‘Nunca é demais destacar a Educação’ Texto de Selma Sueli Silva
18 de Agosto de 2012 por José Lino | Categorias: Texto de Abertura do Programa Rádio Vivo | 0 Comentários »
Destaque da Semana
Há sete anos foi o criado Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, que é um indicador para medir a qualidade da educação básica no país. Nesta semana, aconteceu a divulgação dos números de 2011: em uma escala de 0 a 10, a nota atribuída aos anos iniciais, do primeiro ao quinto ano, que corresponde ao ensino fundamental, é 5, o que supera a meta estabelecida para 2011, de 4,6 pontos. Nos anos finais, do sexto ao nono ano, a melhora foi mais lenta – a nota passou de 4 pontos em 2009, para 4,1 em 2011. No caso do ensino médio, a situação é mais grave: na média nacional, a meta de 3,7 pontos foi atingida, mas nove estados pioraram o desempenho em relação a 2009.
A notícia boa fica por conta de se perceber a evolução na base, nas séries iniciais do ensino fundamental – e que agora deve se estender para o ensino fundamental II e o ensino médio. A meta é que o Brasil
atinja a nota 6 para as séries iniciais do ensino fundamental até 2022. Ao pessimista, é bom lembrar que em todas as edições, as médias nacionais superaram as metas estabelecidas para o período.
Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, três fatores são responsáveis pela melhoria do Ideb nos anos iniciais. O primeiro seria o ensino fundamental de nove anos, modelo que começou a ser implantado em 2007, e antecipou a entrada das crianças no ensino fundamental, dos 7 para os 6 anos de idade. Os outros fatores seriam o aumento dos investimentos em educação e das matrículas na educação infantil. Conta também, o fortalecimento da cultura da avaliação. Quando você mede e estabelece metas o sistema se move. Há uma perspectiva de melhora e uma ambição de futuro.
Mas no ensino médio, o papo é outro. Mesmo com uma meta tão baixa, 3,7 em dez (!), os resultados foram insuficientes. Em função disso, o Ministério da Educação planeja uma modernização do currículo, propondo a integração das diversas disciplinas em grandes áreas. A inspiração deverá vir do próprio Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, que organiza as matrizes curriculares em quatro grandes grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. As provas seguem essa divisão, ao contrário do modelo tradicional por disciplinas como química, português, matemática e biologia. Aliás, muitas escolas da rede particular, já adotam esse modelo.
Isso não significa eliminar disciplinas, mas sim, integrá-las. Haverá flexibilidade, de acordo com o projeto pedagógico das escolas, sem um fracionamento como acontece hoje, em especial no Ensino Médio. Aliás, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que norteia todo o sistema de ensino, não define disciplinas obrigatórias – com exceção de língua estrangeira, Filosofia e Sociologia.
Todas essas alterações pretendem levar mais qualidade ao ensino médio que, atualmente, se baseia na preparação para o vestibular e é pouco atraente para o projeto de vida do adolescente. Acreditar que o ensino médio serve para formar pessoas para ingressar na universidade não se aplica à realidade de muitos jovens que têm necessidades econômicas e sociais diferentes, em especial num país de grandes contrastes, como o Brasil. É exatamente por isso, que houve um crescimento do ensino técnico entre nós.
De acordo com a legislação, os Estados é que são os responsáveis pelo ensino médio na rede pública. Ainda assim, hoje, quase 2 mil escolas do País já aderiram ao programa Ensino Médio Inovador, do Ministério da Educação, que prevê investimentos federais, ampliação da jornada e a reestruturação dos currículos. A estimativa de investimento para 2012 é de R$ 105 milhões nessas escolas onde há, ao todo, 1 milhão e 700 mil alunos.
Uma coisa é certa, os tempos são outros. Prender o aluno de hoje, entre quatro paredes, tentando enfiar na jovem cabeça
13 disciplinas, que chegam a 19, se consideradas as disciplinas complementares, por 5 horas e meia, diariamente é, no mínimo, ingenuidade. Isso, sem contar o número elevado de estudantes do ensino médio matriculados no período noturno. Para esses, o rendimento já é comprometido pelo desgaste de horas e horas de trabalho durante o dia. O leque de tantas disciplinas, muitas delas com pouca ou nenhuma aplicação na vida prática, é outro imenso desestímulo, o que leva ao alto índice de desistência e abandono das escolas.
Nas últimas décadas, o governo conseguiu vencer o desafio da QUANTIDADE, colocando nas salas de aula a maior parte das crianças, adolescentes e jovens em idade escolar. É preciso agora, enfrentar de verdade, o desafio da QUALIDADE, responsável última pela formação de cabeças pensantes e operantes, seja aqui ou na Finlândia.
Já há algum tempo, o Brasil tem apresentado números expressivos, quando o assunto é crescimento econômico e desenvolvimento. Somos, hoje, uma potência mundial, em especial se comparados com os números dos países em crise no Primeiro Mundo.
Mas… uma nação poderosa e ignorante, é uma nação perigosa. Para si e para os outros.
