É claro que nenhuma violência contra a mulher – ou outro gênero humano – deve ser tolerada. Sobretudo quando cometida entre quatro paredes, quando vale mais a força física, ou imposta por uma arma apontada para a cabeça de quem se quer subjugar. Mas, convenhamos, nesse mar de brutalidade em que se transforma nosso país há de se diferenciar a mulher que faz a coisa certa e é humilhada, abusada e ferida de morte de um outro tipo que contribui para se encrencar, na medida em que abre a guarda.

Dia desses, uma moça de 16 anos procurou a polícia para denunciar colegas de escola que estão colocando na internet e em telefones celulares imagens nas quais era aparece participando de uma orgia durante uma festa de 15 anos. Claro que a polícia deve indiciar e a justiça punir os responsáveis por essa invasão de privacidade. Óbvio que não apenas a moça, mas toda a sua família tem todos os motivos para estar indignada. Por isso, é compreensível a revolta da mãe, que foi para a delegacia clamando por justiça. Mas, como foi a formação de uma moça que troca a alegria da festinha por uma orgia no quarto mais próximo? Tem, também, o caso de uma mulher que chamou a polícia para denunciar um pedreiro que a levou para casa, quis fazer sexo sem o uso da camisinha e, diante da recusa, a submeteu a abusos, além de agredi-la. Detalhe: ela diz que foi a terceira vez que o visitou, sendo que ele foi “muito agressivo” na primeira, gentil na segunda (ocasião em que ela levou o próprio filho para a casa do amante) e estava muito calmo na terceira, até que ela exigiu preservativo. Ô gente boa, estão abusando de meus ouvidos e minha pequena inteligência.