Tô ficando velho

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De repente, lamento a morte de Donna Summer e minha colega de trabalho pergunta: “Quem foi?” Descubro que, nos anos 70, do século passado, quando a conta era a “Rainha do Disco”, a amiga sequer havia nascido. E caio na real de cinquentão. Mas, pensando bem, os últimos acontecimentos e minha reação diante deles já é prova inconteste de que envelheci. Por exemplo: enquanto muita gente acha normal, próprio da liberdade de expressão ou manifestação artística, não consigo aceitar que um “rapper” vem a Minas fazer um show e incita a platéia contra os PMs que estavam ali para protegê-lo. Mas, não se limita a palavra de ordens ou algum ato de má educação… Sugere que todos levantem o dedo maior das mãos para que os policiais sintam qual é o seu lugar.

Mal informado, pois não sabe que se há uma desocupação de área os PMs apenas cumprem ordens, mal intencionado, porque poderia provocar uma reação imediata dos militares, com consequências imprevisiveis, e, também, oportunista, porque a coisa mais fácil do mundo é xingar polícia. Eu devo estar velho, e rabugento, porque não vejo manifestações de repúdio ao visitante mal comportado.

Outra coisa: hoje, deveremos ter mais uma manifestação do movimento de luta antimanicomial… A causa é nobre, a passeta pelas ruas mais centrais do hipercentro é indevida, em dia e hora mais que inadequados. Coitados dos motoristas que precisarem transitar pela Afonso Pena na tarde de hoje. Mas, como diz o Purcino, caro leitor, se mexem nas contas bancárias e nos roubam a apuração é uma dificuldade, enquanto, se a vítima for uma atriz global, esclarecem na hora.

Ah, eu acho que tô ficando mesmo velho porque o Sávio Souza Cruz entrou com um projeto na Assembléia que proíbe o acúmulo de aposentadoria naquela casa com salário de conselheiro do Tribunal de Contas… Mas, a gente não quer combater a bandalheira? E ainda vejo uns moradores sofridos de Lagoa Santa reclamarem da estúpida especulação imobiliária, sem apoio do prefeito, sem amparo da Câmara, sem guarida do Ministério Público, sem explicações convincentes da Justiça…

Ah, tô ficando velho, rabugento e, se bobear, repetitivo, daqueles aos quais ninguém mais dá atenção.

Caminhos da vergonha

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 Já usamos esse espaço inúmeras vezes para denunciar a precariedade das nossas rodovias, especialmente as federais. Como deve ser sempre o trabalho do jornalista, apenas servimos de caixa de ressonância do que pensam as pessoas. Assim, publicamos a íntegra do e-mail enviado pelo coronel reformado da Polícia Militar, José Guilherme do Couto:

“Com alguns amigos fizemos de 30 Abril a 08 Maio uma viagem de motocicleta a Assunção – Paraguai, onde participamos do 4º Harley Club Assuncion, evento que reuniu cerca de quinhentos motociclistas brasileiros e de outros países da America do Sul. De Minas Gerais éramos seis.

De todas as estradas que percorremos sem falar de São Paulo que é disparado um país dentro do nosso Brasil, cujas estradas são melhores do que as da Europa e concorre ombro a ombro com as dos EUA, os piores trechos são os de Minas Gerais. Veja você, a MG-050, única estrada mineira privatizada, administrada pela “Nascentes das Gerais”, vergonhosamente para nós mineiros, está em petição de miséria. É uma vergonha cobrar pedágio para trafegar nessa rodovia.

Perto de BH algumas obras foram feitas dando-lhe um aspecto de rodovia. O resto é uma sucessão de remendos mal feitos e de caroços. Pilotar uma moto nessa estrada é como domar um burro bravo. O tráfego intenso de caminhões e o número insuficiente de balanças estão promovendo um desgaste prematuro no seu asfalto. A desculpa de que estão executando obras de melhorias não lhes tira a responsabilidade da manutenção do piso.

Cerca de dez anos atrás, o Paraná estava com suas estradas em petição de miséria. Um programa de privatização recuperou toda a sua malha rodoviária que hoje está excelente. Será que temos espaço para mostrarmos nossa indignação com essa Nascente das Gerais e a nossa péssima MG-050? Conversando com as moças nas cabines de pedágio, as mesma nos disseram que as reclamações são lugar comum pelos usuários. Elas acabam sofrendo com toda a indignação dos usuários, recebendo por mês apenas um salário mínimo de remuneração. Disseram também que a falta de pessoal é uma constante para a manutenção e operação dos pedágios. Ou essa empresa está nos enrolando ou quando da licitação a mesma entrou com preços baixos e, hoje, não está dando conta do recado.

Para nós cidadãos, pagadores de impostos e sujeitos a todas as intempéries e humores malignos dos governantes, resta-nos apenas a esperança de ecoar nossas vozes indignadas “.

Estamos derrotando a agiotagem

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Tenho medo da empolgação brasileira com a com o fato de sermos sexta maior economia mundial. Entre muitas outras razões, reclamo as reformas que podem consolidar o crescimento de verdade, com maior distribuição de renda e mais justiça social. Mas, peço a Deus todo dia para não fazer de mim um daqueles pessimistas de plantão para os quais nada presta e o lema é “quanto pior, melhor”. E, como não voto em branco e nem anulo voto, tinha de decidir entre Serra e Dilma no segundo turno das eleições de 2010 (no primeiro turno votei em Marina).

Fiquei com a ministra. Não me arrependo um centímetro. É claro que precisamos de muito mais; é claro que o governo dela tem muitos defeitos, a começar pela continuidade dessa prática nefasta de troca do apoio político por cargos. Mas, considerando os prós e contra, na minha modesta capacidade de observador, acho que está se saindo bem. E, de todas as suas iniciativas, há uma que me torna eleitor em potencial da presidenta para outros pleitos. Essa atitude histórica de encarar os bancos me emociona.

A agiotagem oficial no nosso país é mais que indecente, é crime contra a humanidade. Nunca compreendi como não havia uma autoridade capaz de dizer aos bancos que eles podem lucrar muito, sem nos passar a sensação de que nos roubam. Como é possível o banco remunerar a minha poupança a meio por cento e, ao mesmo tempo, cobrar 10, 12 por cento do meu cheque especial (que especial é esse?).

A presidente está fazendo a coisa mais óbvia do mundo: usa os bancos oficiais para forçar a queda dos juros. Se os barões banqueiros insistirem em continuar com suas taxas nas alturas, nós, brasileiros, faremos o pé de ouvido para que mais e mais clientes se transfiram para a Caixa e o Banco do Brasil. Na última sexta-feira, assisti a um encontro do diretor do BB com representantes de classe em Belo Horizonte e fiquei muito feliz. A taxa do cheque especial de empresas, por exemplo, baixou de 9,13% para 3,94%. Os juros estão baixando na compra de veículos, no financiamento da casa própria, no crédito especial, enfim, em todas as frentes… E, se cada um de nós fizer a sua parte, a gente vai acabar com os agiotas. Aqueles, que ficam na porta da empresa no dia do pagamento e os outros, que fumam charutos importados em Paris nos explorando com apoio oficial.

Somos todos desiguais perante as leis

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Está escrito na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes…”. Será?

O governo do Estado gasta uma fortuna, constrói dois prédios maravilhosos do ponto de vista da arquitetura, mas questionáveis quanto à praticidade e o bem estar dos que nele labutam; cantam aos quatro cantos a maior das virtudes que seria a reunião de todos os servidores num só lugar, num só ambiente, sem privilégios, sem luxos, buscando maior controle e eficiência administrativa o que, consequentemente, resulta também melhor distribuição das tarefas, com cerco aos gazeteiros.

Sintonizado, o advogado-geral do Estado exige que os procuradores devam trabalhar em suas mesas quatro das oito horas diárias que têm (ou deveriam) cumprir. O chefe, Marco Antônio Rebelo Romanelli quer que os advogados do Estado se encontrem com frequência, troquem experiências e, assim, façam um trabalho preventivo mais forte, evitando litígios para o Estado. Esse é o discurso dele. Mas, estaria errado se dissesse que quer todo mundo trabalhando, no local que indicar, por que é o escolhido pelo patrão para fazer cumprir o contrato de trabalho e fim de papo?

Meu Deus, nós todos, assalariados, profissionais liberais ou não, não temos obrigações mínimas que incluem ir trabalhar, registrar o ponto, cumprir jornada, obedecer ao chefe? Mas, quando se trata do que é público (que é de todos, mas é tratado como pertencente a minorias privilegiadas) qualquer decisão que fuja à rotina gera uma briga danada. Desta vez, os procuradores, que têm um salário não inferior a 16 mil reais (podem ganhar muito mais porque fazem jus aos chamados honorários de sucumbência), reclamaram e a zelosa seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil correu para a Justiça e seu presidente disse: “Nunca vi procurador bater ponto”.

O juiz João Batista Ribeiro decidiu que eles não têm de cumprir horário de “servidores burocratas”. Quem sou eu para questionar a decisão do meritíssimo. Quem sou eu para dizer que a OAB não deveria brigar pela criação de castas dentro do serviço público…  Sou apenas alguém que queria um mundo mais igual, de verdade, sem a turma que já está bem se ajeitando cada vez mais… Eu só queria o cumprimento do artigo 5º… Ah,eu só queria entender…

        

As leis precisam acompanhar a vida

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Não dá para imaginar o homem vivendo em sociedade sem leis. Na verdade, Moisés criou a Lei das 7 tábuas, já sabendo que era preciso deixar claras normas de conduta e eventuais punições. Os estudiosos acreditam que os homens começaram a formular leis nos tempos pré-históricos, antes do surgimento das primeiras civilizações. O problema é que não possuíam o sistema de escrita; assim, não deixaram registros – então, as mais antigas eram estabelecidas pelo costume e transmitidas oralmente de uma geração para outra.

A invenção da escrita permitiu que o homem redigisse códigos e tornasse a lei objeto de conhecimento público. Sabe-se que na Grécia antiga as pessoas se reuniam para discutir a cidade e, como nem todos tinham o mesmo comportamento, começaram a estabelecer normas de comportamento. Estou dizendo tudo isso para lembrar que, desde suas origens, a lei sempre se fez necessária porque nós não nos desenvolvemos o bastante para nos respeitar e se fez forte porque nasce do bom senso e do interesse da maioria.

Por isso mesmo, há necessidade de se fazer reformas nos textos legais sempre que a sociedade avança… Ou alguém deveria discutir crimes de informática no começo do século passado? Eu não me conformo é como nossas casas legislativas demoram em adaptar as leis às nossas necessidades. Como, por exemplo, aceitar a disposição legal de que pessoas possuidoras de curso superior merecem prisão especial? Mas, quem chega lá não é um privilegiado, neste país que ainda tem milhões de analfabetos? Então, se mais estudado, o infrator não deve merecer castigo maior, mas, ao contrário, tratamento especial?

Vejamos o caso de um velho safado que é advogado e já foi juiz. Acaba de ser preso pela terceira vez abusando de crianças – desta feita estava em casa, com um menino de 10 anos, destes pobrezinhos que ganham o pão olhando carro na rua… Vizinhos chamaram a polícia porque não aguentavam mais ver o menino entrando e saindo da casa do infeliz. Cadeia especial para o doutor?

Outra coisa que me aborrece é a cláusula da Constituição Federal que garante ao cidadão o direito de não produzir prova contra si. A intenção de quem a aprovou podia ser boa, mas, agora, entre outros absurdos, virou moda o cidadão dirigir bêbado, matar e, na hora da fiscalização, dizer que não vai soprar o bafômetro. Vamos mudar o rumo da prosa, gente! Chega de criar rotas de fuga para irresponsáveis, criminosos e espertalhões.

A vida no ritmo das eleições

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Dizem que o sofrimento da gente é proporcional ao nosso conhecimento. Isso mesmo: quanto mais o sujeito sabe das coisas, mais ele sofre com o andar da carruagem. E é verdade. Vejam meu caso que sei apenas dois ou três por cento das implicações do processo eleitoral no país e sofro enormidade com os absurdos que se cometem em nome das vaidades e dos interesses privados, pessoais.

Querem um exemplo? De dois em dois anos, trocam a presidência do Tribunal Regional Eleitoral por três vezes em poucos meses. E o que fica encarregado de comandar as eleições assume sempre em cima da hora. Já tentei entender, mas dizem apenas que é um sistema de rodízio no Tribunal de Justiça e, como os desembargadores estão na fila, tem de ser assim. Já perguntei se pelo menos não há jeito de mudar uma vez só, para que um presidente assumisse depois de uma eleição e passasse dois anos preparando a outra. Não tive resposta. Mas, fora as vaidades, a briga pelo poder, um dinheirinho a mais no contracheque e outras coisas pequenas, o grande estrago é feito na vida institucional, no dia-a-dia do país.

Nesse esquema de eleição de dois em dois anos não há continuidade administrativa que aguente. O sujeito ganha para deputado e, antes de tomar posse, já começa a trabalhar para eleger seus prefeitos que, quando eleitos, vão à luta pelos padrinhos e a roda gira, a pressão come solta e o que realmente interessa não anda. Lembram-se daquela ruidosa licitação da feira de artesanato da Afonso Pena? Só se volta a falar a respeito depois da eleição. E dependendo de quem for eleito.

E a licitação dos táxis, a verdadeira, da frota toda? Só Deus sabe. Aliás, sequer alguém compra a briga para acabar com a provinciana realidade de táxi de Belo Horizonte só levar passageiros ao nosso Aeroporto Internacional e os táxis de Confins e Lagoa Santa só fazerem o caminho inverso. Percebem, com esses exemplos bobinhos, o estrago que a gente faz na nossa cidade, nosso Estado? Já repararam que elegemos um prefeito e um vice e os dois passaram todo o mandato brigando? E agora a gente gasta energia discutindo sobre o próximo vice? Repararam que o país ficou meses sem ministro do Trabalho e ninguém deu pela falta dele? Eu quero eleições gerais, de vereador a presidente, de cinco em cinco anos, para ver se as coisas acontecem… Ufa!

O ônibus do fim do mundo

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De novo, os ônibus estiveram nas páginas dos jornais durante esta semana. Houve um, em Esmeraldas, que perdeu os freios numa descida acentuadíssima, mas, guiado por Deus, o motorista jogou o veículo contra um barranco e transformou mais uma tragédia de consequências imensuráveis em colisão com alguns feridos. Também foi nesta semana que a Bhtrans admitiu: dos 9 mil pontos de ônibus em Belo Horizonte, apenas 2 mil têm algum tipo de abrigo. Ainda assim, abrigos que geram queixas, ora porque são pequenos, às vezes por estarem em péssimas condições e, não duvide, há também o caso de um abrigo que não abriga – ele fica ali, na Praça da Estação, e limita-se a alguns ferros chumbados no chão que nunca receberam cobertura.

Os usuários? Bom, esfriam o sol e enxugam a chuva, dependendo do dia. E você deve estar ansioso, perguntando qual é, afinal, o ônibus do fim do mundo? Ele não está entre os que milhões de mineiros usam todos os dias, pelos quais pagam caro e são quase sempre mal tratados. Sequer é um ônibus que pertence à iniciativa privada. Bom, depois desta pista, você já tem aposta certa: deve ser  uma daquelas “forrecas” que transportam crianças pobres por ruas de terra e lugares inacreditáveis pelo interior de Minas… Também não.  O ônibus do fim do mundo pertence à Polícia Militar de Minas Gerais e foi visto estacionado em frente à Delegacia de Vespasiano, cidade da região metropolitana, na última segunda-feira.

Embora o veículo tenha sido fabricado há pouco tempo, ele é reflexo do desmonte do sistema punitivo em Minas Gerais. A Polícia Civil vem se acabando há décadas e, agora, para um feriado de quatro dias, convergiu o plantão de 11 municípios – com uma população de cerca de 400 mil pessoas – em uma delegacia de Vespasiano, com um delegado, um escrivão e quatro investigadores.

A PM, que já não aguenta mais tanta demora na recepção das ocorrências nas delegacias, resolveu colocar um ônibus no meio da rua… Assim, na medida em que as patrulhas chegavam, seus ocupantes algemavam os presos em bancos do ônibus e os deixavam sob a custódia de três soldados, que ficavam encarregados também de entregar as ocorrências quando alguém pudesse receber. Eu sei que é difícil de acreditar, mas, quem duvidar, pode conferir na Rede Record que tem imagens de 17 “conduzidos” algemados no ônibus do fim do mundo… Ou do fim dos tempos!

           

Um dia, o minério acaba!

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A reportagem de Amália Goulart, anteontem, aqui no HOJE EM DIA, é um daqueles socos na boca do estômago que a gente leva e fica sem ação, só conseguindo assimilar algum tempo depois. Quando ela diz que, só nos primeiros meses desse ano, a dívida de algumas mineradoras para com o Estado, a União e principalmente os municípios já supera 30 milhões de reais, a gente começa a se perguntar como ficarão estas cidades daqui a algumas décadas, quando a exploração do minério terminar.

A situação fica muito mais grave quando se sabe que temos apenas 30 fiscais e não mais que quatro funcionários para contabilizar dados referentes a mais de 40 mil empreendimentos. Eles trabalham para o Departamento Nacional de Produção Mineral e estão encarregados da cobrança da CEFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, imposto que é calculado depois de deduzidos ICMS, PIS, COFINS e despesas com transporte e seguro. Por um milhão de vezes já ouvi dizer que cobramos três vezes menos que países como Austrália. Ainda assim, não estamos recebendo.

O trágico é a resposta do superintendente estadual do DNPM, Celso Luiz Garcia, à pergunta de Amália sobre o orçamento: “Preparamos o orçamento em função da nossa capacidade de fiscalização. Isso vira uma parte do orçamento geral que o diretor geral prepara para mandar para o Ministério do Planejamento. Não posso nem falar do orçamento deste ano porque não fui eu quem o preparou”. A repórter diz que os dados são públicos e ele deixa escapar o pior dos males brasileiros: “…Infelizmente, houve uma transição na diretoria, mudança política, prejudicou…” Que tristeza a nossa!

Quantos recursos naturais e quanta politicagem não apenas nas nomeações, mas nas ações. Sabemos que na histórica Congonhas os vereadores assumem que querem (de novo) ajuda da principal companhia para suas campanhas. Por dez, vinte mil reais aprovam qualquer coisa, embora digam que uma coisa não tem nada a ver com outra. O minério existe, o mundo precisa dele… A sua retirada devia ser controlada, o meio ambiente levado em conta para valer, impostos à altura para fazer face ao estrago nas cidades, não apenas em termos de buraco e poeira, mas, sobretudo, com a chegada de gente de fora, mudança de cultura, alteração do dia-a-dia. Mas, com os políticos que temos, Deus proteja esses municípios quando o minério acabar.


A Academia ao alcance de todos

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Quando a gente fala em Academia Mineira de Letras parece algo tão distante, quase inatingível, quem sabe virtual ou, simplesmente, uma casa de intelectuais iluminados e inacessíveis. Não é. Se você, ao passar pelo número 1.466 da Rua da Bahia, resolver entrar num casarão maravilhoso ou no moderno auditório vai encontrar um ambiente de sabedoria, sim, mas, também, de simplicidade, a começar pela broa de fubá presente em todas as reuniões – mensais – dos acadêmicos.

Depois de Vivaldi Moreira e Murilo Badaró, presidentes que modernizaram métodos e promoções, a dupla Orlando Vaz e Francelino Pereira vem sacudindo a poeira e abrindo a casa para mineiros de todas as origens. Primeiro, foi idealizado um concurso literário sobre fatos e a história do Viaduto Santa Tereza que, primeiro reuniu a geração de Carlos Drumond de Andrade, Pedro Nava e Milton Campos e, depois, os profetas do apocalípse, com Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino, chegando à turma do Clube da Esquina.

Agora, preparam outro que vai estimular a leitura – sob o título “os melhores livros que eu li”, jovens de todas as idades serão chamados a opinar sobre as melhores obras que conheceram. Há um projeto vitorioso, “Bate papo com o autor”, através do qual a Academia convida os autores para lançamentos de seus livros e garante a venda dos primeiros 100 exemplares a 5 reais. No mês passado, as 4 da tarde o auditório já estava lotado para um encontro com Luiz Fernando Veríssimo que só começaria as 7h30 da noite.

Também tem vínculos com a Casa o projeto Universidade Livre, coordenado por Elizabeth Rennó. A Academia foi fundada em Juiz de Fora, no dia 25 de dezembro de 1909; transferida para Belo Horizonte em 24 de janeiro de 1915 e ganhou sede própria em 1950. É claro que não há facilidade; afinal, sabemos o quanto difundir cultura é complicado entre nós, mas, com o patrocínio de uma empresa bancam os prêmios dos concursos, com o aluguel do auditório garantem o custeio e a vida segue em frente.

É do governador Antonio Anastasia a melhor definição para nossa Casa das Letras: “A nossa Academia é um patrimônio de Minas, da nossa patriazinha, como efetivamente chamou-lhe Guimarães Rosa; ela se tornou nossa Casa, acima dos partidos, porque a sua razão política é bem maior do que a eventual ocupação do poder. É a razão que une todos os mineiros: a razão da liberdade”. Vamos prestigiar a Academia, afinal, quem conhece o passado vive melhor o presente e planeja melhor o futuro.

Quando a política corre nas veias

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Minas Gerais é, seguramente, o Estado brasileiro onde a política mais impulsiona a vida de brasileiros. Quem já ouviu estórias de Benedito Valadares, José Maria de Alkmin, Juscelino Kubstichek e Tancredo Neves sabe que alguns de nós abrimos mão até de respirar, mas nunca de fazer política.

Agora mesmo está acontecendo algo inédito no Tribunal de Contas do Estado. Um conselheiro, atualmente na presidência, pediu para sair do cargo mais cobiçado por políticos de longa carreira. Vai abrir mão de 26 mil reais mensais e um sem número de mordomias que inclui assessores, motorista, secretárias e garçons, sem falar no prestígio que atrai festas, viagens, tudo… Até bajulador fica garantido para o resto da vida porque o cidadão se garante na cadeira até os 70 anos e vai para a casa sem perder um centavo no salário.

Antônio Carlos Doorgal de Andrada já avisou aos pares que vai sair. Já tem até substituto. Na presidência. Na vaga de conselheiro as apostas estão sendo feitas na Assembleia Legislativa e vale tudo, desde que o pretendente seja deputado. Não bastasse o ineditismo da atitude, o melhor é a intenção do demissionário. Ele vai se candidatar a prefeito de Barbacena, cargo que já ocupou. E aí, embora insista em ser gentil e desdizer, está atropelando o irmão Martin, que também já foi e queria ser de novo.

E mais: mesmo negando, Toninho Andrada, como é conhecido, sabe que sua decisão vai entrar para a história como mais um capítulo da mais encarniçada briga entre famílias da história brasileira. A disputa entre os Andradas e os Bias Fortes na cidade das flores é tão antiga que o geógrafo Francisco Fernandes Ladeira disse em recente artigo: “É demasiadamente complexo e controverso abordar a política barbacenense e as próprias relações sociais na cidade desde a década de 1890 sem levar em conta as alianças e nuanças entre as famílias Bias e Andrada. Assim, o município (por que não dizer a região) foi palco de acordos, disputas e conchavos por poder e influência dos dois grupos”.

A atual prefeita é Danuza Bias Fortes. A briga secular continua. E a família Andrada tá em todo lugar: o pai de Toninho é deputado federal há décadas, um irmão deputado estadual, o outro desembargador, um outro subprocurador-geral da República e… Resumindo: Toninho diz que está trocando estabilidade por possibilidade. Posso compreendê-lo; eu também gosto é das ruas.

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