Ética, texto do filósofo Mário Sérgio Cortella

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Ética é o conjunto de valores e princípios que eu e você usamos para decidir as três grandes questões da vida, que são: “Quero – Devo – Posso”

Quais são os princípios que usamos em nossas vidas?

- Existem coisas que eu quero mas não devo;

- Existem coisas que eu devo mas não posso;

- Existem coisas que eu posso mas não quero.

Quando é que você tem paz de espírito? Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é o que você pode e é o que você deve.

Como se define a ética? Através dos modos, através do exemplo, através de princípios da sociedade, religiosos ou não; através de normatizações…

Há vinte anos, num auditório, algumas pessoas fumariam e outras não. Há dez anos haveria uma placa: “É proibido fumar”. Hoje não é mais preciso nenhuma imposição, ninguém fuma por censo comum. Às vezes isso surge como norma. Quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório no Brasil, tinha gente que até vestia a camisa do time de futebol Vasco da Gama (que é branca com uma faixa transversal preta) só para enganar o agente da lei, tal a má vontade em obedecer a essa normatização. Hoje, todo mundo entra no carro e automaticamente coloca a faixa, sem nem lembrar da multa. – Isso significa que a ética vai se construindo.

Não existe ninguém “sem ética”. O deputado que frauda, rouba, o falso amigo que mente e engana e o patrão que explora seus empregados? Esses têm uma ética contrária à ética da maioria. São “antiéticos”. Mas isso ainda é um tipo (deturpado) de ética.

OUÇA O TEXTO NA VOZ DE JOSÉ LINO SOUZA BARROS

Ato de Contrição, Artur da Távola

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Ah, como somos comedidos!
Acomodamo-nos, vãos,
nos limites do concebido.

Somos bem educados, cultos,
e ruge tanta fome
nos apetites fora do concedido.

Ah, como somos sob medida!
sub metidos, hirtos, bem vestidos,
robôs impecáveis, ilusão de vida.

Ah, somos como os subvertidos,
introvertida soma de extrovertidos
por pompa, tinta, arroto ou brilhantina.

Filhos do instante, do entanto e do porém,
somos através, como os vidros,
mas opacos e pervertidos, sempre aquém.

Traçamos sinas e abstrações,
terçamos ódio finos, dissuadidos,
lãs de olvido e alucinações.

Sovamos os sidos, os vividos,
somos eiva, disfarce, diluição.
Somos somas a subtrações.

Você, Raul Seixas

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Você alguma vez se perguntou por que
Faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar?
Mas voce faz, sem saber porquê, você faz!
E a vida é curta, por que deixar que o mundo
Lhe acorrente os pés?

Fingir que é normal estar insatisfeito
Será direito, o que voce faz com você?
Por que voce faz isso por quê?

Detesta o patrão no emprego
Sem ver que o patrão sempre esteve em você
E dorme com a esposa por quem ja não sente amor
Sera que é medo? Por que voce faz isso com você?

Por quê você não para um pouco de fingir?
e rasga esse uniforme que você não quer
mas você não quer, Prefere dormir e não ver.
Por que você faz isso, por quê?

Novos Tempos – Danuza Leão

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Há muito, muito tempo, bacana era ser nobre; começava pela rainha, depois vinham as duquesas, condessas, marquesas etc. O tempo passou, cabeças foram cortadas, e os novos ricos foram os herdeiros, digamos assim, do que era a elite da época.

O tempo continuou passando; vieram os grandes industriais, os empresários, os donos de supermercado, os bicheiros, os marqueteiros, a indústria da moda, até mesmo os políticos, houve os yuppies e surgiu uma curiosa casta nova: a das celebridades. Desse grupo fazem parte atores de televisão, personagens da vida artística, jogadores de futebol, pagodeiros, sertanejos etc. (…)

Nesse admirável mundo novo, a moda tem uma enorme importância, e nesse quesito o que conta – mais que a elegância e o bom gosto – é saber de que grife é cada peça que está sendo usada; quanto custou cada uma todos sabem, já que são tão cultos. (…)

Houve um tempo em que mulheres do maior bom gosto apareciam com uma bonita saia e uma amiga dizia “que linda, onde você comprou?”.
Hoje, isso não existe mais, porque as pessoas – aquelas – não usarão jamais uma única peça de roupa que não seja grifada. Outro dia fui a um jantar em que havia umas 40 pessoas, sendo 20 mulheres. Dessas 20, dez usavam aqueles sapatos que tem a sola vermelha. Preço do par, em São Paulo: R$ 10 mil. Estavam todas iguais, claro, mas o pior é ser avaliada e aceita pela cor da sola do sapato; demais, para minha cabeça.

O prazer – e o chique, a prova da capacidade de improvisar – era botar uma roupa bonita comprada em um mercado qualquer de Belém, Marrakech ou Istambul, e ser diferente. Hoje é preciso mostrar que folheou a revista que tem a informação do que está na moda e que tem dinheiro para comprar. (…)

Não há mais lugar para a imaginação, a criatividade, para uma sacada de última hora, que faz com que uma determinada mulher seja a mais especial da noite.

Eu não frequento este mundo, mas de vez em quando esbarro nele sem querer, e é difícil.
Um mundo de clichês; mas como tudo passa, estou esperando a hora de acordar e pensar que essa época não passou de um pesadelo.

‘O pagador de Impostos.’ Texto de Selma Sueli Silva

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Destaque da Semana

Começamos a semana com a mordida do Leão. Na segunda-feira terminou o prazo para a entrega da declaração do imposto de renda. A Receita Federal sentenciou: não haveria prorrogação do prazo. A multa pelo atraso na entrega é de 165 reais e 74 centavos ou 20% do imposto devido, prevalecendo o maior valor. E alguém tinha dúvidas?
Tudo errado. Renda pressupõe rendimento líquido depois de deduzidas as despesas materiais. Mas não, lá na fonte vem o Leão e nhock!! Aliás, muito interessante o leão ser o mascote desse imposto.
Você sabia que, na natureza, o leão dorme até 20 horas por dia? Quando acorda para checar o que o bando caçou, nhock!! O melhor pedaço fica com ele. E mais: como não tem predadores naturais, dorme sossegado em qualquer lugar.

Tudo dentro da lei da natureza: é que entre os leões, há divisão de tarefas: as fêmeas são encarregadas da caça e do cuidado dos filhotes, enquanto o macho é responsável pela demarcação do território e pela defesa do grupo contra animais maiores ou mais numerosos. Ah, então tá! As semelhanças não são meras coincidências: O nosso Leão – o do imposto, dorme 335 dias do ano e no mês de abril vem e nhock!!, devora boa parte do que o bando formado pelos cidadãos brasileiros lutou com unhas e dentes para caçar. Ele está sempre lá, na espreita, mês a mês demarcando território.

O cidadão, acuado, esperneia, esperneia e… faz a mesma coisa. É! No início da semana moradores da região Oeste de Belo Horizonte aproveitaram um acidente de trânsito, no Anel Rodoviário, para nhock!!, saquear a carga de material de limpeza e higiene pessoal.
Somos todos assim? Evidente que não. Mas começa a ficar difícil separar o joio do trigo, afinal, como já dizia Martin Luther King, líder de movimentos que buscavam o respeito aos direitos dos negros e o fim da discriminação racial nos Estados Unidos: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Mas, João Ubaldo Ribeiro acredita que o problema está mesmo em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. E João Ubaldo explica: “Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.(…) Pertenço ao país onde fazemos “gatos” para roubarmos luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. (…) Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns. (…) Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. (…)”

Mas calma lá! Terça-feira foi dia do trabalhador, do pagador de impostos. Aliás é bom lembrar que trabalhamos de janeiro até maio só para pagar impostos federais, estaduais e municipais. Quarenta por cento de toda a riqueza produzida no país, o PIB, nhock!!, vai diretinho para os cofres públicos. Ainda assim, no ano passado, o brasileiro ficou, em média, 18 horas e 42 minutos sem luz. Se a média fosse feita somente na periferia esse número, infelizmente, seria, pelo menos, 3 vezes maior.

Mas nem tudo está perdido. Atendendo ao sonho do saudoso vice-presidente José Alencar, a presidente Dilma Roussef anunciou o esforço do governo em reduzir a taxa de juros para manter o crescimento da economia. A contribuição do povo? Nhock!!, 18% a menos no rendimento da poupança.

Não esse povo não pode ser corrupto. É melhor que se dê nome aos bois e não nos tratem como uma boiada. Vale recorrer a Elisa Lucinda que escreveu: “Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem! Dirão: ‘Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba’ e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: ‘É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal’. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dá para mudar o final!’

A Língua de Nhem, de Cecília Meireles

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Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também

a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O que valeu a pena hoje?, texto de Martha Medeiros

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O que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Um telefonema. Um filme…(…) É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente.

Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida. Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.

Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes. Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim. Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria. Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele. Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar. Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente. E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado. Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica. É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã…

E-mail que circula na internet

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Para você que acredita que o estudo não serve pra nada:

Quanto menos você souber português, mais empresas farão contratos absurdos que você assinará sem ler.

Quanto menos você souber matemática, mais empresas poderão lucrar sobre você.

Quanto menos você souber geografia, mais empresas poderão extinguir os recursos do planeta.

Quanto menos você souber história, mais empresas poderão cometer crimes repetidamente.

Quanto menos você souber biologia, mais empresas estarão livres para manipular a vida.

Quanto menos você souber física, mais empresas lhe venderão coisas que você já tem.

Quanto menos você souber química, mais empresas estarão livres para fazer produtos perigosos.

Quanto menos você souber sobre arte, mais empresas venderão futilidades como se fosse arte.

Quanto menos você souber educação física, mais empresas lhe venderão idéias erradas sobre seu corpo.

Quanto menos você souber filosofia, mais empresas lhe dirão o que pensar.

Morre lentamente, de Pablo Neruda

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Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.

VOCAÇÕES – Luís Fernando Veríssimo

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Todos diziam que a Leninha, quando crescesse, ia ser médica. Passava horas brincando de médico com as bonecas. Só que, ao contrário de outras crianças, quando largou as bonecas não perdeu a mania. A primeira vez que tocou no rosto do namorado foi pára ver se estava com febre. Só na segunda é que foi carinho. Ia porque ia ser médica. Só tinha uma coisa: não podia ver sangue.
- Mas Leninha, como é que…..
- Deixa que eu me arranjo.
Não que ela tivesse nojo de sangue… desmaiava. Não podia ver carne mal passada. Ou Ketchup. Um arranhãozinho era o bastante para derruba-la
Se o arranhão fosse em outra pessoa ela corria para socorre-la -era o instinto medico-, mas botava o curativo com o rosto virado.
- Acertei? Acertei?
- Acertou o joelho. Só que é na outra perna.

Mas fez vestibular para medicina, passou e preparou-se para começar o curso.
- E as aulas de anatomia, Leninha? E os cadáveres?
- Deixa que eu me arranjo.
Fez um trato com a Olga, colega desde o secundário. Quando abrissem
um cadáver, fecharia os olhos. A Olga descreveria tudo para ela.
- Agora estão tirando o fígado. Tem uma cor meio….
- Por favor, sem detalhes…
Conseguiu fazer todo o curso de medicina sem ver uma gota de sangue.
Houve momentos em que precisou explicar os olhos fechados.
- É concentração professor..
Mas se formou. Hoje é médica, de sucesso. Não na cirurgia, claro. Se
bem que chegou a pensar a convidar a Olga para fazerem uma dupla cirúrgica, ela operando com o rosto virado e a Olga dando as coordenadas.
- Mais pra esquerda…. Aí agora corta!
Está feliz. Inclusive se casou, pois encontrou sua alma gêmea. Foi num
aeroporto. No bar onde foi tomar um cafezinho enquanto esperava a chamada para o embarque, puxou conversa com um homem que parecia muito nervoso. – Algum problema?_ perguntou, pronta para medicá-lo.
- Não_tentou sorrir o homem_ É o avião…
- Você tem medo de voar?
- Pavor. Sempre tive.
- Então porque voa?
- Na minha profissão, é preciso.
- Qual é a sua profissão?
- Piloto.
Casaram-se uma semana depois.

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