Privacidade

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O companheiro Luciano Moreira, da Rede Minas, pergunta minha opinião sobre o anúncio, por parte de torcedores atleticanos, de que vão acompanhar o comportamento “fora de campo” dos jogadores e, encontrando excessos, participação em baladas, etc., vão denunciar na internet. Paralelamente, o país discute os casos de pessoas que tiveram seu sigilo fiscal violado no banco de dados da Receita Federal.

Primeiro, o futebol. Eu não gosto de quem fica bisbilhotando a vida alheia e nem acho certo um torcedor ir a treino do clube para hostilizar o profissional que está trabalhando. Mas, no estádio, depois de pagar ingresso e emprestar seu apoio, ele é soberano para vaiar, xingar e questionar aquele que não se comportar como o esperado. Fora de campo, se o torcedor vê algo não condizente com a vida de atleta (estar na boate, as duas da madrugada, por exemplo) é sim seu direito denunciar. Pelo menos na minha modesta opinião. Afinal, um time de futebol não é uma empresa, é algo público, no caso brasileiro até uma instituição… Alguns – caso do Atlético – uma verdadeira paixão. E quem ganha muito, é paparicado, deve, no mínimo, retribuir com empenho.

Já no caso da Receita Federal a história é outra. Lá, a palavra mais apropriada é inaceitável. Pode também ser crime. Absurdo. Repugnante. Até agora já são seis pessoas, todas ligadas ao mais forte candidato das oposições nas eleições presidenciais, inclusive a filha de José Serra. Pior que a quebra da privacidade são as reações de quem devia explicar. Uma funcionária denuncia que usaram a senha dela, outra diz que lhe entregaram documento falso pedindo os dados e os chefes juram que tudo será bem apurado… Então, tá!

Cadeirinha nelas!

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Sabe por que essa exigência das autoridades de se colocar as crianças em cadeirinhas vai pegar? Não é porque a multa é de 190 reais ou os infratores vão perder 7 pontos na carteira. E nem é fruto da competência de quem decidiu exigir. Simplesmente, vai acontecer de novo o óbvio: quando uma exigência legal combina com o bom senso, passa para as pessoas a sensação de que é uma exigência coerente, elas logo aderem. Foi assim com o cinto de segurança, mais recentemente com a lei que proíbe fumo em locais fechados e será sempre assim.

É bom lembrar que os mesmos senhores que tomaram essa atitude, em dois órgãos de trânsito de Brasília (DENATRAN E CONTRAN) são aqueles que no passado nos ofereceram pérolas: obrigaram-nos a comprar um selo para por nos pára-brisas, nos empurraram goela abaixo aquele tal kit de primeiros socorros, tentaram emplacar uma vistoria suspeita nos carros e, mais recentemente, queriam que Minas Gerais jogasse seus selos de placas no lixo para comprar outros, infinitamente mais caros. Ou seja, eles adoram uma atitude esdrúxula e boa só para quem vai vender o que querem nos impor.

Agora, cobrar dos pais que usem berço com cinto, cadeirinha, cadeirinha com elevação e cinto nas crianças, de acordo com a idade e o peso, está absolutamente correto. É só dar uma olhada nos testes para ver o estrago que uma colisão faz na criança se não estiver protegida. E as estatísticas provam que a maioria dos acidentes acontece perto da casa das pessoas, quando vão a uma farmácia, padaria, enfim, porque vão “só ali” não protegem os filhos. Então, vamos proteger nossos pimpolhos e evitar problemas com a lei. Cadeirinha já!

É muita loucura!

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A situação na divisa do México com os Estados Unidos é um negócio de louco. A gente já sabia que os imigrantes ilegais enfrentavam deserto, lagoas, cobras, sede, fome, polícia, cachorro, todas as intempéries possíveis para viver o sonho americano. Também já sabíamos que os tais “coiotes” – marginais especializados em explorar quem precisa chegar aos Estados Unidos ilegalmente – são capazes de qualquer coisa em troca de dinheiro. Mas, agora, esse grupo de traficantes, achacando, escravizando e executando pobres latino-americanos é demais para nossa cabeça.

O absurdo é tão acachapante que os tais traficantes já mataram o promotor que apurava o caso e o prefeito da cidade onde praticam suas ações criminosas. Mas, agora, não satisfeitos em fuzilar algumas dezenas de pobres homens que sonhavam com dias melhores, eles ainda ligam para as famílias pedindo dinheiro e ordenando que fiquem de boca fechada, sob pena de também serem mortos.

Na verdade, o que está acontecendo é mais ou menos um retrato da realidade mundial quando se pensa na impunidade relacionada com a violência. Lá, na terra proibida, como nas ruas de Belo Horizonte e outras grandes cidades, a sensação de que não haverá punição leva os marginais a exageros impensáveis até anos atrás.

Vejamos o caso específico dos brasileiros: estamos cansados de saber que os nossos irmãos comem o pão que o diabo amassou nessas suas investidas e nunca têm o apoio da representação diplomática. Às vezes, morrem lá e a família precisa pedir socorro às emissoras de rádio e TV para trazer o corpo. Se o nosso Ministério das Relações Exteriores monitorasse a situação e exigisse providências contra maus tratos, não teríamos tanto sangue na fronteira.

Por que não fazem o óbvio no Anel?

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Peço permissão aos leitores, especialmente os do interior, para voltar ao assunto mais repetido, chato e insolúvel da região metropolitana de Belo Horizonte. Falo do anel rodoviário da capital, um palco de horror, mistura permanente de sangue e medo, que não encontra solução por falta absoluta de verdadeiro empenho das autoridades.

A pergunta que faço hoje é a mesma repetida prá mim por onde quer que eu vá: enquanto a obra não sai, enquanto a solução não chega, por que não estabelecer o imediato comboio dos veículos pesados? Isso mesmo. Por que não colocar caminhão atrás de caminhão, desde Olhos d água até a região dos Gorduras, na saída para Vitória? Por que não determinar que, até o fim de obras definitivas, caminhão só vai circular na pista da direita nos 26 quilômetros do Anel? Alguém pode me dizer que isso é inviável porque o grande número de caminhões pode provocar enorme congestionamento. Mas, não é melhor que as mortes continuarem acontecendo? Alguns que dirigem esses caminhões podem ficar decepcionados, mas, enfim, eles não concordam que é o excesso de velocidade de alguns poucos, trafegando na pista da esquerda, a 100, até 120 quilômetros por hora, que provoca as mais graves colisões, como aquelas em que os veículos pesados empurram os automóveis e os empilham, transformando-os em ferro retorcido, enquanto os bombeiros vão resgatando corpos?

Sei que a maior parte da imprudência vem dos automóveis, quase sempre conduzidos por não profissionais, mas, se o estrago maior vem dos caminhões, não é hora de colocá-los em fila indiana, até que a gente seja capaz de tomar outra atitude? Meu Deus, como é difícil fazer o óbvio e poupar vidas!

Semana de vitórias contra a sujeira

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Os fatos mais recentes me dão inteira razão quando digo que é besteira essa história de criar delegacia especializada para apurar a pichação em Belo Horizonte ou qualquer outra grande cidade de Minas. Sou a favor é da mobilização, do trabalho integrado, com forças de investigação sim, mas, principalmente, com o pessoal ostensivo, no nosso caso Polícia Militar e Guarda Municipal.

Há algo também importantíssimo: vontade política. Graças a essa firme decisão do prefeito da capital de enfrentar os sujos, sua Secretaria de Segurança Urbana tem atuado integrada com as autoridades policiais e já conseguiu sensibilizar um juiz que decretou a prisão de vários contumazes pichadores. Alguns foram presos durante a semana e vieram com as desculpas mais esfarrapadas. Um chegou mesmo a reclamar: “Apenas fiz uma marca lá na parede, sou chefe de família, não sou bandido…” Como ele quer que a gente o premie por sair por aí, sujando o que vê pela frente? Será que espera homenagens na Câmara Municipal, seja citado como referência de comportamento? Ora, tenha paciência. É cadeia neles! Nos últimos 12 meses, só a PM já deteve 176 pichadores. Quem agüenta? Só na noite de anteontem, enquanto militares detinham dois adolescentes que borravam paredes dos prédios do Conjunto IAPI, cabos eleitorais sujavam um muro da Manesman, na Rua Olinto Mreirelles, no Barreiro – segundo o leitor Júlio César sem autorização. Estou convencido de que para evitar assaltos, homicídios, todo tipo de violência, temos de adotar a tática famosa de Nova Iorque: tolerância zero. Contra qualquer tipo de ilegalidade, branda ou brava. Sem tréguas. Ta difícil demais ser feliz!

Ainda sob descrença e furto de carros

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Como era de se esperar, repercutiu muito a coluna de terça-feira, quando disse considerar que a mentira contada por um despachante, de que haveria uma criança dentro de seu carro roubado, era tentativa de obrigar a polícia a ir atrás e prova definitiva da descrença que o cidadão tem em relação à apuração de alguns crimes. Números do delegado Ramon Sandóli provam que há um esforço para conter os abusos, mas, confirmam a triste realidade: todo dia seis carros são levados para sempre, só na capital.

O delegado Sandóli responde pela Coordenação de Operações Policiais do DETRAN de Minas e reuniu dados que revelam esforços: o número médio de ocorrência de furtos e roubos, diariamente, em Belo Horizonte, caiu, nos últimos três anos, em um terço. Ainda assim, são assustadores: no primeiro semestre desse ano, foram levados 2.528 veículos dos quais só l.465 foram recuperados. Em outras palavras: seis somem para sempre, vão para o interior, para lugares misteriosos ou viram “peças usadas” nesses ferros-velhos que proliferam na cidade. A propósito, sabendo que atuar no varejo é impraticável, até porque já temos l,3 milhões de veículos registrados na capital (há de se considerar os de outras praças que circulam por aqui), o delegado optou pela tática de investigar gangues especializadas em furto, receptação e desmanche. Tem dado certo: em relação a igual período do ano passado, o crime diminuiu 15 por cento e a recuperação aumentou 4,2 por cento. Há outra dificuldade: 79 por cento das ocorrências são de furto – não tem vítimas de agressão ou testemunhas. De todo modo, vou continuar chateando as autoridades porque todo dia alguém me chateia pedindo socorro para o carro roubado.

Elas estão descontroladas

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É claro que nenhuma violência contra a mulher – ou outro gênero humano – deve ser tolerada. Sobretudo quando cometida entre quatro paredes, quando vale mais a força física, ou imposta por uma arma apontada para a cabeça de quem se quer subjugar. Mas, convenhamos, nesse mar de brutalidade em que se transforma nosso país há de se diferenciar a mulher que faz a coisa certa e é humilhada, abusada e ferida de morte de um outro tipo que contribui para se encrencar, na medida em que abre a guarda.

Dia desses, uma moça de 16 anos procurou a polícia para denunciar colegas de escola que estão colocando na internet e em telefones celulares imagens nas quais era aparece participando de uma orgia durante uma festa de 15 anos. Claro que a polícia deve indiciar e a justiça punir os responsáveis por essa invasão de privacidade. Óbvio que não apenas a moça, mas toda a sua família tem todos os motivos para estar indignada. Por isso, é compreensível a revolta da mãe, que foi para a delegacia clamando por justiça. Mas, como foi a formação de uma moça que troca a alegria da festinha por uma orgia no quarto mais próximo? Tem, também, o caso de uma mulher que chamou a polícia para denunciar um pedreiro que a levou para casa, quis fazer sexo sem o uso da camisinha e, diante da recusa, a submeteu a abusos, além de agredi-la. Detalhe: ela diz que foi a terceira vez que o visitou, sendo que ele foi “muito agressivo” na primeira, gentil na segunda (ocasião em que ela levou o próprio filho para a casa do amante) e estava muito calmo na terceira, até que ela exigiu preservativo. Ô gente boa, estão abusando de meus ouvidos e minha pequena inteligência.

A prova definitiva na descrença

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Responda-me, caro leitor: você acredita que a nossa polícia vai atrás de um carro furtado em Belo Horizonte ou apenas registra a ocorrência e espera que ele apareça, hoje, amanhã ou algum dia? Se eu disser aqui, mais uma vez, que o cidadão não acredita na investigação, vai chover de e-mails e telefonemas de gente irritada, dizendo que estou trabalhando contra a segurança pública, etc. Então, diga-me: o que mais pode fazer um cidadão mentir, como aconteceu na sexta-feira, quando um despachante informou que uma criança de dois anos teria sido levada pelos bandidos durante o roubo de seu veículo, se não for pura descrença na apuração?

É claro que se trata de uma mentira inadmissível, que deve ser punida, pois algumas dezenas de policiais foram mobilizadas, com todos os recursos possíveis, para encontrar uma criança que, na verdade, não estava desaparecida. Deu um prejuízo material que deve ser ressarcido ao erário público e fez uma comunicação de crime inexistente. Mas, convenhamos, muita gente vai saudar a iniciativa do despachante que, ao criar estória de fato mais grave, chamou a atenção para o sumiço do seu carro. E, no domingo, não graças à polícia, mas a emissora de rádio. Aliás, tem sido assim, foi assim com meu carro quando me assaltaram e o levaram. Se o rádio não ajudar, se uma nota de jornal não colaborar, pode um carro ficar dias e dias parado numa rua, de forma suspeita, sem que uma equipe de polícia passe e tome a iniciativa de checar.  Afinal, a maior pesquisa de vitimização de que se tem notícia em Minas, realizada em 2003, assegura que entre 70 e 73 por cento das vítimas de furtos e roubos não chamam a polícia simplesmente porque não acreditam que alguma coisa acontecerá.

Notícia boa que vem do lixo

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Além de ser momento único de confraternização e  afirmação de auto-estima de cidadãos especiais, o Festival de Lixo e Cidadania, realizado semana passada em Belo Horizonte, possibilitou o debate sobre um dos temas mais importantes não apenas para o Brasil, mas em todo o mundo hoje: a coleta, o tratamento e a destinação dos resíduos sólidos.

O Brasil produz 148 mil toneladas de lixo todos os dias e 59% dos municípios têm de conviver com lixões a céu aberto – reduto de urubus e doenças, em meio a crianças e adultos miseráveis revirando tudo em  busca de algo aproveitável. Vivemos situações as mais estapafúrdias, como máfias corrompendo prefeitos em vários estados, simultaneamente, inventando novas formas de roubar o dinheiro público sem resolver o problema. Há também soluções de difícil compreensão, como no caso de Belo Horizonte que, hoje, destina seu lixo para um aterro privado em Sabará, sendo que os resíduos da metade da cidade vão direto nos caminhões de coleta e os outros, da metade oeste,  são levados primeiro ao antigo depósito, colocados em carretas de maior capacidade para, então, seguir até a aterro.

Estima-se que as cidades brasileiras gastem cerca de 8% de todo o seu orçamento só com o lixo. É muito dinheiro. No seminário, tanto a ministra Isabela Teixeira quanto o secretário José Carlos Carvalho anunciaram a disposição de estimular a formação de consórcios entre os municípios de forma que várias cidades possam construir um só aterro, viabilizando, assim, o tratamento e uma correta armazenagem dos resíduos sólidos. Além de regulamentar lei recém-sancionada, o presidente Lula promete 1,5 bilhões de reais para investimentos no ano que vem.

Falta de respeito

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O leitor Geraldo Antonino pede socorro, de novo, por conta de uma obra. Eis o desabafo:

“Volto a lhe comentar a respeito do alargamento da “famigerada” ponte sobre o córrego do bananal, no KM 651(acho!) da BR 135, que literalmente rasga o estado de Minas Gerais de norte a sul, e que por lá tenho que passar quase toda a semana, dirigindo-me a Inimutaba próximo a Curvelo no sentido Diamantina.

Acontece que há + ou – 4 meses estão tentando completar esta obra, e há 4 meses todos que por ali passam têm que amargar uma espera aproximada de 40 minutos a 1 hora em média, pois a passagem é feita somente em meia ponte, alternando os sentidos de fluxo.

Durante este tempo de espera, se formam as quilométricas filas de carros e caminhões, que pacientemente aguardam em fila indiana o momento da liberação da passagem.

Contudo, quando da liberação, dezenas de veículos (e até caminhões e carretas) conduzidos pelos seus respectivos animais, sem educações, irresponsáveis, egoístas, etc e tal, invadem a 2ª e 3ª pistas da rodovia e descem em velocidade espantosa, para primeiro chegarem ao gargalo da rodovia lá na ponte.

Eduardo, lhe digo que nesses quase 4 meses de sofrimento nesta ponte, somente no dia 31 de julho que pude ver, muito humildemente posicionada, uma viatura da Policia Rodoviária Federal, e que também pouco contribuiu para a organização do tráfego de quase 10 km de engarrafamento, devido ao final de férias etc..”

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