“Num paga, mas também num vê!”

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Quero anunciar que agora nos tornamos realmente imbatíveis no mundo da bola.  Primeiro, levamos o troféu de a única capital que ficou sem campo adequado à prática de futebol profissional… Com todo o respeito e carinho que nos merece Sete Lagoas, é duro vencer a BR 040 nos horários malucos em que a televisão manda fazer os jogos… Ora às 20h30m, exigindo que o infeliz encare o trânsito das 6 para (não) chegar lá; em outras ocasiões o jogo acaba meia-noite, inviabilizando o espetáculo para quem tem emprego e juízo.

Não apareceu um só iluminado para sugerir que fizessem as reformas do Mineirão e Independência em épocas diferentes. Depois da primeira lambança, vieram outras, como essa situação esdrúxula em que o campo foi dado ao América, mas administrado por uma empresa que fechou contrato com o Atlético. Quero ver é fazer os shows necessários para o custeio com tanta gente morando em volta…

A propósito, a empresa que impermeabilizou o teto do estádio borrou centenas de carros e casas na vizinhança. No Mineirão, o contrato entre o Governo e a “Minas Arena” diz que a segunda vai administrar, mas, se não tiver dinheiro o bastante para pagar os quase 700 milhões de reais gastos na obra, o Governo banca. Melhor, nós pagamos.  Ah, cinquenta anos depois de construído o estádio – agora, que mobilidade é a palavra – diminuíram pela metade o estacionamento do Mineirão… Quero ver no dia de grandes eventos…

Mas, voltemos ao Independência: ali, descobriram depois  de uma fortuna gasta que 6 mil torcedores não verão o jogo… É isso, gente boa, você vai ao jogo, mas não vê os jogadores… E agora? O Ministério Público defende redução de 50 por cento nos preços dos ingressos dos que não vão ver; uma vereadora diz que o ingresso tem de ser de graça, mas o Eder Campos, da Secretaria que criaram em caráter extraordinário para a Copa, diz que, “se o torcedor ficar em pé pode ver o jogo”. Provavelmente, ele vai fornecer armaduras de chumbo para os seis mil que ficarão em pé e serão fuzilados pelos outros que querem ver o jogo.

A Associação dos Cronistas diz que tem um monte de coisa errada na obra… Exemplo: nas cabines de transmissão só cabem duas pessoas! Sabe quanto a mais recente estimativa para o custo da reforma? 125 milhões de reais! Quando vierem para a Copa, os irmãos portugueses vão delirar quando conhecerem o famoso estádio onde o torcedor só paga se quiser ver o jogo. Ah, nemmmmmmmmmmmmm

A melhor polícia do Brasil?

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O governador já sabe, tanto é que mudou toda a cúpula das duas polícias. A Assembleia Legislativa já sabe por que o deputado mais bobo naquela casa é capaz de consertar avião em pleno voo. Da mesma forma, os desembargadores, juízes, promotores, todos já sabem que estamos vivendo um momento muito difícil na área de segurança pública.

Eu só preciso dizer que, mesmo os mais pacientes – como é o meu caso – já não suportam tanto sucateamento da Polícia Civil e a indiferença crescente em relação à Polícia Militar. Já sei que vão me ligar dizendo “assim você faz crescer o sentimento subjetivo da insegurança” ou que “dificuldades existem, mas estão sendo enfrentadas” e mais um sem número de coisas que ouço há mais de três décadas. O que quero dizer com todas as letras é que vivemos o pior dos mundos, nos últimos 20 anos, e não há reação à altura.

Depois que a dupla Aécio/Anastasia assumiu, os índices baixaram e havia perspectivas de futuro, com programas de prevenção e a retirada dos presos das delegacias. Agora, sabe-se que investiram apenas 30 por cento do que deveriam no “Fica Vivo”, outros programas estão despedaçados, o “Aliança pela Vida” para o enfrentamento das drogas ficou na promessa e a tal da integração continua restrita aos discursos de cúpula.

Se quiserem bons exemplos de como estamos em situação delicada posso lembrar o caso do Mercado Central, cujos executivos pediram a um funcionário para pegar cópia de ocorrência junto à 6ª Companhia, que fica na área central de Belo Horizonte. Informado de que não havia tinta na impressora, foi orientado a pegar tal cópia na Secional Centro, da Polícia Civil onde lhe disseram que não havia impressora.

Posso também transmitir-lhes o caso do empresário que chegou sábado à noite ao nosso Aeroporto Internacional, detectou o furto do estepe (embora o carro estivesse no estacionamento e ao custo de R$ 92,00) procurou o posto da PM e foi informado de que não poderiam registrar a queixa porque a impressora estava estragada; encaminhado ao posto da Polícia Civil. Lá, o agente de plantão não apenas recusou-se a prestar o serviço, alegando que o “sistema” estava fora do ar como ainda disse que conhece muita gente capaz de inventar uma boa estória para ver se consegue um pneu novo.

 Senhores chefes das polícias: a coisa está ficando fora de controle e todo mundo está percebendo. “O apocalipse chegou?”.

Os ostomizados agradecem

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Numa sala modesta do vigésimo primeiro andar no velho e conhecido Edifício Mesbla você pode encontrar a Associação Mineira de Ostomizados. Quase nenhum barulho, mas que trabalho! Fiquei lá por apenas dez minutos, o bastante para sair impressionado como pessoas de bom coração se dedicam, voluntariamente, a ajudar quem precisa da mais básica das necessidades humanas: a informação.

Ali, os que necessitam usar bolsa coletora de urina e fezes aprendem como fazê-lo, descobrem que não precisam gastar dinheiro extra, mas, principalmente, sentem-se normais de novo, requalificam o dia-a-dia, encontram forças para readequar sua vida.

Vale lembrar que a palavra ostomizado implica em complicações as mais graves. A própria definição de ostomia é complicada: trata-se de um procedimento cirúrgico que consiste na abertura de um oco como, por exemplo, algum trecho do tubo digestivo, do aparelho respiratório, urinário, podendo manter uma comunicação com o meio externo, através de uma fístula, por onde se pode conectar um tubo de inspeção ou manutenção.

Conforme o local onde foi feita a ostomia dá-se um nome diferente, como traqueostomia e colostomia. A associação, criada em 1997, destina-se a ajudar os que necessitam da bolsa. A começar pela informação de que ela pode ser retirada, gratuitamente, junto ao SUS. Mas, acima de tudo, o trabalho é o de afastar o estigma, considerando que desde pequenos somos treinados para ter nojo de nossas fezes.

Aquela ideia de que as bolsas são sempre mal cheirosas e que seus portadores têm limitações é coisa do passado. No Brasil, estima-se que são 200 mil pessoas; em Minas, cadastrados já são 5 mil, que trabalham, viajam, se divertem, enfim, levam uma vida normal. Na associação não se fala em termos clínicos, pois isso é tarefa dos médicos. A troca de informações combina com o dividir de experiências.

O trabalho é tão gratificante que todos os diretores e funcionários usam ou já usaram a bolsa e as despesas básicas, tais como telefone, internet e condomínio são pagas com a contribuição daqueles que já foram ajudados. Uma iniciativa muito legal que precisa ser divulgada. Se você quer entrar em contato acesse amos.net@ig.com ou ligue para (31) 3212-2276. Ah, você pode também ir visitar a associação, às segundas, quartas e sextas, entre 8 e 12 horas.

        

Feridas incuráveis na alma

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Todos nós – em especial os cristãos – somos treinados para não guardar rancor, perdoar sempre e olhar para o futuro, isto é, esquecer eventuais decepções. Mas, convenhamos, não somos perfeitos, não somos espíritos desenvolvidos e, por isso, algumas coisas não conseguimos enfiar goela abaixo.

Sabe aquele colega de trabalho, em quem você tanto confiava e, de repente, o prejudicou por uma simples promoção? Ou aquele chefe que, na hora “H” lhe negou um direito, deixou de cumprir uma promessa? E aquela namorada, que jurou amor eterno e foi para os braços de seu melhor amigo?

Bom, isso tudo dói, não há dúvida. Pior é quando a dor da perda, do inesperado, da traição, é coletiva. Explicando melhor: você é surpreendido por algo absolutamente inesperado, que corresponde a uma paulada na cabeça e, simultaneamente, um cruzado de direita de um lutador peso-pesado no queixo, fica desnorteado, nocauteado. Quando recupera os sentidos, olha em volta e não encontra ninguém para ajudá-lo a levantar, apoiar com palavras de estímulo porque os outros também estão na lona. No chão. Aí, é o que a gente pode chamar de ferido na alma.

E exemplos não faltam. Escolhi dois para tratar aqui envolvendo a maior paixão e a maior irritação dos brasileiros. Primeiro, o futebol: há anos, melhor, há décadas, sabemos que o Cruzeiro é melhor que o Atlético, mais organizado, de melhores atletas… Mas, nós, atleticanos, nunca duvidamos da capacidade de reação do Galo, nunca cogitamos mudar de lado. Mas, aquela derrota de 6 a 1 para o Cruzeiro no ano passado diminuiu em muito a massa atleticana. O que ouço de gente dizendo que não quer saber mais do alvinegro é espantoso. Seria o nosso grande dia; bastaria um golzinho e nosso maior rival estaria na segunda divisão, experimentando o sofrimento que já nos envelheceu. Perdemos. E foi de goleada. Não há nem haverá explicação. Nunca.

Outra gigantesca decepção vem da política, que tanto maltrata o coração dos brasileiros. Que a maioria esmagadora dos nossos representantes no Congresso Nacional têm ligações espúrias com bandidos e arranjam sempre um financiador indecente para continuarem no poder, isto a gente já sabe há muito tempo. Mas, essa descoberta de que o Demóstenes Torres é um safado doeu demais. O que tem de brasileiro jogando a toalha de vez com a política é assustador. Aquela goleada e esse ladrão são feridas que já mais serão cicatrizadas.

Até que enfim!

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Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 que estou esperando o governo baixar as taxas cobradas por instituições financeiras no país. Parece que agora vai. Pelo menos, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil anunciam juros mais em conta. Já não era sem tempo. Aliás, nunca entendi duas coisas: por que o governo federal não usa essas instituições para forçar a queda das taxas e por que jornalistas – mais entendidos de economia do que eu – condenam os bancos oficiais quando estes têm lucros modestos.

Sinceramente, me pergunto: a função de uma caixa econômica é ser um agente atrás de superávit ou um banco social, ajudando as pessoas, estimulando desenvolvimento e oferecendo taxas mais decentes? Afinal, quem consegue entender que um banco pague menos de meio por cento ao mês por nosso dinheiro em poupança e, quando nós usamos o “cheque especial”, somos obrigados a taxas de até 10 por cento ao mês? Isto não é usura, agiotagem, sacanagem ou crime?

Como podem apenas os bancos do Brasil, Unibanco, Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Caixa Econômica controlarem mais de 87 por cento dos depósitos brasileiros? Como podem apenas os cinco principais bancos privados do país terem lucros anuais superiores a 133 bilhões de reais? E continuarem cobrando tarifas por que a gente precisa ter uma conta e deixar o dinheiro na mão deles? Será possível que a taxa encontrada em cartões de postos de combustível pode chegar a 549%? E o rotativo de cartão de lojas ir a 621%? Já somos uma grande economia, já nos respeitam lá fora, então, por que a gente não se dá o respeito?

Por que não dizemos aos banqueiros que eles podem continuar dando caviar aos herdeiros, mas nossos filhos precisam experimentar um músculo cozido? Será que esses marajás não têm pudor ao ponto de um deles – peixe pequeno, na verdade – deixar escapar notinhas na coluna social de jornais mineiros anunciando a comemoração do aniversário com um torneio de tênis para os amigos em Miami, nos Estados Unidos?

Alguém tem de avisar a esses brasileiros mais brasileiros que nós outros: ter dinheiro não é pecado, mas, se não distribuirmos um a fortuna, virá o dia em que não poderemos ir às ruas para exibir nosso poder. E nunca é demais lembrar que caixão não tem gaveta.

Senhor governador,

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Inicialmente, quero me desculpar por levar ao senhor assunto tão pequeno diante dos graves e urgentes desafios que ocupam a mesa do chefe do Executivo de um Estado que tem 20 milhões de habitantes. Mas, caro professor, considerando que no sábado de aleluia, 7, foi o Dia Nacional do Jornalista, eu quero pedir ao senhor um presente para a nossa categoria.

Queria um tratamento respeitoso os profissionais – especialmente os da mídia eletrônica – na Cidade Administrativa. Tenho certeza absoluta que o senhor desconhece as nossas dificuldades, caso contrário teria ordenado as devidas providências.

Incrível, professor, mas não há espaço previamente definido para os veículos de comunicação; assim, cada vez que a gente vai até lá há uma orientação, um lugar para estacionar… E se há necessidade de fazer um flash ao vivo o desespero é garantido porque o veículo está sempre longe da solenidade… Não é difícil resolver, governador. Basta reservar um pequeno pedaço da estrada interna, perto do Auditório JK… Ainda assim vamos ter que caminhar uns 100 metros, mas, pelo menos, será possível atender ao pedido da chefia.

Raramente vou à Cidade Administrativa, por isso não pedi antes, mas, todas as vezes que lá compareço, me impressiono com as dificuldades impostas ao pessoal de rádio e TV. Pior mesmo, caro governador, é a situação dos cinegrafistas, carregando equipamentos pesados por 300, 500 metros. Pior ainda, professor, são os motoristas lá atrás, debaixo de sol e chuva, sem um lugar para fazer xixi ou tomar um copo de água. Quando termina, a gente anda uns 200 metros e eles vêm.

Governador, o senhor me conhece, há muito tempo, sabe que não estou pedindo privilégios. Eu falo é de respeito. Quem deveria fazer esse pedido ao senhor deveria ser o sindicato, ou uma comissão de Direitos Humanos ou, quem sabe, algum chefe de uma das redações que mandam repórteres todo dia para cobrir suas atividades.

Ocorre, governador, que vivemos nos tempos da indiferença, então, quem vai brigar pelo xixi do motorista? A propósito, pelo que percebo com olhar superficial, os quartéis da PM e dos bombeiros continuam nas tábuas da época da construção e a infraestrutura ainda carece de ajustes. Mas, no nosso caso, de repórter de rádio, é muito desagradável ficar cinco minutos combinando com um sargento para autorizar o veículo no lugar do “flash ao vivo” e, na hora “H” ser desautorizado pelo tenente. Prá que esse desgaste? Ajuda a gente, caro professor.

A labuta dos jornalistas

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Neste sábado, 7 de abril, é comemorado o Dia do Jornalista. Nota da Federação Nacional que os reúne lembra que profissionais do mundo inteiro, de países ricos ou pobres, de países mais ou menos democráticos, trabalham para levar à sociedade um bem precioso: a informação.

O nosso trabalho tem o poder (para o bem e para o mal) de ajudar na interpretação da sociedade, induzir intenções, vontades, comportamentos e valores. E, claro, a Fenaj e os sindicatos filiados querem valorização da profissão e do profissional jornalista o que, indiretamente, beneficia toda a comunidade considerando que não há democracia sem liberdade de imprensa.

É preciso, neste dia e aproveitando o espírito da Páscoa, lembrar ao grande público que muitos profissionais dos grandes centros de Minas Gerais não ganham mais que R$ 1.500,00 mensais. Nas pequenas cidades, a situação é muito pior. Dos interesses paroquiais, vinculados a interesses políticos e econômicos, a um movimento mundial dos grandes conglomerados de mídia, há esforços cada vez mais vigorosos para desregulamentar a atividade profissional nos países onde ela é regulamentada e impedi-la onde ainda é inexistente.

Mais e mais “especialistas” assumem postos de comentaristas dos assuntos mais sensíveis, sobretudo na mídia eletrônica, enquanto a decisão de uma única juíza, há onze anos, desregulamentando o fazer jornalístico continua prevalecendo embora haja recurso até hoje não julgado. Recentemente, o representante mineiro em uma comissão criada pelo Senado para pensar novas leis de combate ao crime (vale lembrar que pelo menos uma de suas posturas deixou a desejar do ponto de vista da ética) deixou escapar que uma das idéias é apertar as punições contra os excessos cometidos pelos jornalistas. Tem sido assim.

Tudo para quem trabalha fica mais difícil e, em alguns casos, como no caso da proposta de criação de um Conselho Federal, sequer as prioridades da categoria são discutidas. Como esperar afagos de autoridades não resolve, o jeito é torcer para que os patrões entendam algo simples: credibilidade gera audiência que gera faturamento.

Então, pagar bem, escolher o melhor, mais preparado, não é despesa, mas investimento. Há de se ter cuidado com a formação de quem fala para o grande público; afinal, a multidão tem se revelado perigosa, desde quando escolheu Barrabás e mandou Cristo para a cruz.

Para pensar na Semana Santa

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Vamos refletir sobre vários temas, ao mesmo tempo? Vamos exercitar um pouco a nossa capacidade de misturar as coisas, para, ao final, descobrirmos como o nosso país é complicado. Comecemos pelo anúncio que a presidente Dilma deverá fazer hoje, criando novas regras para a concessão do seguro-desemprego.

Agora, quando um trabalhador o pedir, o computador imediatamente fará uma varredura para ver se ele não usou o benefício por três vezes ou mais nos últimos dez anos. Em caso afirmativo, ele só poderá sacar as parcelas a que tiver direito depois de fazer um curso de reciclagem, capaz de capacitá-lo para uma nova vaga.

A intenção é por fim a um recurso de espertalhões que trabalham por um período e voltam à boa vida. E também os que trabalham sem carteira assinada para continuar recebendo o benefício cuja finalidade é a de socorrer em eventualidades.

Nossa mania de estragar boas ideias. E a de complicar também, como essa exigência de comprovante no cartão de ponto eletrônico. Empresários afirmam que é burocracia e vai encarecer a folha. Outra coisa: para os que defendem a pena de morte no Brasil convém ler sobre um porteiro condenado a cinco anos de reclusão no final do século passado, ameaçado de morte na prisão (porque bandido odeia estuprador), e agora, com a prisão de um maluco na Zona Sul de Belo Horizonte, abre-se a possibilidade de que tenham confundido o porteiro com ele, por conta da semelhança física entre ambos.

Ademais, insisto em que não convém levar a sério essa proposta porque só colocaremos pobres na forca. Ou alguém pode me garantir que um desses ladrões de gravata que roubam as grandes fortunas e matam crianças de fome será colocado na cadeira elétrica? A propósito, quando a gente pensa que nãovirá mais surpresa do Congresso Nacional, eis que esse Demóstenes Torres nos dá um soco na boca do estômago…

Como pode um procurador, que chegou ao topo da carreira no Ministério Público, foi secretário de Segurança do Estado de Goiás, presidiu a mais importante comissão do Senado – de Constituição e Justiça – ser tão amigo de um contraventor com ficha tão suja? Esse Judas dos tempos modernos, até outro dia uma das vozes mais sensatas da oposição no país de tantos escândalos, não acabou apenas com a sua carreira política. Ele destruiu mais um pouco da já escassa esperança de nós todos. Se não for pedir muito, ressuscita de novo Jesus Cristo!

Coitado do Bruno!

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Segundo a Wikipédia, “dó” é o sentimento que é exprimido por um misto de pena, pesar e repugnância em relação a algo ou a alguém. É uma das emoções mais confusas de descrever, porque além de ser raramente experimentada, muitas das vezes se confunde com uma série de outros sentimentos que criam um estado de angústia no ser Humano. No entanto o sentimento de Dó, quando verdadeiramente sentido, cria uma opinião muito vincada sobre o algo ou alguém, muitas das vezes mudando radicalmente opiniões anteriores, tendo o poder de mudar relações interpessoais a vários níveis. E, ainda menino, aprendi que a gente não deve ter dó das pessoas por se tratar de um sentimento que inferioriza o outro, o deixa em posição de aniquilado.

Mas, depois de quase dois anos desde a prisão do goleiro Bruno, agora não consigo segurar o sentimento que sinto em relação a ele desde que o escândalo envolvendo a morte de Elisa Samúdio veio a público. Bruno é como milhares de meninos pobres que, graças ao talento, de repente se vêem cercados de bajuladores, espertalhões, infelizes e párias querendo levar alguma vantagem. Tosco, falou bobagens e se meteu em encrencas inacreditáveis. Sem alguém verdadeiramente preparado para lhe orientar, saiu da periferia de Neves para o mundo, mas, ela, a periferia de Neves, com amizades sabidamente perigosas, continuou grudada no corpo de na cabeça dele.

E, de repente, aparece mais uma dessas “marias chuteiras”, o envolve, engravida, e, de novo, sem uma mente sã para lhe explicar que 10 ou 20 mil mensais de pensão não fariam a menor diferença no seu padrão de vida altíssimo, ele faz as ameaças que lhe renderam condenação no Rio de Janeiro. Depois, vem a acusaão mais grave de um crime ainda sem cadáver em Minas. O que realmente aconteceu só Deus sabe, mas, todos os que são trazidos ao caso nestes 20 meses dão um jeito de levar alguma vantagem.

Os policiais que foram buscá-lo fizeram um video ilegal e indecente. A mãe de Elisa, que não a via não se sabe havia quanto tempo, agora chora pedindo justiça. O pai de Elisa apareceu como galã e desapareceu como abusador de outra filha. E os advogados de Bruno? Quanto ao doutor Quaresma, melhor esquecer. O atual, Rui Pimenta, é tão sério que me prometeu uma entrevista exclusiva com o preso famoso e depois pediu a esposa para atender as ligações. Começo a achar que quem gosta do Bruno, de verdade, é só o Macarrão!

Prazer em atender… Mal!

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Eu nasci num lugar muito perto da capital, mas com jeito de roça, ares de roça e comportamento de roça. Não se falava em supermercado e tudo se comprava num estabelecimento chamado de venda. A gente levava o que precisava tendo ou não dinheiro. E, toda vez que cumprimentava o dono do comércio ele se abria em sorrisos, perguntando como estavam os nossos parentes, mostrando tudo com paciência, resolvendo dúvidas. Em resumo: quem atendida fazia valer a placa afixada na parede: “Aqui, o cliente sempre tem razão!”.

Hoje, na cidade grande, no tempo do “call center”, do atendimento automático e da secretária eletrônica, fico me perguntando por que nós – os contribuintes, os destinatários dos serviços – toleramos tanto desaforo.

As companhias telefônicas são campeãs, mas as empresas de TV a cabo não ficam atrás. A gente liga e a voz gravada começa o purgatório: “Se você deseja falar com o papa, digite 1; se quer bater um papo com Lula, 2; se quer é namorar Xuxa, 3…” E segue o rosário de possibilidades. Depois de alguns minutos, você aperta a tecla de falar com a atendente e começa uma série de novas indagações ainda com a tal e bendita secretária eletrônica. É de desesperar. E, se for para cancelar o serviço, invariavelmente a ligação cai antes de a gente conseguir.

O mesmo governo (federal, estadual e municipal) que não pune as empresas privadas, finge que não vê autarquias prestadoras de serviços públicos agindo do mesmo jeito. Com tanta água em Minas, com tanta chuva nos últimos meses, o que temos é gente desesperada em muitos bairros da região metropolitana e um atendimento horroroso da Copasa. Em alguns casos, além da falta de compromisso, há a terceirização dos atendentes, o que nos coloca diante de pessoas absolutamente incapazes de nos dar informações básicas.

Até a nossa Polícia Militar decidiu aderir e, há alguns anos, coloca civis para atender todos os mineiros que ligam para o “190”. Qualquer coronel que entrevistarmos dirá que é uma atividade passível de se realizar com gente não especializada, que são mais de 600 policiais liberados para a atividade fim nas ruas, etc. etc. Mas, o “190” não é a sala de entrada da Corporação? Porque não colocar ali policiais que não têm condições físicas para as ruas? Alguém duvida que se a experiência pode ajudar na hora do telefonema aflito? Será que ninguém na PM conhece os casos de urgência nos quais os bombeiros salvam vidas orientando pelo telefone?

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