Alguns políticos mostram-se impacientes quando a população reclama dos transtornos provocados por obras. Certos governantes até usam a insatisfação como marketing dizendo coisas do tipo: “Sabemos que temos transtornos, mas eles são passageiros; estamos trabalhando para melhorar a sua vida”. A verdade é que todos nós compreendemos a velha máxima de não se fazer omelete sem quebrar ovos.

A pergunta é: por que, quando há o planejamento de implantação de um projeto ousado como o BRT, pensam em tudo – até na ajuda que os vencedores da licitação podem dar na eleição que virá – e não reservam alguns minutinhos para, de verdade, ouvir quem será efetivamente afetado. E por que não há um acompanhamento, durante os trabalhos, fazendo ajustes. Vamos esquecer prejuízos materiais, já muito propalados e que geram indenizações. Vejamos o caso da Eloisa Vitor, aluna do Uni-BH que, assim como vários colegas, foi assaltada na Avenida Antônio Carlos, perto do viaduto Senegal. Não adiantaram meses de pedido para que a iluminação no local fosse providenciada, não há policiamento e, depois do pior, para atender ao pedido das autoridades e registrar queixa, teve de se deslocar até o centro onde os policiais não mostraram qualquer interesse em achar o ladrão. Registrado o Boletim de Ocorrência, pediu uma cópia do BO para providenciar novos documentos e disseram que a impressora estava sem tinta. Quando ela me escreve, indignada, tenho de responder que esta é uma realidade de todas as companhias, onde já existe até um aviso sugerindo que peçam a cópia pelo e-mail, ou seja, não é por acaso, situação momentânea, é descaso mesmo.

Outro exemplo: antes que aconteça o pior, Alexandre Oliveira pede polícia para as imediações da Escola Estadual Três Poderes, no Bairro Céu Azul, onde um filho estuda. Com as obras do BRT, o ponto de ônibus mais próximo ficou há mais de 500 metros e os estudantes têm de andar no escuro. O pai só pede proteção para o filho e os colegas dele, pelo menos entre 10 e 11 da noite, quando deixam a escola e precisam chegar ao transporte. Não quer privilégio. Eloisa não quer nem mesmo suas coisas de volta, só um pouco de respeito. E eu pergunto aos caras pálidas da Prefeitura, especialmente os de cargos comissionados das regionais, que deviam gerir a coisa pública: eles estão pedindo muito? É difícil atender? Por que não se faz o óbvio?