estou acompanhando no site do TJMG, mas até hoje não tem nenhuma novidade. Sei que isso tudo realmente é muito pequeno comparado com o risco que corremos de perder a nossa vida. O banheiro em que minha irmã e eu tomamos banho pela manhã caiu à noite. Imagina se a gente tá dentro deste banheiro, meu Deus, que sorte nós tivemos”.

E, depois de lamentar por um Natal de incertezas, de queixar-se do estômago que já não agüenta mais sanduíches, Renata agradece o fato de o repórter ter se lembrado de seu drama (o que é absolutamente incomum para pessoas da classe média) e acrescenta: “Sabe, de verdade, queremos nossa vida de volta!”.

Eu tenho uma informação que é pelo menos um consolo para Renata e outros que estão sofrendo: o vereador Márcio Almeida se interessou pelo assunto, já conversou com o coordenador de Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, e apresentou projeto para apertar o cerco contra os que constroem sem se importar com a vizinhança.

Chuva de embromação

  • Compartilhe
  • | Mais


No dicionário informal a definição para embromação diz: embuste, ardil, cilada, conto, embrulho, engano, farsa, hipocrisia, impostura, invencionice, manha, mentira, tapeação, velhacaria, balela, falsidade…

É isso. Essa é a palavra que melhor resume o que sinto em relação às chuvas e à reação da sociedade. Todo ano é a mesma coisa. Quando a inundação não acontece no mesmo lugar, se dá em alguma região ou obra que não teve a definida manutenção. E vêm os discursos, as promessas, nós, os jornalistas, procurando o maior drama, os nossos veículos de comunicação faturando alto com o ibope que o sofrimento do pobre dá e, o que é mais deprimente, na maioria das vezes, as vítimas felizes (ou, no mínimo, excitadas) porque estão sendo alvo de atenção.

Repare como há sempre um histórico de omissão ou incompetência precedendo um desastre. Alguns exemplos atuais: em Ouro Preto um monte de terra desceu e matou e a gente fica então sabendo que mapeamento geológico entregue à prefeitura havia alertado para o risco no local; um prédio caiu no Caiçara e a gente toma conhecimento que os moradores foram oficialmente alertados pelo menos três vezes; o asfalto ameaça ruir junto ao viaduto São Francisco, no Anel Rodoviário da capital, e não nos lembramos quando foi que fizeram uma manutenção ali…

Na verdade, o que sabemos é da ocupação indevida de áreas nobres por amigos de funcionários públicos influentes e as de risco pelos pobres. Então, por que insistir em que “as chuvas causam mortes em Minas”?

Elas, as chuvas, sequer vieram de surpresa – todos nós sabemos que o período de chuvas começa em 14 de outubro e termina em 14 de abril. Nós não tomamos qualquer providência concreta, continuamos trocando calçamento por asfalto, admitindo ocupação de áreas impróprias, impedindo o caminho natural das águas, encaixotando os rios com base em suas vazões no período de normalidade, enfim, nós fazemos tudo errado…

Na hora da tristeza, sofrem os mesmos brasileiros de sempre e os outros vão lá faturar: repórter quer ibope, político quer voto, às vezes o vizinho quer aproveitar e aparecer no noticiário…

Quando penso nessas coisas lembro-me do grande jornalista Alcântara Xavier que dizia sempre: “Repórter tem de ter prazo de validade; senão, um dia ele mata alguém ou morre de raiva!”.

Envergonhados

  • Compartilhe
  • | Mais


Ninguém sabe dizer como isto vai acontecer, mas, acredite caro leitor, aquele auto-aumento que os vereadores de Belo Horizonte se concederam e que é superior a 61% será revogado.

Digo isto com a inocência de quem não conhece a política – já dizia Magalhães Pinto que ela é com nuvem, muda o tempo todo – mas, com a percepção de que há um constrangimento generalizado em torno de mais esse absurdo cometido por parte de nossos representantes (só 22 votaram, outros se ausentaram, na maioria por vergonha).

O prefeito Márcio Lacerda já mandou avisar que não vai sancionar – tanto é que, contrariando a práxis legislativa, pediu o envio do projeto somente em fevereiro. Até lá, espera construir a chamada “saída honrosa” para os vereadores.

Dentro da própria Câmara, algumas pessoas cujo caráter ainda dialoga com a consciência, preparam uma resistência. Entre eles estão Ronaldo Gontijo, Daniel Nepomuceno, Bruno Miranda e Heleno. Este último diz que conviveu boa parte de sua vida de atleta profissional com vaias e aplausos, mas, agora, não suporta a pressão que é feita em cima do filho.

Quem tem o mínimo de vergonha na cara não consegue ir a uma festa de réveillon ou a um banho de mar depois de ligar o próprio nome a uma sandice destas: o reajuste é para valer em 2013, os tais 61% não encontram amparo em qualquer conta que trabalhe a inflação dos últimos anos e os infelizes aprovaram a loucura no mais inapropriado dos momentos, com um vereador de cuecas, dois outros com cartão amarelo e mais um tanto ameaçados de cartão vermelho por causa da propina…

Não satisfeitos, os nossos representantes ainda criaram cargos polpudos para assessorar sabe lá Deus quem e como! Não sou contra a Casa, nem contra o legislativo… Ao contrário, respeito até a composição, que inclui algumas esquisitices, mas, afinal, é o que nossa cidade tem a oferecer.

O problema é que a Câmara tem três grupos: a maioria que age de acordo com a carruagem, para não magoar ninguém, os bons, tímidos por natureza, e meia-dúzia do mal, que dita normas, impõe sua arrogância e todo mundo afina, por medo.

Essa minoria garante sempre a reeleição por métodos que todos conhecemos, mas, sem escrúpulos, joga no lixo a imagem da Casa. Alguém tem de encará-los. Afinal, precisamos desmentir o médico José Correa Brasil, vereador por dois mandatos que costuma adjetivar nossa Câmara Municipal de “Casa do Espanto”.

Um ano depois do câncer

  • Compartilhe
  • | Mais


A doença ainda é um tabu. Até porque, não se conhece meios de preveni-la. O bom é que hoje já não nos referimos a ela como nossos pais faziam, se recusando a falar o nome e apenas insinuando “aquela doença…”

Mas, converse com um especialista e ele garantirá que o câncer já pode ser considerado como diabetes ou pressão alta, enfermidades que, uma vez instaladas, exigirão cuidados para o resto da vida, mas, monitoradas, estarão sob controle e seus portadores morrerão “com elas”, mas não “delas”.

Há um ano eu estava no olho do furacão. Na segunda quinzena de outubro, após a segunda biópsia e dois anos de investigações, o médico confirmou o câncer de próstata. Era um momento dos mais inoportunos porque acabara de assumir novo desafio profissional – acumular, diariamente, um programa de televisão ao vivo à minha já estafante rotina de radialista.

Justamente na semana de gravação dos pilotos, na antevéspera da estreia. O urologista, Marcelo Salim, deu a palavra tranquilizadora: “Não é o fim do mundo: comece a nova jornada e vamos programar a cirurgia para dezembro”.

Como todo cidadão deve fazer nessa hora, além de manter a calma, falei sobre o assunto com um monte de amigos, até que um deles, Henrique Salvador, do Hospital Mater Dei, apresentou-me Ernani Bronzati, do serviço de radioterapia daquela casa.

Após exames e consultas, definimos que faria o tratamento combinado de seções de tele-terapia (aplicações externas, diretamente na área atingida) com a braquiterapia (coloca-se uma placa na região do períneo, instala-se um número previamente calculado de agulhas na próstata que, ligadas a uma máquina, levam doses fortes de irídio até as células doentes). Não faltei ao serviço um só dia sequer.

Não fiquei desesperado um só minuto. Não tive medo da morte nem no sonho. E fiz questão de tornar público o meu caso a fim de contribuir para que outros homens façam a prevenção, pois, afinal, não custa repetir que, quanto mais cedo é descoberta a doença, maiores são as chances de cura.

É proibido para qualquer homem com mais de 40 anos ficar sem fazer exames de sangue e enfrentar o toque retal. Ainda estou naquele período de acompanhamento, mas, com a competência dos médicos, a inteligência humana transformada em máquinas moderníssimas e a graça de Deus, os resultados de PSA são animadores.

Viva o otimismo, viva a fé, viva o renascer, viva o Ano Novo!

Fé em Deus e pé na tábua

  • Compartilhe
  • | Mais


Não é a toa que a sabedoria popular, expressa nas frases de pára-choque de caminhão, é tão respeitada. A frase acima é a única capaz de definir a irresponsabilidade generalizada que toma conta do trânsito em nosso país, especialmente nas rodovias. O que aconteceu esta semana, na BR-381 – já conhecida como rodovia da morte – superou toda a nossa capacidade de aceitar a indiferença do poder público.

Mário Dutra dirigia pelo Anel Rodoviário da capital quando percebeu que o motorista de uma Saveiro fazia manobras desajeitadas à sua frente. Um pouco adiante, nas imediações da ponte sobre o Rio das Velhas, de novo a pick-up saiu de sua pista e obrigou um ônibus que vinha em sentido contrário a manobra das mais perigosas. Mário imediatamente ligou para o posto da Polícia Rodoviária Federal e pediu que parassem aquele veículo.

Vinte minutos depois, na sua tentativa de chegar a Caeté, Mário viu a Saveiro em cima do que sobrou de um Siena e quatro pessoas gravemente feridas. A explicação da assessora da Polícia Rodoviária: “De fato, o único veiculo nosso foi atender a um acidente no trecho e ficou apenas um policial no posto o que, legalmente, o impede de ir até a pista para abordar qualquer veículo”.

É isso, gente boa… Além de não ter pessoal e equipamentos suficientes para fiscalizar nossas estradas (e olha que Minas tem a maior malha rodoviária federal), a PRF agora também não impede que ameacem a segurança dos outros. Nem mediante denúncias. Para piorar, o carro do SAMU que foi socorrer as vítimas estava sem oxigênio. Que situação!

E a gente comemorando a conquista do sexto lugar na economia mundial! Se você quer entender porque nossas pistas são uma carnificina, vá ao nosso Anel Rodoviário e fique observando dez minutos: há um monte de irresponsáveis, às vezes com veículos pesados, dirigindo e falando ao celular, trafegando pela esquerda, a 100, 120 quilômetros a hora, ultrapassando em locais proibidos, ignorando as placas de sinalização… É um “Deus nos acuda”, como diz outra expressão popular.

Melhor, é o maior teatro do mundo: 53 deputados e três senadores fingem que nos representam em Brasília; vários ministros fingem que estão preocupados conosco; o governo do Estado finge que vai agir; os prefeitos fingem que estão sofrendo; os patrulheiros rodoviários fingem que fiscalizam e a gente vai para morte, como boi no matadouro, sem saber quando a lâmina vai cortar nosso pescoço…

Assassinos fardados?

  • Compartilhe
  • | Mais


Os mais de 40 mil homens e mulheres da Polícia Militar de Minas têm motivos para encerrar 2011 com o sentimento da realização. Ainda que isso irrite a alguns, a Corporação continua sendo a que tem maior apreço por parte da população, maior capilaridade num Estado de 853 municípios e, se a violência é um desassossego entre nós, a culpa não é da milícia de Tiradentes, que está nas ruas, prende, adverte, faz ocorrência, faz parto na ambulância, mata cão bravo, separa briga de marido e mulher e se mete em um sem número de outras coisas que não deveriam ser sua prioridade.

No campo institucional, a PM melhorou o nível futuro de sua tropa, passando a exigir diploma de curso superior para soldados e graduação em Direito para os que querem se tornar oficiais (e note-se que em recente vestibular a Academia recebeu mais de 50 interessados por vaga).

No campo prático, a Polícia Militar conseguiu um avanço salarial considerável e seguro, pois o salário de um soldado já passa de R$ 2.300,00 com garantia legal de chegar, em quatro anos, a R$ 4.500,00. Então, que venham os fogos de artifício e vamos comemorar? Não. Infelizmente, como é grande demais e recruta seus integrantes no mundo real, a PM sofre com algumas cabeças doentias… E nos últimos meses vários de seus membros participaram de crimes estarrecedores.

Ainda sob o impacto daquela dupla que atuou na “gangue da degola”, ano passado, vimos 2011 marcado por uma lambança de PMs no aglomerado da Serra. Mataram, fria e cruelmente, duas pessoas e depois ficaram melindrados, achando que a imprensa pegou pesado…

Mais recentemente, alguns assassinatos inacreditáveis: dois soldados mataram a sangue frio uma mulher na Avenida Nossa Senhora do Carmo e a outra escapou fingindo-se morta; uma guarnição inteira do 16º Batalhão espancou e executou um homem no Humaitá e agora, para fechar o ano, uma ocorrência de arrepiar no Bairro Lindéia… Pelo que se tem notícia a briga de um soldado com um cidadão foi o motivo para ele chamar os amigos, invadir a casa do desafeto e executá-lo sem sequer pensar no bebê de oito meses que estava ao lado.

Só não choramos pela PM porque a Corporação tem se mostrado rigorosa com os que se comportam como bandidos… Para os assassinos, no lugar da farda, a cadeia!

 

Pedro Carrapeta, uma lembrança

  • Compartilhe
  • | Mais


Nos anos 70 do século passado, um programa de rádio parava Belo Horizonte na metade do dia. Era o “Rádio Polícia”, versão mineira de outras experiências Brasil afora que consistia na dramatização dos casos e das ocorrências que chegavam às delegacias.

O grupo de apresentadores era dos mais competentes e envolvia, entre outros, José Lino Souza Barros, José Penido, Wellington de Castro, Valter Luís e Amir Francisco, mas, o redator, aquele que efetivamente cuidava de preparar o roteiro e garantir o clima era Pedro Luís, cujo apelido – “Carrapeta” – acabou se tornando sobrenome, na boca do povo. Pedro era, sem dúvida, um dos mais desvairados numa época em que o rádio era feito por românticos.

Alguns não mudavam de roupa para anunciar que a terra estava pegando fogo em determinada região do Estado ou, quando havia chuvas torrenciais e não se dispunha de recursos para contratar um helicóptero, colocavam uma enceradeira ligada dentro de uma bacia d água e diziam estar sobrevoando a cidade inundada.

Meu primeiro contato com Pedro Luís Carrapeta foi numa manhã chuvosa, no Bairro Primeiro de Maio, quando eu usava um telefone de mercearia para contar aos ouvintes sobre acidente de um avião que caiu logo após levantar vôo da Pampulha. Ele entrou esbaforido, arrancou o aparelho de minhas mãos e disse: “Dá licença, Sou o Pedro Carrapeta da Rádio Itatiaia e preciso desse telefone”. Tomei-lhe de volta e disse, já gritando: “Sou o Eduardo, da Rádio Guarani e você vai esperar um pouco”. Como todo cidadão aparentemente indomável, Pedro tinha bom coração e gostou de mim imediatamente.

Os anos passaram, Carrapeta perdeu o emprego na Itatiaia, fez algumas incursões pela televisão, criou personagens assombrosos como a “Loura do Bonfim”, mas, como tudo e todos passam, passou. E sua vida foi piorando, se afastando da família, bebendo cada vez mais, até parar nos surrados sofás de ferro-velho da Lagoinha.

De vez em quando aparecia, para pegar 10 reais que imediatamente eram transformados em cachaça. De repente, há uns dois ou três anos, sumiu. Já tentei confirmar a sua morte, que teria ocorrido debaixo de um viaduto na Cidade Industrial. Não consegui. E, quando vai chegando essa época de Natal, quando a gente olha no retrovisor para o balanço anual, quando sente falta dos queridos, o Pedro Carrapeta é uma lembrança obrigatória. Por que tinha de ser assim?

Sacola cheia de maldades

  • Compartilhe
  • | Mais


Quando o vereador Arnaldo Godoy apresentou projeto de lei para proibir as sacolas plásticas tradicionais em Belo Horizonte todos nós comemoramos. Afinal, o mundo inteiro sabe que os recursos ambientais estão exauridos, qualquer criança tem consciência do quanto o plástico demora a decompor na natureza e a situação tende a ficar insustentável se não começarmos a agir diferente.

O prefeito sancionou a lei e começou a correr o tempo para a adaptação. De repente, a lei valendo, com campanha da Associação Mineira de Supermercados e muita confusão: ninguém entre nós consegue dizer qual sacola é a correta; nenhum de nós tem capacidade de distinguir a ecologicamente correta de outra, de mentirinha.

Mas, o pior mesmo é o comportamento dos estabelecimentos em Belo Horizonte. Eles simplesmente transferiram o problema para o consumidor, ignorando todos os transtornos advindos da mudança. No caso das drogarias, a maior rede pelo menos oferece uma pequena embalagem de papel. Em qualquer padaria que a gente vai, junto com o troco a caixa logo pergunta: “Vai querer a sacola?” Na verdade, deveria ser treinada para dizer: “Vai pagar a sacola, ô otário?” É assim que se sente o infeliz comprador, obrigado a aceitar as novas regras do jogo sem sequer discuti-las.

E o Carrefour. Que sacanagem esta multinacional francesa está fazendo! Fica apenas uma moça no caixa (fraca, mal treinada, coitada) com aquela fila de todo tamanho… A própria compradora tem de passar as mercadorias para a esteira, pegar do outro lado e colocar no carrinho… Antes, quem for mais forte arranja caixas de papelão na marra lá dentro do supermercado…

Quem não consegue que se vire para levar carne, queijo, pizza, arroz, tudo misturado até o carro… Quem vai de ônibus? Deus me livre só de pensar! Ah, mas voltando à moça, ela parece exausta (disseram-me que aquelas funcionárias, depois do expediente na registradora, têm de trabalhar na faxina da loja também) e, quando é surpreendida pela falta do código de barras no produto, simplesmente avisa: “Cê poderia ir lá e pegar outro?”

Minha filhinha saiu correndo da primeira vez, machucou a barriga num daqueles corredores… Da segunda vez  eu disse a ela que nem se fosse a última coisa que iria comer no mundo iria lá buscar outro pacote congelado de costelinha… Que absurdo! Que falta de respeito! Essa gente quer é faturar, mais e mais… E conta com o fato de que nós, brasileiros, não desistimos nunca e não reagimos jamais…

Fracassados e descompromissados

  • Compartilhe
  • | Mais


Esperei quinze dias para escrever. Deixei passar as eleições. Mas, como me incomoda o fato de aquele bando do Atlético seguir a vida como se não tivesse provocado uma tragédia nos corações de milhões e milhões de pessoas! Cuca, Réver, Leonardo Silva e companhia comportam-se como se fosse só mais um jogo. Só isso. Não entenderam que levaram os atleticanos do céu ao inferno em 90 minutos, numa mistura de incompetência e falta de compromisso.

A maioria deles não sabe que o Atlético é mais que um clube, uma instituição. E ignoram que, após 40 anos sem ganhar nada importante, o torcedor do Atlético sonhou mandar seu arquiinimigo para a segunda divisão. É que ele nutre um sentimento de inferioridade de décadas e décadas e aquele domingo era a grande chance da virada. Para que rir um pouco, só um pouco de quem o goza desde 1971.

Para os cruzeirenses, o 4 de dezembro era a decisão da Copa do Mundo (é só lembrar o olhar do Fabrício); para os jogadores do Galo uma brincadeira de criança – ou não foi essa a impressão que Réver, zagueiro de seleção, passou ao perder uma bola infantil para Wellington Paulista e, depois, permitir o drible e o cruzamento que resultou no gol desestabilizador? Caro leitor, naquele lance, fosse o maior de seus amigos, você o jogaria ou não para fora do campo antes de cruzar? Mesmo sendo só uma pelada?

Amigos, essa não é uma crônica esportiva; ela pretende chamar a atenção para o estrago que esses infelizes causaram em corações cheios de paixão. Contrariaram a Declaração dos Direitos da Criança, que em seu princípio 10 avisa que ela “deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar discriminação de qualquer índole”. Os meninos cujos pais insistem em torná-los atleticanos são o alvo das gozações… Estão sofridos.

Aqueles irresponsáveis contrariaram o Estatuto do Idoso, que prevê reclusão de seis meses a um ano e multa para quem “desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo”. E existem velhinhos aos borbotões cujos corações estão doídos até hoje.

A bronca da massa não é pela derrota; ela faz parte do futebol, mas, pelo placar, pela falta de empenho, pela naturalidade com que receberam a surra. O que mais adoece é o fato de que o técnico perdedor continua e a maioria dos descompromissados também… Todos eles cada vez mais ricos e nós outros cada vez menos atleticanos… A gente não vai deixar de ser alvinegro nunca, mas é preciso dosar o amor, para não morrer de raiva!

Que vergonha!

  • Compartilhe
  • | Mais


Você saberia dizer qual mineiro brilhou no Congresso Nacional nos últimos 15 anos? Você saberia dizer o nome de algum representante de nosso Estado que pontificou no governo federal (por favor, não me indiquem o vice José Alencar porque ele só falava contra os juros e era ignorado)? Mas, se eu pedir nomes da bancada mineira com 53 deputados e 3 senadores que fizeram besteira, vamos encontrar muita gente… Tem uma turma grande do “mensalão” mineiro (uma criação tucana), outra do “mensalão” federal do governo Lula, tem o deputado do castelo que virou motivo de chacota nacional e mais, muito mais. Agora, para nos deixar envergonhados por completo, vem esse escândalo envolvendo as duas autoridades que têm cargos importantes no cenário nacional.

Fernando Pimentel é o único mineiro no ministério da “mineira” Dilma e pegou uma grana alta com Robson Andrade (hoje presidente da poderosa Confederação Nacional da Indústria), nos tempos em que esse presidia a Federação das Indústrias de Minas. As explicações de ambos são dignas de arrepios… Além da Fiemg, também algumas construtoras ajudaram Pimentel a sobreviver entre a prefeitura e o ministério.

Uma delas, a HAP, a mesma acusada de superfaturar obra da prefeitura de Belo Horizonte em R$ 9,1 milhões e de desviar recursos para a campanha de Pimentel em 2004, quando o petista disputou a reeleição para a prefeitura da capital mineira. Na época, Pimentel contratou sem licitação a Ação Social Arquidiocesana (ASA), da Arquidiocese de Belo Horizonte, para construir 1,5 mil casas. A entidade subcontratou a HAP, e o custo da obra passou de R$ 12,7 milhões para R$ 26,7 milhões. Segundo o Ministério Público, metade das casas não foi entregue. O processo corre na 4ª Vara da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte.

Ontem, depois de deixar a cadeia mais uma vez, Marcos Valério, o homem do “mensalão” desabafou: “Eu confio na Justiça; o que é imputado a mim não procede; e vou dizer mais, chega de jogo político”. É isso, Marcos… Fale mais, nos diga tudo o que sabes, pois, de repente, a gente pode até te admirar… Na falta de heróis, quem sabe se você não resgata a verdade, desmoraliza três ou quatro dúzias de autoridades e a gente respira um ar menos poluído?

Na Assembléia, tem deputado votando sem estar no plenário e dono de cartório ganhando direito de transferir a mordomia, na Câmara da capital estão votando um aumento para os vereadores de 65 por cento… Que vergonha!

« Newer PostsOlder Posts »