Destaque da Semana
Começamos a semana com a mordida do Leão. Na segunda-feira terminou o prazo para a entrega da declaração do imposto de renda. A Receita Federal sentenciou: não haveria prorrogação do prazo. A multa pelo atraso na entrega é de 165 reais e 74 centavos ou 20% do imposto devido, prevalecendo o maior valor. E alguém tinha dúvidas?
Tudo errado. Renda pressupõe rendimento líquido depois de deduzidas as despesas materiais. Mas não, lá na fonte vem o Leão e nhock!! Aliás, muito interessante o leão ser o mascote desse imposto.
Você sabia que, na natureza, o leão dorme até 20 horas por dia? Quando acorda para checar o que o bando caçou, nhock!! O melhor pedaço fica com ele. E mais: como não tem predadores naturais, dorme sossegado em qualquer lugar.
Tudo dentro da lei da natureza: é que entre os leões, há divisão de tarefas: as fêmeas são encarregadas da caça e do cuidado dos filhotes, enquanto o macho é responsável pela demarcação do território e pela defesa do grupo contra animais maiores ou mais numerosos. Ah, então tá! As semelhanças não são meras coincidências: O nosso Leão – o do imposto, dorme 335 dias do ano e no mês de abril vem e nhock!!, devora boa parte do que o bando formado pelos cidadãos brasileiros lutou com unhas e dentes para caçar. Ele está sempre lá, na espreita, mês a mês demarcando território.
O cidadão, acuado, esperneia, esperneia e… faz a mesma coisa. É! No início da semana moradores da região Oeste de Belo Horizonte aproveitaram um acidente de trânsito, no Anel Rodoviário, para nhock!!, saquear a carga de material de limpeza e higiene pessoal.
Somos todos assim? Evidente que não. Mas começa a ficar difícil separar o joio do trigo, afinal, como já dizia Martin Luther King, líder de movimentos que buscavam o respeito aos direitos dos negros e o fim da discriminação racial nos Estados Unidos: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
Mas, João Ubaldo Ribeiro acredita que o problema está mesmo em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. E João Ubaldo explica: “Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.(…) Pertenço ao país onde fazemos “gatos” para roubarmos luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. (…) Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns. (…) Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. (…)”
Mas calma lá! Terça-feira foi dia do trabalhador, do pagador de impostos. Aliás é bom lembrar que trabalhamos de janeiro até maio só para pagar impostos federais, estaduais e municipais. Quarenta por cento de toda a riqueza produzida no país, o PIB, nhock!!, vai diretinho para os cofres públicos. Ainda assim, no ano passado, o brasileiro ficou, em média, 18 horas e 42 minutos sem luz. Se a média fosse feita somente na periferia esse número, infelizmente, seria, pelo menos, 3 vezes maior.
Mas nem tudo está perdido. Atendendo ao sonho do saudoso vice-presidente José Alencar, a presidente Dilma Roussef anunciou o esforço do governo em reduzir a taxa de juros para manter o crescimento da economia. A contribuição do povo? Nhock!!, 18% a menos no rendimento da poupança.
Não esse povo não pode ser corrupto. É melhor que se dê nome aos bois e não nos tratem como uma boiada. Vale recorrer a Elisa Lucinda que escreveu: “Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem! Dirão: ‘Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba’ e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: ‘É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal’. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dá para mudar o final!’