Para muita gente, 2011 está começando agora. Acabou o Carnaval. Gostaria de dizer a essa turma que eles estão muito atrasados. A máxima de que o ano começa depois da Quarta-Feira de Cinzas já era/não vale mais. Há alguns anos que o ano literalmente começa em janeiro. Este ano, por exemplo, a presidente já tomou posse, governadores, senadores, ministros e deputados idem. A indústria bateu alguns recordes, o comércio não tem do que reclamar, o “pibão” de 2010 foi divulgado. Neste momento estuda-se, em Brasília, uma forma de reduzir o consumo no Brasil para evitar a volta da inflação. Tudo antes do Carnaval.

Por tudo isso – e mais algumas coisas que não comentei – é que o ano de 2011 se apresenta como um ano promissor.  E será.

Aproveitando a situação positiva, o que precisamos fazer é investir para crescer. Esta máxima, sim, está mais forte do que nunca para o mercado mineiro de agências de comunicação. No nosso segmento, o tripé talento, informação e tecnologia precisa funcionar corretamente, pois, caso contrário, o cliente sente rapidamente a fragilidade no atendimento.

O mercado mineiro vive um momento de muito trabalho de prospecção, tenta por todos os meios mais clientes e marcas para recompor a carteira de anunciantes mineiros. Precisamos construir, novamente, marcas fortes a partir de Minas Gerais. Afinal, é justamente de marcas de sucesso que a indústria da comunicação em Minas Gerais precisa neste momento. De alguns anos para cá, perdemos um grupo expressivo de empresas que estavam entre aquelas que mais se utilizavam das ferramentas da comunicação. Grandes clientes da indústria alimentícia, do varejo de linha branca, do setor de super e hipermercados, entre outros, foram incorporados pela onda da globalização. Onda que “engoliu” também os bancos, um dos pilares mais tradicionais da propaganda mineira. Marcas nacionais que anunciavam no mercado local centralizaram suas campanhas nas matrizes e transformaram as campanhas de varejo em “campanhas net”. Se isso esvaziou nosso mercado, a nossa economia também não foi muito favorável para o surgimento de novas empresas que pudessem ocupar o lugar dos antigos anunciantes. O fato é que ainda somos, essencialmente, grandes fornecedores de matérias-primas. Exportamos o material bruto e importamos os produtos prontos. Inclusive com a comunicação pré-formatada, vinda de São Paulo, do Rio de Janeiro ou até de fora do Brasil.

Por isso, precisamos apoiar urgentemente o surgimento de marcas aqui, no nosso mercado. Mas, antes de pensar em marcas de sucesso, precisamos pensar no sucesso das marcas. Ou seja: na sua construção, no seu fortalecimento, no longo trabalho que devemos fazer para garantir o nascimento e o crescimento saudável de uma nova safra de anunciantes.

Esse é o desafio que a propaganda mineira tem pela frente. É um esforço de catequese mesmo, educando e formando uma nova mentalidade nas empresas que, se ainda não são grandes, oferecem potencial para crescer. Em vez de encararmos essa tarefa como uma dificuldade, deveríamos tratá-la como uma oportunidade. Com a experiência, o talento, a tecnologia e a estrutura que reunimos na propaganda mineira, poderemos começar uma série de novas e duradouras parcerias.

José Luiz da Silva
Sócio-Diretor da Populus Comunicação
Presidente da Associação Mineira de Propaganda – AMP