Ricardo Camargos, competente jornalista que com sua coluna “Nas ondas do Rádio”, aos sábados, no jornal Hoje em Dia, presta um importante serviço ao meio.

Quando inventaram a TV as aves agourentas trataram de anunciar logo que o rádio estava condenado à morte. Erraram feio. Tinha espaço para todo mundo e continuamos sendo o veículo de comunicação mais popular e companheiro. Prova disto e que, apesar da força da TV, em determinados horários os números do rádio continuam dando uma goleada na telinha.

A história se repetiu quando surgiu a grande rede. Os abutres  se apressaram em rascunhar o nosso obituário. O erro foi maior. A mídia rádio foi a que melhor soube se aproveitar da nova mídia e surfar nas ondas. Para ficar no nosso terreiro, se contam às dezenas as emissoras mineiras que já estão falando alto e firme via internet. O próximo passo foi o sistema wi-fi ou a rede 3G/Edge que permite que às emissoras, independente de sua área de cobertura, possam ser sintonizadas em qualquer canto do mundo através de aparelhos celulares ou nos aplicativos iPhone, iPad e iPad Touch. A última a anunciar o salto foi a Guarani 96,5 FM, que entra no time que já incluía a Band News, CBN, Extra, Itatiaia, Globo, BH e Oi FM, além de várias emissoras do interior. Isto sem falar nos novos portais implantados (Oi e CDL FM são exemplos mais recentes) que permitem acompanhar a programação em tempo real, obter informações detalhadas das promoções, enviar mensagens via Twitter e até se cadastrar para o recebimento de boletins eletrônicos e saber que horas vão tocar a música que você pediu.

É por estas e por outras, vai ficando mais difícil para os magos da publicidade condenar o rádio a um faturamento que, embora sempre crescente, fechou os primeiros cinco meses de 2010 em R$ 420 milhões, ou seja, apenas 4,6% do faturamento total do investimento em mídia no país da ordem de R$ 9,8 bilhões.

Para complicar as contas, este foi um ano atípico no mercado publicitário. Com a realização da Copa do Mundo, o faturamento do primeiro semestre deve superar os números do final de ano que, normalmente, costumam ser maiores. Até porque, como acontece sempre no país das eleições de dois em dois anos, já vivemos o vetusto “Horário Eleitoral Gratuito” que sempre ajuda a emagrecer o faturamento. A conta é simples: o tal ressarcimento da legislação eleitoral apenas permite que as emissoras de rádio e TV deduzam do Imposto de Renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário gratuito fosse vendido para propaganda comercial. Isto sem falar nas alterações na grade e a própria rejeição do horário do TRE, que sempre abalam os números da audiência. Resta, portanto, confiar em que a economia continue aquecida, que Papai Noel traga um Natal gordo e pleno de promoções e que os gênios da mídia entendam que vender bem é vender pelo rádio.

Ricardo Camargos