A situação na divisa do México com os Estados Unidos é um negócio de louco. A gente já sabia que os imigrantes ilegais enfrentavam deserto, lagoas, cobras, sede, fome, polícia, cachorro, todas as intempéries possíveis para viver o sonho americano. Também já sabíamos que os tais “coiotes” – marginais especializados em explorar quem precisa chegar aos Estados Unidos ilegalmente – são capazes de qualquer coisa em troca de dinheiro. Mas, agora, esse grupo de traficantes, achacando, escravizando e executando pobres latino-americanos é demais para nossa cabeça.

O absurdo é tão acachapante que os tais traficantes já mataram o promotor que apurava o caso e o prefeito da cidade onde praticam suas ações criminosas. Mas, agora, não satisfeitos em fuzilar algumas dezenas de pobres homens que sonhavam com dias melhores, eles ainda ligam para as famílias pedindo dinheiro e ordenando que fiquem de boca fechada, sob pena de também serem mortos.

Na verdade, o que está acontecendo é mais ou menos um retrato da realidade mundial quando se pensa na impunidade relacionada com a violência. Lá, na terra proibida, como nas ruas de Belo Horizonte e outras grandes cidades, a sensação de que não haverá punição leva os marginais a exageros impensáveis até anos atrás.

Vejamos o caso específico dos brasileiros: estamos cansados de saber que os nossos irmãos comem o pão que o diabo amassou nessas suas investidas e nunca têm o apoio da representação diplomática. Às vezes, morrem lá e a família precisa pedir socorro às emissoras de rádio e TV para trazer o corpo. Se o nosso Ministério das Relações Exteriores monitorasse a situação e exigisse providências contra maus tratos, não teríamos tanto sangue na fronteira.