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	<title>colunas &#187; José Lino</title>
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		<title>&#8220;Enfim, fevereiro!&#8221; Texto de Selma Sueli Silva</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 11:52:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Destaque da Semana O ano acaba de começar e já penamos com as chuvas, nos assustamos com navio naufragado na Itália, sofremos com prédios que viraram pó: no Rio de Janeiro e aqui. De concreto mesmo, só a certeza de que quem sobreviveu a essas tragédias, está sozinho, sem lenço e sem documento. Na semana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Destaque da Semana</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ano acaba de começar e já penamos com as chuvas, nos assustamos com navio naufragado na Itália, sofremos com prédios que viraram pó: no Rio de Janeiro e aqui. De concreto mesmo, só a certeza de que quem sobreviveu a essas tragédias, está sozinho, sem lenço e sem documento.</p>
<p>Na semana do início de fevereiro, a realidade aparece na versão do retorno do trânsito pesado, das campanhas da BHTrans, dos motoristas mal educados e, infelizmente, muita lamentação e pouca – ou nenhuma – ação. É o ano novo e seus velhos problemas: buracos nas ruas e mais carros à vista. Depois das chuvas de janeiro, as ruas de Belo Horizonte ganharam 20 mil novos buracos. Enquanto isso, a frota de Belo Horizonte superou 1 milhão e 400 mil veículos, o que significa 4,34 carros por 1 mil metros quadrados – de vias esburacadas, bem próximo da concentração da capital de São Paulo, que é de 4,38. Imaginem então a situação na próxima segunda-feira, quando mais colégios retornam às atividades, inclusive as escolas da rede pública.</p>
<p>É por essas e outras que muita gente já respira aliviada com o pensamento de que daqui a pouco tem nova folga para refrescar os nervos: olha o carnaval aí gente&#8230;.</p>
<p>Quiséramos nossas preocupações ficassem por aí, no trânsito e nos buracos. Mas não, há sempre o lado obscuro do ser humano a nos lembrar que nada é tão ruim que não possa piorar.</p>
<p>Na quinta-feira, o horror estava estampado nas manchetes: a procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo, de 35 anos, foi brutalmente assassinada no condomínio de luxo em que morava, em Nova Lima. O empresário e marido da procuradora, Djalma Brugnara Veloso, de 49 anos, era o principal suspeito de cometer o crime.</p>
<p>Para piorar o drama que certamente só é sentido em toda sua extensão pelas famílias envolvidas, o empresário foi encontrado morto algumas horas depois. Ele teria cometido suicídio. E assim, de uma hora para outra, fatos que só diziam respeito àquela família começam a ser revelados, na tentativa de elucidação do caso.</p>
<p>O melhor a se fazer é, então, tentar aprender com a experiência para evitar a repetição de ações que poderiam – e deviam – ser evitadas:</p>
<p>1. É preciso encontrar mecanismos que efetivamente protejam mulheres ameaçadas por companheiros inconformados com o fim do relacionamento: Em Minas, são mais de 46 mil mulheres nessa situação, com pedidos de proteção aguardando julgamento.</p>
<p>2. Depois que a tal medida protetiva for expedida há que se rever o acompanhamento dos casos. No caso da procuradora, no dia 25 de janeiro, a Justiça expediu a medida, determinando que Djalma mantivesse no mínimo 30 metros de distância da mulher e dos filhos. O empresário foi notificado da sentença na última quarta-feira, o que pode tê-lo levado a cometer o assassinato horas depois.</p>
<p>3. Ana Alice Melo decidiu pedir a separação de Djalma Veloso após receber fotos dele com outra mulher, de acordo com pessoas que conheciam o casal. As imagens, enviadas pelo marido da amante, teriam sido a gota d’água para a procuradora colocar um fim no relacionamento. É humano que a pessoa que se sinta traída tenha o desejo de revidar. Magoada, quer magoar. Contudo é melhor pensar duas vezes nas consequências que uma atitude assim pode desencadear.</p>
<p>4. Que medidas efetivas sejam tomadas contra os autores de crimes dessa natureza independente do endereço do criminoso, quer seja um condomínio de luxo ou um barracão no bairro Letícia.</p>
<p>5. Por fim, fica o desejo do atendimento ao apelo da família de Ana Alice: {{“No sentido de preservar a integridade psicológica dos filhos, a família de Ana Alice Moreira Melo conta com a compreensão de toda opinião publica em relação à decisão de não se manifestar a cerca dos fatos que culminaram em tragédia tão dolorosa. Entendemos que essa postura contribui para reflexão da sociedade sobre a violência contra mulher, bem como sobre a violência como um todo. Ana Alice foi mãe, filha, irmã, amiga e profissional exemplar. Acreditamos que essa conduta é a melhor forma de homenagear sua memória e retribuir o seu amor. Contamos com a compreensão de todos.”}}</p>
<p>E podem mesmo contar com essa compreensão, ainda mais agora que a delegada responsável pelo caso deve pedir o arquivamento dele, já que com a morte do principal suspeito, caracteriza-se a impossibilidade de punição para o homicídio. E aqui vale lembrar que por mais horrível que tenha sido a morte de Djalma, ela foi uma escolha dele. Uma escolha que, infelizmente, ele roubou da mãe de seus filhos. Se ele escolheu a morte, Ana Alice não teve sequer a chance de escolher a vida!</p>
<p>A nós da imprensa, cabe, então, o dever – muitas vezes doloroso – de noticiar os fatos e suas consequências, com o objetivo e o desejo de desencorajar outras atitudes extremadas e violentas em nome do amor.</p>
<p>De tudo, fica a antiga e profunda certeza: quem ama, não mata!</p>
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		<title>A essência e a aparência, de Clarice Lispector</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 11:51:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser&#8230; Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhecem; e a subjetiva&#8230; Em alguns momentos, esta se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser&#8230;</p>
<p>Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhecem; e a subjetiva&#8230; Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos &#8211; Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!</p>
<p>Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser&#8230; Aqui reside o eterno conflito da aparência versus essência. E você&#8230; O que pensa disso?</p>
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		<title>Que coisa&#8230;, de Francicarlos Diniz</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 10:34:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[A palavra &#8220;coisa&#8221; é um Bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português. Gramaticalmente, &#8220;coisa&#8221; pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma &#8220;coisificar&#8221;. E no Nordeste [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A palavra &#8220;coisa&#8221; é um Bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades.<br />
É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.<br />
Gramaticalmente, &#8220;coisa&#8221; pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma &#8220;coisificar&#8221;. E no Nordeste há &#8220;coisar&#8221;: &#8220;Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?&#8221;.<br />
Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que é chamado de &#8220;a coisa&#8221;. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: &#8220;Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.<br />
A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro: &#8220;Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (&#8230;)”. Ou, &#8220;Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda, que coisa louca.&#8221; Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.<br />
Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta &#8220;Alguma coisa acontece no meu coração&#8221;, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).<br />
Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! (&#8230;)</p>
<p>Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cara cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa.<br />
Para o pobre, a coisa está sempre feia: é que o salário não dá pra coisa nenhuma.<br />
E tem a coisa pública que não funciona no Brasil desde os tempos de Cabral.<br />
Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando elege o seu candidato, o eleitor pensa: &#8220;Agora a coisa vai”.<br />
Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma, pois uma coisa é falar; outra é fazer.<br />
O eleitor já está cheio dessas coisas!<br />
Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para serem<br />
usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas?<br />
E bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. E há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras coisas mais.<br />
Mas, &#8220;deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou<br />
coisa parecida&#8221;, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema<br />
Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.<br />
Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: &#8220;amarás a Deus sobre todas as coisas&#8221;.</p>
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		<title>Esquecimento e memória, de Martha Medeiros</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 10:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia li um ensaio interessante sobre a arte de esquecer. Dizia que a memória até pode ajudar a conservar nossa história, mas que o esquecimento é fundamental para a regeneração da vida, que só esquecendo o passado podemos nos dedicar a planejar o futuro, algo assim. É uma tese controversa. Avanços históricos, sociais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Outro dia li um ensaio interessante sobre a arte de esquecer. Dizia que a memória até pode ajudar a conservar nossa história, mas que o esquecimento é fundamental para a regeneração da vida, que só esquecendo o passado podemos nos dedicar a planejar o futuro, algo assim. É uma tese controversa. Avanços históricos, sociais e tecnológicos estão intimamente ligados ao conhecimento do que já se fez antes. Já nas questões pessoais, um pouquinho de esquecimento pode, realmente, ajudar a desatar nós e a seguir em frente, mas isso em se tratando de pessoas que possuam mesmo um futuro. Para pessoas mais idosas, não pode haver velhice pior do que aquela em que se está mergulhado no breu.</p>
<p>Inúmeras doenças degenerativas corroem a memória, deixando a pessoa enredada no presente instante. Ela esquece o que comeu no almoço, esquece com quem estava conversando há meia hora e sobre o quê. Menos mal que, mesmo com esse esquecimento de fatos imediatos, consegue produzir flashbacks, lembrar da infância, de acontecimentos remotos. Mas se a memória for inteirinha para o brejo, de que adiantou ter vivido?</p>
<p>Não consigo imaginar chegar lá adiante, velhinha, depois de ter atravessado tantos conflitos, tantos amores, cometido tantos erros e tantos acertos, e não poder comemorá-los, todos. O que justifica uma vida não são nossas boas intenções, nossas ideias jogadas ao vento, nossos quases: vida é a coisa realizada. O que se fez e o que se sentiu. Se elas forem esquecidas, esvaziam-se nossos 80 anos, nossos 90 ou cem anos. Qualquer longevidade passará a valer um segundo.</p>
<p>Quero olhar para as fotos e me reconhecer no sentido mais amplo, enxergar o que eu sentia naquele momento do clique, dizer “parece que foi ontem” sem sofrimento. (&#8230;)</p>
<p>O esquecimento é um anestésico que não me tenta. Se temos que morrer um dia (que jeito), que seja abraçados às nossas recordações. A integridade de uma vida está em seu reconhecimento, mesmo que se reconheça, junto às boas lembranças, a proximidade do fim. É o preço. Pior é morrer com a bênção de não se dar conta da morte iminente, mas com o destino cruel de não poder avaliar, através da memória, se valeu ou não a pena.</p>
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		<title>Sobre o arrependimento, texto de Rosana Braga</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 11:52:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem nunca agiu por impulso e se arrependeu depois, que atire a primeira pedra! A grande maioria das pessoas certamente já fez algo sem pensar e depois, ao cair em si, percebeu que deveria ter agido de modo diferente ou simplesmente não ter feito nada, pelo menos não naquele momento. Portanto, essa sensação de arrependimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quem nunca agiu por impulso e se arrependeu depois, que atire a primeira pedra! A grande maioria das pessoas certamente já fez algo sem pensar e depois, ao cair em si, percebeu que deveria ter agido de modo diferente ou simplesmente não ter feito nada, pelo menos não naquele momento. Portanto, essa sensação de arrependimento certamente não é privilégio de poucos.</p>
<p>No entanto, você também provavelmente conhece aquele grupo de pessoas (e talvez até faça parte dele) que vive afirmando aos quatro cantos nunca ter se arrependido de nada do que fez! Os mais poéticos, inclusive, arriscam completar com &#8220;somente do que deixou de fazer&#8221;.</p>
<p>Respeitando as singularidades e lembrando que não existe um jeito certo e um jeito errado de ser, devo dizer que, particularmente, não acredito que arrepender-se seja ruim ou sinal de falta de personalidade, como este grupo faz parecer. Pelo contrário, penso que denota boa dose de consciência. Demonstra que, se fosse possível, a pessoa teria agido com mais prudência, equilíbrio e coerência.</p>
<p>(&#8230;)</p>
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		<title>O Papel e a Tinta, Fábula de Leonardo Da Vinci</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 11:30:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Certo dia, uma folha de papel que estava em cima de uma mesa, junto com outras folhas exatamente iguais a ela, viu-se coberta de sinais. Uma pena, molhada de tinta preta, havia escrito uma porção de palavras em toda a folha. — Será que você não podia ter me poupado desta humilhação? &#8211; disse a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certo dia, uma folha de papel que estava em cima de uma mesa, junto com outras folhas exatamente iguais a ela, viu-se coberta de sinais. Uma pena, molhada de tinta preta, havia escrito uma porção de palavras em toda a folha.</p>
<p>— Será que você não podia ter me poupado desta humilhação? &#8211; disse a folha de papel, furiosa, para a tinta.</p>
<p>— Espere!, respondeu a tinta. Eu não estraguei você. Eu cobri você de palavras. Agora você não é mais uma folha de papel, mas sim uma mensagem. Você é a guardiã do pensamento humano. Você se transformou num documento precioso.</p>
<p>Pouco depois, alguém foi arrumar a mesa e apanhou as folhas de papel para jogá-las na lareira. Subitamente, reparou na folha escrita com tinta. Então, jogou fora todas as outras, e guardou apenas a que continha uma mensagem.</p>
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		<title>&#8220;Não Sei&#8221; &#8211; Max Gehringer</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 11:45:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação, imagine a seguinte cena: Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali&#8230; aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta: - Será que vai chover hoje? Se você responder &#8220;com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação, imagine a seguinte cena:</p>
<p>Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali&#8230; aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta:</p>
<p>- Será que vai chover hoje?</p>
<p>Se você responder &#8220;com certeza&#8221;&#8230;a sua área é Vendas. O pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.</p>
<p>Se a resposta for &#8220;sei lá, estou pensando em outra coisa&#8221;&#8230; então a sua área é Marketing. O pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.</p>
<p>Se você responder &#8220;sim há uma boa probabilidade&#8221;&#8230;você é da área de Engenharia. O pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.</p>
<p>Se a resposta for &#8220;depende&#8221;&#8230;você nasceu para Recursos Humanos: uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros fatos.</p>
<p>Se você responder &#8220;ah, a meteorologia diz que não&#8221;&#8230;você é da área de Contabilidade. O pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados no que nos próprios olhos.</p>
<p>Se a resposta for &#8220;sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuvas&#8221;. Então seu lugar é na área Financeira que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.</p>
<p>Agora, se você responder &#8220;não sei&#8221; há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à diretoria da empresa. De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder &#8220;não sei&#8221; quando não sabe.Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.</p>
<p>&#8220;Não sei&#8221;, é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo e pré dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.</p>
<p>Parece simples, mas responder &#8220;não sei&#8221; é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa. Por quê? Eu sinceramente &#8220;não sei&#8221;.</p>
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		<title>Custo alto da imprudência &#8211; Editorial do Jornal Estado de Minas de 27/01/2012</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 22:25:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Destaque da Semana O desabamento de três prédios comerciais no centro do Rio de Janeiro no começo da noite de quarta-feira é mais um episódio que realça a displicência e a responsabilidade que têm levado muitas pessoas a não medir consequências para alcançar seus objetivos mais imediatos. É fácil jogar a culpa nas autoridades por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Destaque da Semana</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O desabamento de três prédios comerciais no centro do Rio de Janeiro no começo da noite de quarta-feira é mais um episódio que realça a displicência e a responsabilidade que têm levado muitas pessoas a não medir consequências para alcançar seus objetivos mais imediatos.</p>
<p>É fácil jogar a culpa nas autoridades por todas as tragédias a que o país tem assistido. Mas a verdade é que, em boa parte delas, o que tem faltado é o bom senso e a preocupação com a vida e a segurança do vizinho ou da comunidade.</p>
<p>Não se sabia ao certo, 24 horas depois, quantas pessoas perderam a vida com os desmoronamentos, mas a defesa civil do Rio já tinha contado quatro mortos e 18 desaparecidos. O número de vítimas, infelizmente, cresce na proporção da impressionante quantidade de escombros que se amontoam no local antes ocupados pelos prédios, além da grossa camada de poeira que cobriu carros, árvores e edificações do entorno. A única nota a comemorar foi que o vizinho Teatro Municipal, uma das joias recentemente restauradas da Cidade Maravilhosa, escapou ileso.</p>
<p>Também é cedo para um diagnóstico seguro das causas do desmoronamento e talvez nem se consiga um laudo pericial completo e irrecorrível, tal o nível da destruição. Mas, aos poucos, ouvidas várias testemunhas e frequentadores do local que tiveram a sorte de saber do desastre apenas pelo noticiário, as primeiras conclusões convergem para algo preocupante.</p>
<p>Um dos ocupantes de parte do edifício mais alto, de 20 pavimentos, vinha realizando obras no terceiro e nono andares para alterar o espaço em que ministrava cursos de tecnologia e qualificação de pessoal em informática. Vizinhos disseram que já tinham manifestado preocupação com a retirada de paredes e provavelmente de pilastras e vigas. O que ninguém sabia é que nada do estava sendo feito tinha o aval ou conhecimento do Conselho Regional de Engenharia, conforme garantiu a direção do órgão. Tampouco a prefeitura tinha emitido qualquer autorização para obra que, portanto, era tocada clandestinamente, sem supervisão técnica.</p>
<p>Especialistas consideram como mais provável a hipótese de colapso radical na estrutura do prédio provocado por falta de sustentação. Como se trata de construção de mais de seis décadas, o prédio dificilmente terá ruído por erro de cálculo, tudo indicando que não podia ser removido. Ao desabar, o prédio levou consigo dois vizinhos menores, um de 10 e outro de quatro pavimentos, todos irrecuperavelmente destruídos.</p>
<p>Além das mortes e dos prejuízos, o que não pode passar em branco de mais esse espetáculo de destruição, dor e medo, é que, bem perto de cada um de nós, pode haver alguém interessado em ampliar seu espaço de negócios ou sua sala de recepções festivas à custa da estrutura do prédio.</p>
<p>O mínimo que a civilidade sugere é que esse cidadão tenha o cuidado de se cercar de avais técnicos aceitáveis e não apenas de palpites amadores. E, como mostrou o desabamento no Rio, não apenas o prédio do qual se removerão paredes e vigas estará em perigo, mas toda a sua vizinhança. Também ficou claro que as providências orientadas pelo bom senso e pela prudência custam quase nada perto do estrago a ser evitado.</p>
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		<title>Chegou o verão &#8211; Texto atribuído a Luís Fernando Veríssimo</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 22:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose. Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca. Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura<br />
e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.</p>
<p>Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água<br />
da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.</p>
<p>Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no<br />
tênis.</p>
<p>Mas o principal ponto do verão é&#8230;. A praia! Ah, como é bela a praia.</p>
<p>Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.</p>
<p>Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a<br />
prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.</p>
<p>O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do<br />
sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão<br />
chegando.</p>
<p>Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três<br />
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa,<br />
toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de<br />
férias.</p>
<p>Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados<br />
e prontos pra enterrar a avó na areia.</p>
<p>E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação,<br />
as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os<br />
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.</p>
<p>Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da<br />
maravilha que é entrar no mar!</p>
<p>Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de<br />
cerveja no fundo.</p>
<p>Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Mas, claro, tudo tem seu lado bom.</p>
<p>À noite quando o sol vai embora, todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.</p>
<p>O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa,<br />
desde creme de barbear até desinfetante de privada.</p>
<p>As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia<br />
oferece.</p>
<p>Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede<br />
pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.</p>
<p>O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.</p>
<p>Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e<br />
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo<br />
possa se encontrar no mesmo inferno tropical&#8230;</p>
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		<title>Duas bolas, por favor &#8211; Danuza Leão</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 12:11:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Lino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.<br />
Uma só.<br />
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.<br />
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.</p>
<p>O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.<br />
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.<br />
A gente sai pra jantar, mas come pouco.<br />
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.<br />
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de &#8216;fácil&#8217;).</p>
<p>Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.</p>
<p>Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.</p>
<p>E por aí vai.</p>
<p>Tantos deveres, tanta preocupação em &#8216;acertar&#8217;, tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação&#8230;<br />
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão&#8230;</p>
<p>Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.<br />
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.<br />
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.<br />
Recusar prazeres incompletos e meias porções.</p>
<p>Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.</p>
<p>Um dia a gente cria juízo.<br />
Um dia&#8230;<br />
Não tem que ser agora.</p>
<p>Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate&#8230;<br />
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.</p>
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