De novo, vamos abordar aqui o beco sem saída em que se meteram os proprietários de taxis de Belo Horizonte, após longa e penosa discussão sobre licitação do serviço.

Sempre achei que a categoria deveria ter usado todo o seu prestígio para conseguir um acordo com o Ministério Público, de forma a garantir uma sucessão – ou seja, quando do falecimento do permissionário, haveria uma única chance de transferência para familiares.

Os representantes dos taxistas optaram pelo embate e, recentemente, o Tribunal de Justiça bateu o martelo: agora, a Bhtrans está obrigada a recolher todas as permissões na falta de seu titular. Os problemas começaram.

Primeiro, foi Maria Valdete Silva, cujo marido, Francisco de Assis da Silva, morreu em poucos meses após contrair um câncer. Depois de muita luta, ela conseguiu uma liminar para o irmão continuar trabalhando com o carro, mas, ao procurar a Bhtrans, a empresa não apenas se recusou a cumprir como também recolheu a carteira do auxiliar.

Agora, é o drama na sucessão de Sebastião Baleno da Silva, morto por assaltantes há uma semana. O único filho, Claysson, trabalhava com ele e agora se vê diante da possibilidade de não ter como sobreviver.

A cunhada de Claysson, Samira de Souza, conta o drama da família: “Estamos todos extremamente tristes e perplexos com tamanha brutalidade. A mãe de Claysson faleceu quando tinha apenas um ano e meio. Seu pai o incentivou a trabalhar com taxi e agora, além de estar inconsolável com a trágica morte do pai, está desesperado pela perda abrupta da sua única fonte de renda, já que com a nova lei federal, decretada pela nossa presidente Dilma, a concessão de taxi não pode ser transferida aos respectivos herdeiros. Isso já vinha me preocupando muito, pois, na minha família a principal fonte de renda é o taxi do meu pai. Gostaria do seu apoio na busca por justiça e também de informações que possam nos orientar na garantia do ganha-pão e dignidade do nosso querido Claysson. Durante o velório, o presidente do Sindicato dos Taxistas mostrou-se solidário, mas deixou claras as limitações”.

A minha sugestão é a de que a família entre com duas ações: uma para garantir a sucessão e outra, contra o Estado, em decorrência da falta de segurança, pedindo a garantia de sobrevivência que seria a transferência da placa. Ou alguém discorda de que o Estado deve ser punido por não proteger seus cidadãos. Quem sabe?