VIVA,SEMPRE,O EDGARD MELO!
09 de Maio de 2012 por Carlos Rubens Doné | Categorias: Viva Você | 2 Comentários »
Nosso grande amigo Edgard Melo merece todas as mais lindas e significativas homenagens.
O texto abaixo é de autoria do grande repórter Renato Rios Neto que com muito carinho homenageia seu avô.
O que dizer sobre o Seu Edgard? É até complicado, além de avô, era um grande amigo e um exemplo que sempre tentei seguir. O que posso dizer é que ele foi um dos caras mais sensacionais que tive a honra de conhecer….começou sozinho nos anos 60 a primeira agência de publicidade BH e conseguiu construir uma empresa grande, mas mais do que isso teve a coragem de casar com minha vó que era viúva e tinha nada menos do que cinco filhos. Filhos que se tornaram dele e que ele sempre amou como pai.
O seu Melo não tinha medo de viver. Acho que essa é a melhor definição que posso pensar para ele. Sempre encarou a vida de frente, pronto para aproveitar todo e qualquer segundo dela. Nunca deixou de tomar seus vinhos e de cozinhar magistralmente para toda a família, mesmo quando a vida lhe tirou o estomago.
No ano passado médicos o orientaram a não fazer viagens longas, mas Edgard sempre corajoso foi se despedir da Europa que tanto amava e acabou passando mal na Itália, mas não se abateu e aposto que não se arrependeu. Ele teve coragem e foi lá, enfrentando os riscos e pagando o preço, sempre com bom humor.
E se ele tinha um desejo genuíno , era o de ver a cria dele crescer na vida. Sempre apoiando os filhos e netos nos seus sonhos e dando força nos momentos difíceis. Quando minha banda foi pra Europa em 2004, muita gente da família dizia que era loucura querer viver de música e tentar a sorte em outros países. Ele não…sempre deu força e disse, “vai lá e conquista o mundo, rapaz!”
Quando decidi focar no jornalismo ele acreditou no meu potencial mais do que ninguém e foi fundamental na minha carreira. Eu jamais terei palavras para agradecer o que ele fez por mim, mas fico com a consciência tranquila porque nunca escondi minha gratidão e nunca tive vergonha de demonstrar o meu amor e carinho por ele.
Enfim, lembranças que vem na cabeça da gente nesse momento tão complicado. As lágrimas são muitas, mas o que vai ficar na memória são os bons momentos em torno da cozinha do Seu Melo.
No velório fiquei comovido com tantas demonstrações de carinho e afeto. O que dava para perceber era um sentimento genuíno de admiração, ternura e já de eterna saudade em todos os presentes. E fiz questão de conversar com os grandes amigos do Seu Edgard, todos com histórias de amizade, boas comidas, bons vinhos e vitórias profissionais. E no meio dessas conversar, o jornalista Nestor de Oliveira disse a frase que creio eu que é a grande definição do Edgard Melo, ele disse “Renato, é um momento muito triste, mas estou tranquilo porque o seu avô fez da vida uma grande e bela festa”. Então creio que a maior homenagem que podemos fazer é continuar essa festa, seguindo sempre as receitas do amor ao próximo, da paixão pelo trabalho, da alegria, da lealdade e do gosto pela vida. Tenho certeza que é isso que o Seu Edgard quer!

Renato, é de impressionar a quantidade de boas e belas histórias do Edgar que surgem nas rodas de nossa cidade a cada vez que seu nome é mencionado: marcou, realmente, as vidas de quantos com ele conviveram. Um abraço, José Eduardo.
Renato, só através de sua crônica, tomo conhecimento dessa enorme perda, a do nosso Sr. Edgard.
Sou um anônimo que aprendeu muito no pouco contato que tinha com ele. Fui office-boy na ASA Propaganda e isso faz tempo. Foi praticamente meu primeiro emprego. A ASA tinha um time de primeira, com gente como Lucio Melo, a Lise, o pessoal da mídia (Andreia Loureiro e Carlos Lima) e o pessoal do contato. Já a turma da crição eu achava que eram todos malucos. Paulo Fiote era o próprio. No labóratório o Chicão – o que tinha de tamanho tinha de boa praça – e o RTV era conduzido pelo Ralph, figuraça. Lembro de um amigo oculto que tivemos e dei a ele um cd, coisa chique na época. So depois descobri que ele não tinha um toca cd´s…morri de vergonha.
Enfim, era um tempo incrivel. Nós, “meninos de rua” na expedição, sob o comando do Zé Carlos, corríamos pra dar conta de tanta coisa. Mas aí, de repente, entravam dois cachorros pela empresa, fazendo uma algazarra e a gente já sabia: lá vem o chefão. Suspensórios, sorriso enorme e o grande detalhe que sempre me marcou e me fez te-lo como referencia: bom dia, boa tarde, por favor, preciso da sua ajuda. Eu ficava maravilhado. Como esse chefe pode ser tão distindo assim com os anônimos da expedição?? Nunca nos ignorou e sempre tratava com gentileza e respeito. Nunca mandava, sempre pedia. Uma vez, chegou com vários pacotes que eram para o ateliê da sua avó no último andar. Estavam no carro. Eu na expedição conversando com a Claudinha – a melhor atendente que já existiu. Ele nos interrompe amigavelmente, fico pálido de susto por ser pego batendo papo na recepção e ele fala: Filho, você pode me fazer o favor de tirar umas coisas no carro e levar pro ateliê?
Era desconfortável ver um chefe assim tão cortez com a gente. Era como se ele não precisasse de pedir nada a esses pirralhos e isso nao passava de nossa obrigação.
Mas com simpatia ele me ensinava, que assim como os belos pratos que fazia, pessoas devem ser tratadas com calma, gentileza e só em ultimo caso, usar fogo alto.
Hoje, sigo outros rumos distantes da propaganda & comunicação mas levo na bagagem, nuances e detalhes que aprendi com esse homem, sendo que ele sequer soubesse que nos ensinava tanto.
Um grande abraço e saiba que seu avô foi bem mais do que você imagina.
Emmerson de Freitas Roberto