Pedro Carrapeta, uma lembrança
26 de Dezembro de 2011 por Eduardo Costa | Categorias: Post | 8 Comentários »
Nos anos 70 do século passado, um programa de rádio parava Belo Horizonte na metade do dia. Era o “Rádio Polícia”, versão mineira de outras experiências Brasil afora que consistia na dramatização dos casos e das ocorrências que chegavam às delegacias.
O grupo de apresentadores era dos mais competentes e envolvia, entre outros, José Lino Souza Barros, José Penido, Wellington de Castro, Valter Luís e Amir Francisco, mas, o redator, aquele que efetivamente cuidava de preparar o roteiro e garantir o clima era Pedro Luís, cujo apelido – “Carrapeta” – acabou se tornando sobrenome, na boca do povo. Pedro era, sem dúvida, um dos mais desvairados numa época em que o rádio era feito por românticos.
Alguns não mudavam de roupa para anunciar que a terra estava pegando fogo em determinada região do Estado ou, quando havia chuvas torrenciais e não se dispunha de recursos para contratar um helicóptero, colocavam uma enceradeira ligada dentro de uma bacia d água e diziam estar sobrevoando a cidade inundada.
Meu primeiro contato com Pedro Luís Carrapeta foi numa manhã chuvosa, no Bairro Primeiro de Maio, quando eu usava um telefone de mercearia para contar aos ouvintes sobre acidente de um avião que caiu logo após levantar vôo da Pampulha. Ele entrou esbaforido, arrancou o aparelho de minhas mãos e disse: “Dá licença, Sou o Pedro Carrapeta da Rádio Itatiaia e preciso desse telefone”. Tomei-lhe de volta e disse, já gritando: “Sou o Eduardo, da Rádio Guarani e você vai esperar um pouco”. Como todo cidadão aparentemente indomável, Pedro tinha bom coração e gostou de mim imediatamente.
Os anos passaram, Carrapeta perdeu o emprego na Itatiaia, fez algumas incursões pela televisão, criou personagens assombrosos como a “Loura do Bonfim”, mas, como tudo e todos passam, passou. E sua vida foi piorando, se afastando da família, bebendo cada vez mais, até parar nos surrados sofás de ferro-velho da Lagoinha.
De vez em quando aparecia, para pegar 10 reais que imediatamente eram transformados em cachaça. De repente, há uns dois ou três anos, sumiu. Já tentei confirmar a sua morte, que teria ocorrido debaixo de um viaduto na Cidade Industrial. Não consegui. E, quando vai chegando essa época de Natal, quando a gente olha no retrovisor para o balanço anual, quando sente falta dos queridos, o Pedro Carrapeta é uma lembrança obrigatória. Por que tinha de ser assim?

Eduardo Costa, li teu depoimento publicado no link da Rádio Itatiaia, com relação ao saudoso Pedro Luiz Carrapeta, confesso que fiquei um tanto quanto emocionado.
Sou Inspetor da Polícia Civíl aposentado e nos anos 69/70, convivi com esse repórter bem como: Glória Lopes, Avelino Sobrinho, Cristóvão de Oliveira (O gigante do ar) como ele dizia e outros que fizeram histórias nas rádios de minas.
Parabenizo-o pela lembrança e lamento o fim doloroso desse competente repórter que deixou saudades.
Obrigado.
Caro Eduardo Costa
Como morador do bairro da Lagoinha desde que nasci, tenho 43 anos, acompanhei a trajetória citada do Carrapeta, do Povo na Tv com Dirceu Pereira até a agonia nos bares da Lagoinha acompanhei com tristeza. Mas…. coisas da vida.
Aproveitando o ensejo gostaria de ter notícias da Glória Lopes, repórter policial que me lembro na infância
Caro amigo Eduardo Costa, passei alguns anos trabalhando com todos voces na redação de Jornalismo da Itatiaia, aprendi muito com todos ai. Seu texto é emocionante, leitura pura trazendo em nossa memória um momento do rádio e da TV que tinha magia, hoje não mais. Parabens pelo texto e pela lembrança.
Um grande abraço e desejo a voces e todos desta familia que um dia eu fiz parte, muito sucesso.
Ubirajara Marinho.
Caro Eduardo. Torna-se cada vez mais imprescindível ouvir seus comentários no Jornal da Itatiaia, embora seja cedo demais para o meu sono que se estende até mais adiante. Mas hoje ouv você e a Mônica Miranda, a quem também respeito como repórter e como comentarista. Gostaria que você passasse para ela uma observação em relação ao comentário dela sobre esta lorota de “a Dilma ter passado a rainha da Inglaterra”. Você foi muito feliz traçando o necessário paralelo entre crescimento e desenvolvimento. Não sei se a Mônica é “petelha”- às vezes acho que não – mas ela dizer que esses números da economia mineira devem-se ao Molusco Lula, puxa vida!!! Meu ouvido não merecia ouvir essa não. Calma lá. Desse jeito vai-se consolidando o esquema de apagar de vez a obra de Fernando Henrique. Tudo que se diz de bom da economia, queiram ou não, decorre do Plano Real do Governo Itamar, com administração de FHC, e depois FHC e a privatização e a regulação por ele mplantadas. Não gostaria de dizer isto da Mônica, mas será que ela está no time que endossa essa farsa da “Privataria Tucana” do tal de Amauri Ribeiro?
Conversa com a moça aí, caro Eduardo Costa. E olha que estou calmo!!!
Com o abraço e o respeito de sempre do
Mário Ribeiro
Caro Eduardo Costa
Tá tudo errado. Tirar as placas sinalização de radares é só mais uma máfia de ganha dinheiro.
Essa empresa que se chama BH trans tem que acabar, eles não fazem nada.
Só atrapalham o trânsito.
um abraço
Caro Eduardo Costa
Esta lembrança do Carrapeta é extremamente oportuna e merecida,pois ele e a turma que compunham o rádio polícia nos brindaram com narrativas ilariantes a cerca de acontecimentos no mundo do crime naquela romântica época.Lembro-me que na minha infância passamos por muitas dificuldades e esse programa foi um dos ingredientes que nos possibilitou mantermos o que tinhamos e temos de mais precioso a simplicidade e a alegria de viver.
Mas como as dificuldades são passageiras os bons momentos também e o Pai jamais nos deixa órfão neste mundo em que a dor e a alegria são dois extremos necessários.Fico muito feliz de poder diariamente ouvir meu caro Eduardo Costa os seus comentários recheados de simplicidade,competência, idealismo e bom humor.Continue firme meu irmão o seu trabalho nos dá a certeza de que não estamos deserdados e que Deus olha por nós através de tantas almas generosas como vocé.
Não sou advogado, sou bacharel em direito, mas com relação ao comentário do companheiro ouvinte Mário Ribeiro, tomo a defesa da brilhante Mônica Miranda pois assim como não podemos desconsiderar o trabalho inicial feito pela dupla Itamar e FHC não podemos também ouvidar a grandeza e a importância de Lula, pois ainda que ele não tivesse feito nada e sabemos que ele.Teve uma postura que foi um divisor de águas na mudança de rumo do nosso pais;”permitiu que devassasse a corrupção em seus aliados e quebrou um paradigma que prevalecia anteriormente de que era impossível conciliar crescimento da econômia e ajuda aos pobres e miseráveis deste país.Por esses e outros motivos meu caro Eduardo penso que não é necessário que você tenha uma conversa com a brilante Mônica Miranda.
Eduardo, sou seu fã a quase 12 anos e nunca ouvi vc entrar em contradição em seus comentários. Porém envio esse mesmo não para falar de CARRAPETA mas de um assunto tão sério quanto o futuro da humanidade. Não adianta o BRASIL ser o sexto país em economia do mundo, sendo que o mundo de várias pessoas ou as vidas de diversas famílias estão sendo destruídas em nossas caras todos os dias e o governo fingindo que não vê. Eduardo, o que eu quero mesmo é, através desse e-mail, chamar a atenção para o armamento descontrolado, fácil, impune que rola nesses assaltos, assassinatos, estupros, brigas de trânsito etc…
Quando o governo fez aquele peblicito sobre o desarmamento eu achei a maior covardia que poderia acontecer, porque o governo sabe que o povo é burro e não sabe votar, por que o deputados não coloquem seus aumentos salariais em peblicito. Na minha humilde opinião, e peço pra que vc Eduardo opine sobre isso, é que o governo proibisse fábricas de armas e realmente punisse o tráfico e o uso deste objeto, inclusive menores apreendidos.
Eduardo o país tem jeito, basta o governo querer, os jornalistas de qualidade como vc cobrarem. MURINGA DE VESPASIANO FUI…..
Eduardo boa noite, pegando carona no texto sobre o antígo reporter policial venho fazer uma crítica a estes programas em sua forma dramaturgica, não é de agora mas também de agora que vejo(ouço)um excesso e falta de sensibilidade para com um tema de extrema seriedade e tristeza. teatro na abertura com tiros e gritos ridículos que se fosse outro assunto até que seria cómico, trocadilhos usando a coitada da baléia e o machado de Assis que só orando para suportar mas fazer o que sou viciado na Itatiaia e também apesar da crítica admiro e reconheço a competência do responsável pelo horário atual,
no mais é só lembrar que não é uma questão pessoal e sim uma opnião pessoal. Feliz ano novo a todos com muito Amor E paz !